Jornal dos Desportos

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Modalidades

Angola entre as primeiras na cerimónia de abertura

Silva Cacuti - 02 de Agosto, 2016

A andebolista Luísa Kiala vai ser a porta-bandeira de Angola na cerimónia de abertura dos Jogos

Fotografia: Mota Ambrósio

A missão olímpica angolana vai ser a sétima a desfilar na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, marcada para a noite de sexta-feira, 5 de Agosto.
Luisa Kiala, porta bandeira angolana, vai surgir no Maracaná, depois de chamarem as missões do Afeganistão, África do Sul, Albánia, Alemanha e Andorra. A ordem dos países no desfile é segundo a ordem alfabética.

A judoca Antónia de Fátima "Faia" vai ser a última atleta integrante da missão angolana a chegar ao Rio. Faia tem chegada prevista para o dia 4, véspera da abertura. A atleta do 1º de Agosto cumpriu um estágio na Hungria, no quadro da sua preparação para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

A missão olímpica angolana integra 26 atletas do andebol feminino, vela, remo, tiro, judo, natação e atletismo.
De acordo com o programa da organização, a Grécia, obedecendo a uma tradição olímpica, vai ser a primeira delegação a desfilar, enquanto o Brasil, país anfitrião, vai encerrar o desfile. Antes do Brasil, desfila a missão de atletas olímpicos, bloco maioritariamente composto por atletas refugiados.

A organização guarda alguns segredos, em torno da cerimónia de abertura, mas sabe-se já que estrelas do teatro do samba vão animar a cerimónia.
Igualmente, já não é segredo que a organização pretende contar a história brasileira de forma "moderna e dinâmica".

A organização começou a preparar a cerimónia de abertura há cinco anos, cerca de 400 mil horas de trabalho, 500 horas de ensaios, 36 quilómetros de tecido para 12 mil figurinos, 5 mil voluntários em cena.


HISTÓRIA
Angolanos com oito participações
 

Cento e quarenta e oito é o total de desportistas que representaram o país nas oito edições em que Angola esteve nos Jogos Olímpicos, quando se avizinha mais uma festa desportiva quadrienal, desta no Rio de Janeiro (Brasil).

Angola já disputou 10 modalidades, representadas por 82 atletas do sexo masculino e 66 do feminino.

O desportista mais jovem a representar o país foi o nadador Jorge Lima (13 anos e 8 dias), que integrou a missão olímpica de Moscovo em 1980. No sentido oposto, Emanuel Fernandes “Manucho” (voleibol de praia) foi o mais velho com 41 anos e 16 dias quando disputou os Jogos de Pequim em 2008.

A natação e o atletismo são totalistas e na maioria dos casos beneficiaram da política da “Universalidade dos Jogos” adoptada pelo COI para assegurar a presença de todos os países do mundo neste evento.

Outras modalidades que já desfilaram nos JO são o andebol, basquetebol, judo, boxe, tiro, vela, voleibol de praia e canoagem. Além destas, em Barcelona92 foi realizado um torneio de exibição em hóquei em patins no qual Angola participou.

Moscovo80 teve 11 angolanos em atletismo, natação e boxe, sendo 10 homens e a única mulher foi a nadadora Michele Pessoa. O corredor Fernando Lopes foi o porta-bandeira.
Quatro anos depois, a equipa mais do que duplicou com 24 desportistas e aumentou para quatro modalidades com a entrada do judo, sendo 19 homens e cinco senhoras, com o porta-bandeira João Ntyamba (atletismo).

A terceira participação, em Barcelona1992, 28 atletas disputaram seis modalidades, um recorde só batido agora no Rio2016. Entrou a primeira modalidade colectiva (basquetebol) e ainda a vela, que se juntaram às quatro anteriores. O basquetebolista Jean Jacques da Conceição encabeçou o desfile da Missão Angolana. Vinte e cinco homens e três senhoras fizeram a história em Espanha.

