Jornal dos Desportos

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Angola e Zaíre (RDC) assinam acordo

19 de Agosto, 2015

Na década de 1970 Angola e Zaíre assinaram vários acordos de cooperação desportiva

Fotografia: Jornal dos Desportos

Na década de 1970, vários acordos de cooperação desportiva foram assinados.Sob responsabilidade do então Secretário de Estado da Educação Física e Desportos, Rui Mingas, e pelo comissário de Estado dos Desportos, Kibassa Maliba, o desporto entre os dois povos registava uma nova viragem, tendo em conta os desafios do futuro.

Os acordos assinados previam entre outras matérias, a realização anual dos “Jogos da Amizade” entre desportistas e equipas angolanas e também congolesas. Este desafio levou com que várias comissões fossem formadas para que os I Jogos da Amizade se realizassem dentro da maior organização possível e num espírito de bom entendimento competitivo.

O convénio assinado na capital congolesa, Kinshasa, abrangia as seguintes modalidades desportivas: atletismo, artes marciais, basquetebol, boxe, ciclismo, futebol, halterofilismo, luta, ténis, natação, voleibol e andebol. Encontros regulares entre selecções e equipas dos dois países estavam igualmente previstos nos acordos entre Angola e o Zaíre.

A discussão de vários assuntos entre as várias Federações, Comités Olímpicos, bem como a realização de vários seminários entre técnicos angolanos e congoleses, estavam também previstos nos acordos assinados.Como tinha dito Rui Mingas, durante a recepção oferecida em Kinshasa aos jogadores do Misto de Luanda, “os acordos de cooperação no campo desportivo entre Angola e Zaire servirão para o fortalecimento dos laços de amizade e fraternidade que unem os povos dos dois países, e principalmente as suas juventudes e gerações vindouras”.

ANDEBOL
Taça “Marien Nguabi”
Angola hasteia bandeira


A fase final da Taça em homenagem ao malogrado Presidente da República Popular do Congo, Marien Nguabi, teve a participação da Selecção Nacional.Segundo a agenda desportiva, Brazzaville foi o palco escolhido para o certame e curiosamente, a participação de Angola foi anunciada à última hora pelo facto de a República Popular do Benin ter desistido, motivo pelo qual a Confederação Africana de Angola optou pelo nosso país, para substituir o país faltoso. Por este motivo dirigentes desportivos nacionais tiveram de analisar e decidir de alguma forma rápida, atendendo o pouco tempo que restava para o arranque da competição internacional de andebol.

A presença de Angola na fase final da Taça de África das Nações é uma homenagem ao grande líder que foi o malogrado Presidente Marien Nguabi. A nossa Selecção Nacional, na altura formada em “cima dos joelhos” teve de actuar sem antes efectuar um treino que fosse. Em Brazzaville levou a solidariedade do Povo Angolano para com o Povo Congolês, no cumprimento da política definida pelo grande combatente da liberdade que foi Marien Nguabi.

Esperava-se fraca competitividade da Selecção Nacional, na fase final da Taça “Marien Nguabi”, pois os nossos representantes partiram sem fazer um único treino e com os jogadores a tomarem conhecimento da sua convocação através do "Jornal de Angola". Um outro aspecto, porém, que se levou em consideração cingia-se aos jogadores, devido aos desgastes físicos durante o Campeonato Nacional e os mesmos deveriam regressar ao país no dia 1 de Agosto para assistirem às comemorações do Dia das FAPLA.

FIGURA
Dirigente desportivo
"ISABEL MAJOR"


Fé e convicção são os elementos determinantes na vida diária desta ilustre figura, convidada para a edição de hoje, do ANGOLA 40 ANOS, em celebração de mais um aniversário da nossa independência conquistada a 11 de Novembro de 1975.Isabel Generoso S. Major Neto, ou apenas "Isabel Major", um dos rostos mais visíveis de direcção do Comité Olímpico Angolano (COA), ex-secretária geral da Federação Angolana de Basquetebol e também da Associação Provincial de Futebol de Luanda, com sua simplicidade humana emprestou o seu tempo ao Jornal dos Desportos.A antiga basquetebolista da Selecção Nacional, terceira classificada durante o Campeonato da modalidade em feminino no Senegal, esta filha de Angola faz parte dos desportistas que incansavelmente ajudam o país a crescer.

Já era desportista antes de 1975?

Em 1975 tinha apenas 13 anos, era pioneira e principiante no desporto. Nesta altura me recordo que jogava ringue, semalha e tá-quieto, brincadeiras voltadas aos jogos pré- desportivos. 

Com a independência sentiu-se realizada, enquanto desportista?
Sou uma desportista pós-independência, portanto fica-me difícil fazer alguma comparação porque, antes da conquista da independência nacional, não era desportista oficial.

Prevalece a paixão pelo desporto?
Pelo desporto sempre prevalece a paixão, isto é, por todos os motivos e mais um. É pela alegria, o benefício que o desporto no geral traz à saúde humana. A convivência entre pessoas de culturas diferentes, o desporto proporciona tudo isto.

Na qualidade de antiga praticante de basquetebol, como é vista nesta modalidade?

 Acredito que sou vista como uma pessoa exemplar, que gosta das coisas no seu devido lugar. Procuro sempre se directa e tratar das coisas de forma simples e honesta.

O que mais a marcou ao longo destes anos de Dipanda?
Recordo-me que foram os segundos Jogos da África Central em 1981, tudo porque foi a primeira competição internacional em que participei e curiosamente foi realizada no nosso país. Momentos marcantes, tudo movimentado e com condições apropriadas para o evento. Neste mesmo ano participamos também no Campeonato Africano em Basquetebol feminino e conquistamos o terceiro lugar em Dakar, capital do Senegal e ainda fomos consideradas a equipa fair-play, graças ao comportamento desportivo e social apresentado durante a competição.

O desporto foi um momento importante na sua vida?

Acredito que sim, pois com o desporto tive a honra de um dia exercer o cargo de vice-presidente da Federação de Basquetebol em feminino. Foi realmente uma experiência muito gratificante. Considero que foi uma descoberta nova e incentivadora, apesar de na altura o país registar uma certa carência de quadros formados, mas foi com a força de vontade, humildade e espírito de equipa que conseguimos erguer esta Angola rumo ao desporto. Por isso mesmo tenho também a agradecer a Deus que tem me guiado todos os dias.
                                                                             Hermínio Fontes