Jornal dos Desportos

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Angola e Brasil em marés baixas

Francisco Carvalho - 06 de Maio, 2016

Selecções de Angola e do Brasil mediram forças no campeonato mundial realizado no Estado de São Paulo

Fotografia: Nuno Flash

A expectativa da participação da Selecção Nacional sénior feminina de andebol nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro'2016 é marcada com algum cepticismo em alguns círculos da capital de Angola. A crise económica que graça às terras de Agostinho Neto, aliada à qualidade da juventude presente nas diferentes equipas do país e o elevado nível competitivo das selecções adversárias no Grupo A, em que faz parte, são apontadas como motivos suficientes para vaticinar resultados negativos.

Angola é a única equipa do grupo A que nunca ousou subir ao pódio de uma competição de nível mundial. O "sete nacional" vai enfrentar na primeira fase a campeã olímpica e mundial (Noruega), a vice-campeã europeia (Espanha), a vice-campeã olímpica (Montenegro), a terceira classificada do último campeonato mundial (Roménia) e a ex-campeã mundial e anfitriã (Brasil). Pela estatística, as comandadas de Felipe Cruz são as que menos possibilidade têm para atingir a segunda fase do torneio de andebol.

Em Londres'2012, Angola quedou-se entre as 10 melhores selecções do mundo. Para Rio'2016, a fasquia está levantada para as oito melhores. A missão é espinhosa, mas não difícil. Vozes autorizadas do andebol apontam a preparação psicológica para melhorar os ânimos das atletas, das quais algumas vão fazer a estreia nos Jogos Olímpicos. Se assim for, pensar numa vitória não é impossível.

As anfitriães, Brasil, estão acossadas sobre forte pressão. A campeã mundial de 2013 é uma das candidata ao título do Rio'2016 e tem a sua frente a última oportunidade de chegar ao pódio mais alto. As principais atletas brasileiras atingiram a idade de aposentação, factor que pode ser explorada pelas Pérolas africanas e fazerem história nas terras de flamingo.

A renovação feita no plantel do Brasil não agrada a muitas atletas e a adaptação pode facilitar as selecções adversárias. A melhor jogadora de 2014, Duda, havia dito numa entrevista à imprensa brasileira que não vê uma renovação de "tanta qualidade". Para si, "o cenário não é animador por faltar atletas com sonho".

Brasil tem excelentes jogadoras que actuam nas principais equipas da elite mundial, como Chana Masson, Dani Piedade, Dara e outras. As novas jogadoras não têm o mesmo peso. A diferença com as angolanas reside na qualidade do lote caseiro. No confronto directo, a balança vai pesar "o esquema de mentalidade" para lograr a vitória.

No seio da colectividade brasileira, há o pensamento da não qualificação a outra fase por constar do grupo da "morte". Ciente da qualidade das selecções de elite mundial, o trabalho psicológico tem dominado as sessões de treino. Tal como Angola, as oportunidades estão divididas a meio. As Pérolas podem também sonhar alto. Basta colocar a postura de entrega de corpo e alma, alimentar a sede da vitória e honrar o continente africano, tal como no Mundial de Paris.