Seguiu-se Atlanta96 com a estreia de uma das actuais referências de Angola nos Jogos Olímpicos – o andebol feminino. Com a andebolista Palmira Barbosa empunhar a bandeira vermelha, amarela e preta, novamente 28 atletas (13 H /15 M) participaram em cinco modalidades onde também se estreou o tiro.

Em Sidney2000, o total de desportistas subiu para 30 e registou-se um empate a 15, entre homens e mulheres, para as mesmas cinco modalidades, com a nadadora Nádia Cruz à porta-bandeira. 

Nos Jogos seguintes, quando o evento regressava às origens, Atenas2004, Angola teve como porta–bandeira Ângelo Victoriano e as habituais natação, atletismo, andebol e basquetebol, juntou-se o judo e saiu o tiro. Estiveram presentes 30 atletas, sendo 16 homens e 14 senhoras. Nos Jogos de Pequim2008, João Ntyamba foi o porta-bandeira, à frente do grupo de 32 elementos (17 H / 15 M), para seis modalidades, incluindo as estreantes canoagem e voleibol de praia.

Finalmente, em Londres2012, a Missão Angolana era composta por 34 elementos, mas o único representante do boxe faltou à pesagem e foi excluído da competição por força do regulamento. Por esta razão, os registos oficiais não fazem referência.

Foi a primeira vez que o basquetebol feminino se fazia presente, mas falhava a classe masculina. A judoca Antónia de Fátima “Faya” carregou a bandeira na cerimónia de abertura e a andebolista Marcelina Kiala encerrou os Jogos. Neste evento registou-se uma goleada das senhoras com 29-4, uma resposta a Barcelona92, em que os homens “cilindraram” por 25-3.

Este percurso de Angola vai agora, de 5 a 21 de Agosto, em terras brasileiras, conhecer uma nova dinâmica, sobretudo do ponto de vista competitivo, já que grande parte dos 25 representantes de Angola está no palco do evento por mérito, ou seja, tem nível competitivo para lá estar.

O andebol feminino será a única modalidade colectiva desde 1992. O remo estreia-se e a vela e o tiro retornam, e juntam-se ao judo, atletismo e natação.

RIO DE JANEIRO
Missão Olímpica visita "Casa de Angola"


 A Embaixada de Angola no Brasil ofereceu domingo um almoço de confraternização aos integrantes da missão olímpica, ocasião que serviu para apresentar a "Casa de Angola" no Rio, que funcionará durante os Jogos Olímpicos a decorrer de 5 a 21 deste mês.

A confraternização, que decorreu na tarde de domingo, serviu para apresentar aos atletas e demais membros da comitiva as instalações do Espaço Cultural de Angola, que também servirá como "casa" do país nos Jogos Olímpicos Rio 2016.

À chegada à "Casa", a delegação foi recebida pelo Embaixador angolano no Brasil, Nelson Manuel Cosme, pelo Cônsul Geral no Rio de Janeiro, Rosário Gustavo Ferreira de Ceita e demais funcionários e membros do corpo consular do país na cidade.

O Cônsul Geral, na qualidade de anfitrião, desejou as boas-vindas à casa. "Este é o Espaço Cultural de Angola no Rio de Janeiro, no qual temos a amabilidade de receber os nossos atletas e oferecer os nossos pitéus (comida). É uma comida que foi feita com muito carinho, por isso, esperamos que gostem".

O embaixador, ao expressar as boas vindas à delegação frisou que da caravana de desportistas se espera a "garra e o engajamento" que o povo angolano tem, como guerreiro que sabe representar seu país com dignidade.

À mesa estiveram vários pratos nacionais, como calulú, o feijão de óleo de palma, a galinha ao molho pardo, funge de bombom e de milho branco, entre outros.
Angola leva 25 atletas aos Jogos Olímpicos Rio 2016, nas modalidades de andebol, remo, natação, judo, atletismo, vela e tiro.

Para aproximar os atletas à comunidade angolana residente no Rio de Janeiro, o Consulado Geral de Angola na cidade disponibilizou o Espaço Cultural anexo às suas instalações como casa de Angola durante os jogos.