Jornal dos Desportos

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Angola e África do Sul fazem despique

Gaud?ncio Hamelay, no Lubango - 29 de Abril, 2017

Socos já rolam no ringue da Nossa Senhora do Monte

Fotografia: Jornal dos Desportos

Depois do adiamento, arrancou ontem, à tarde, no pavilhão Multiuso da Nossa Senhora do Monte, na cidade do Lubango, o Campeonato de boxe da Zona IV com a participação de pugilistas de Angola (anfitriã) e da África do Sul. Outras delegações confirmadas desistiram do evento africano à última hora por alegada falta de atribuição de vistos de entrada no território nacional.

Até ontem à noite, a selecção de Zimbabwe era aguarda no Aeroporto Internacional de Munkanka, na cidade de Lubango. A delegação anunciou que havia solicitado serviços da companheira de bandeira nacional TAAG.

Os exames médicos e pesagem oficial dos pugilistas aconteceram no período da manhã. O combate preliminar feminino na categoria dos 60kg entre a pugilista angolana Nadine Mbaki e a sul-africana Zanele Kebeni abriu a competição.

Em masculino, entraram em acção os atletas masculinos nas categorias de 49 kg. Miguel Kembo (Angola) enfrentou Siyabulela Mphongoshe (África do Sul). Nos 56kg, Kilombo Massala (Angola) jogou contra Mzwabantu Mbexeshi (África do Sul). Nos 64 kg, Neftal Coma (Angola) trocou \"farpas\" com Sinethemba Blom (África do Sul). Nos 75kg, Raimundo Vidal (Angola) combateu com Augustino Kok (África do Sul). 

Em reunião técnica, a organização decidiu realizar os combates, partir das 15h30, no pavilhão multiuso da Nossa Senhora do Monte, cronometrados em três minutos de cada um dos três rounds.

O supervisor da Associação Internacional de Boxe (AIBA), Luiz Bosselli, afirmou que a disputa do Zonal IV é muito importante, porque serve de preparação para o Campeonato Africano que vai acontecer na República do Congo no próximo mês de Maio. O evento é qualificativo para o Mundial.

“Essa é a importância desse campeonato da Zona IV. Por isso, a maioria dos países vem com essa preocupação de preparação, principalmente, para o Campeonato Africano”, destacou.

Em declaração ao Jornal dos Desportos, na qualidade de coordenador do campeonato, Luiz Bosselli reafirmou estar muito surpreso com as condições criadas na cidade do Lubango.

“Acabei de encontrar melhor do que imaginava. Sinceramente, tenho pouco a dizer. Até é um exagero e impressionante o grau de organização que têm na Huíla. Por isso, estão de parabéns. Acabei de participar numa reunião da Comissão organizadora orientada pela vice-governadora Maria João Chipalavela, e manifestei que só vi esse tipo de organização nos campeonatos mundiais”, elogiou.

De nacionalidade brasileira, o supervisor da AIBA disse que é a primeira vez que vê, com tão elevado grau de organização, a realização de um campeonato de zona com poucos países participantes. Lamentou a situação constrangedora.

“É lamentável. Se os países não vêm, é triste e lamentável. Fogem do nosso controlo e da organização. O comité local está toda preparada para receber vários países. Posso garantir-vos que temos um pavilhão maravilhoso e uma organização do primeiro mundo. O hotel para hospedagem é excelente, um recinto agradável e com todas as facilidades. Agora não depende da organização. A Federação Angolana de Boxe fez tudo o que devia fazer. A Associação local e o governo da província também desempenharam os seus papeis. Encontrei uma organização impressionante.”, descreveu.


RELATÓRIO
Países faltosos são denunciados  


O supervisor da Associação Internacional de Boxe (AIBA), Luiz Bosselli, prometeu ontem, no Lubango, elaborar um relatório para informar a desistência dos países no Campeonato Africano de Boxe da Zona IV, que decorre desde ontem até ao dia 1 de Maio, na cidade do Lubango.

“Vou escrever no relatório tudo de bom que estou a ver na Huíla, concernente à organização. Vou ter de informar também a parte triste e lamentável da ausência dos países inscritos e à última hora não aparecem. A parte de sanção fica por conta da área de disciplina da AIBA”, garantiu.

