Jornal dos Desportos

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Angola favorita no mundial

Álvaro Alexandre - 21 de Agosto, 2013

Federação Internacional de Pesca Desportiva do Alto Mar, todos os principais benefícios são-lhes canalizados”, aclarou.

Fotografia: Jornal dos Desportos

Em meio ao mau tempo, a festa da captura de pescados agita a baía da vila Saint Louis du Rhône, um confinado pitoresco de Marselha, localizado a Sul de França. A partir das 10 horas de hoje, 16 embarcações em representação de nove países lançam-se ao mar e zarpam em busca da melhor captura. Com águas cristalinas, o porto local alberga centenas de cruzeiros repletos de turistas de todo o mundo. Olhares curiosos testemunham o lançamento da primeira jornada da XXVI edição do Campeonato do Mundo de Pesca Desportiva de Alto Mar (Big Game).

A competição arranca com duas horas de atraso por motivo de mau tempo que acossa a região turística. Especialistas de serviços meteorológicos advertiram a organização a acautelar quanto ao lançamento dos barcos para prevenir anomalias com pescadores, especialmente, os estrangeiros. O mar está bastante agitado. O capitão da selecção italiana,  Eusebi Mirko, afirmou ao Jornal dos Desportos que é bastante perigoso pescar nestas condições. “É melindroso disputar uma competição nestas condições, pois o mar está bravo demais e é necessários muitos cuidados. Alerto os meus adversários não europeus a terem muito cuidado”, disse. 

O italiano também avançou que, com o mar agitado, as possibilidades de capturas são superiores em relação à fase mais calma. “A verdade é que o mar bravo permite aos pescadores obter mais capturas”, concluiu. Apesar das contrariedades, a cobiça pelos três lugares do pódio do Campeonato do Mundo de Pesca Desportiva de 2013 é grande. Na corrida que dá direito à consagração estão confirmadas 16 equipas, em representação de Angola (1), África do Sul (1), Senegal (3), Brasil (1), México (2), Nicarágua (1), Espanha (2), França (3) e Itália (2), num total de 64 pescadores.

A Europa é o continente mais representativo com sete equipas (21 pescadores). África e América seguem com cinco equipas e 20 pescadores cada um.
A competição do mundo da pesca do alto mar tem a duração de três dias e o atum é a mascote de eleição. Sábado foi determinado pela organização do certame como dia alternativo, caso houver necessidades compensatórias, por razões de mau tempo. Os participantes vão pescar das oito às 12 horas. A presente edição do mundial da pesca desportiva tem como marca a fraca adesão e ausência das principais selecções com destaque para os Estados Unidos, Costa Rica, Porto Rico, Inglaterra, Suíça, Suécia, Holanda, Irlanda, Portugal, Egipto, Tunísia e Argélia.

COORDENADOR DE PROVA
Angola e África do Sul são candidatas ao título

O presidente da Federação Francesa de Pesca Desportiva, Cavolino Gerard, considera Angola e África do Sul como selecções candidatas ao título do Campeonato do Mundo de Pesca Desportiva de Alto Mar (BIG GAME). A revelação foi feita na final da reunião técnica, realizada na segunda-feira, no salão de conferência Marcel Pagnol, na vila do Port Saint Louis du Rhône. “Não vai ser fácil derrubar Angola e África do Sul. As duas selecções são fortes candidatas ao título”, afirmou o italiano. Cavolino Gerard disse ao Jornal dos Desportos que estão a organizar o Campeonato do Mundo para vencer.

“Ninguém faz um investimento para perder. Estamos na nossa casa e temos a obrigação de ganhar, embora reconheçamos que não vai ser fácil. Os outros países também estão reforçados com  o mesmo objectivo”, asseverou. A Itália, vencedora do Mundial de Pesca Desportiva de 2012, é uma selecção que pouco preocupa o coordenador da prova. “Os italianos são do nosso nível, é um adversário bem conhecido e fácil de ser contornado”, afirmou o pescador com as atenções viradas para os dois países ao Sul de África.
 
FRANCÓFONOS
BEM ACOMODADOS

O capitão da selecção da África do Sul, Martin Plessis, teceu, no Port Saint Louis du Rhone, duras críticas à organização do Campeonato do Mundo de 2013, por ter providenciado condições de acomodação, alimentação e de transporte bastante onerosas para as delegações presentes na competição.
O sul-africano disse que existe uma máfia preparada pela organização para relançar os países francófonos ao pódio. “A máfia começa com a posição geográfica. Estamos alojados numa região que dista 25 km do Port Saint ouís du Rhone. De cada viagem, gastamos 65 euros de transporte, perfazendo 130 euros. A alimentação custa entre 25 a 30 euros por refeição e a diária no hotel é de 90 euros por pessoa”, disse. Os anfitriões e os senegaleses estão muito bem servidos.

“As três selecções francesas estão alojadas nas proximidades da baía do Port Saint Louís du Rhone e com os custos bonificados. A bonificação é também abrangente às três selecções senegalesas”, disse. Martin Plessis esclarece as razões que levaram a organização a “penalizar” os países não francófonos. “O facto de o Senegal ter um vice-presidente na Federação Internacional de Pesca Desportiva do Alto Mar, todos os principais benefícios são-lhes canalizados”, aclarou.
ÁLVARO ALEXANDRE- MARSELHA