Luiz Bosselli esclareceu que os países faltosos no Africano de boxe da região IV nada lhes impede de estar em qualquer prova. Para participar do Campeonato Mundial, as selecções desses países precisam competir no Campeonato Africano a disputar-se na República do Congo a fim de garantir a qualificação.

Luiz Bosselli reiterou que seria importante dar início à competição na passada quinta-feira como previsto.

“Era a expectativa de todos. Chegamos na última quarta-feira e preparados para arrancar na quinta-feira. Lamentavelmente, existe alguns aspectos que fogem ao nosso controlo, assim como também da Federação, Associação, do governo provincial e de todos outros envolvidos no processo de organização. E esta falta de controlo é justamente a chegada das equipas\", disse.O brasileiro asseverou que é triste o incumprimento dos acordos, quando se criam expectativas.

\"As selecções fizeram as inscrições, mas o problema foi cumprir com isso. Criamos uma expectativa, uma organização muito boa e forte. Simplesmente, as selecções não aparecem, o que dá um sentimento de decepção e tristeza\", disse.

Luiz Bosselli reafirmou que \"as selecções deveriam chegar no local de competição até terça-feira no mais tardar\". Lamentou que \"a organização tenha aguardado por uma quantidade elevada de países com alto nível técnico e qualidade competitiva\".

“Quarta-feira seria o dia de pesagem e todo o mundo preparado para competir, mas não aconteceu. Fizemos tudo hoje (sexta-feira) em cima da hora e, à tarde, a cerimónia de abertura”, ressaltou.

Em FORMAÇÃO
AIBA capacita juízes
e cronometristas


Um seminário de capacitação dirigido a árbitros, treinadores, médicos, juízes e cronometristas realizou-se ontem na cidade do Lubango sob a égide da Associação Internacional de Boxe (AIBA), no âmbito do Zonal IV que decorre na cidade do Lubango.

Na acção formativa, que contou com a participação de 30 formandos, foram tratados os aspectos que podem acontecer durante o combate do boxe, desde o comportamento do atleta no ringue, os movimentos do ringue, a pontuação, as descaídas, comportamento dos treinadores, obrigatoriedade dos médicos, entre outros.       

O Supervisor da AIBA, Luiz Bosselli, disse que antes de começar um campeonato se promove sempre “este seminário” muito importante para relembrar as regras técnicas e de competição para todos os árbitros, juízes, treinadores e médicos. 

“É uma competição importante. Por isso, é sempre bom lembrar as regras. Este é um procedimento normal que se cumpre antes. Por outra, convidei os técnicos para participar também. Fizeram parte os árbitros, juízes, médicos e treinadores neste processo. A partir de agora, sempre e depois das competições, vou ter novamente reuniões com os juízes e árbitros para dar um feedback a fim de sabermos o que aconteceu durante a competição”, referiu.
Luiz Bosselli admitiu que atribuir resultados de cada assalto foi o aspecto que mais lhe chamou a atenção durante a formação.

“Esta é a parte mais importante: prestar a atenção à saúde dos pugilistas. A integridade física é a mais importante. Muitas vezes, vão ter de parar o combate para proteger a integridade física do atleta. Os juízes decidem quem ganhou cada combate”, sustentou.

FABOXE LOUVA
A INICIATIVA

O coordenador da arbitragem da Federação Angolana de Boxe (Faboxe), Nelson dos Santos, agradeceu o esforço da AIBA na promoção da acção de refrescamento realizado para juízes e cronometristas, assim como para os médicos e as equipas técnicas de cada país participante no africano de boxe da região IV. 

Nelson dos Santos ressaltou que o seminário fortalece os elementos ligados à arbitragem e a outras áreas. A AIBA mudou o regulamento em Dezembro de 2016 e havia coisas novas que não estavam acostumados. 

“Isso só veio reforçar mais o nosso desempenho e aprendizado. Por isso, vai facilitar com que façamos um trabalho bem feito. O refrescamento incidiu em tudo o que pode acontecer durante o combate do boxe, desde o comportamento do atleta no ringue, os movimentos, a pontuação, as descaídas, comportamento dos treinadores, obrigatoriedade dos médicos, entre outros”, frisou.
GAUDÊNCIO HAMELAY, NO LUBANGO