Jornal dos Desportos

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Angola "nocauteia" Cabo Verde

Silva Cacuti - 15 de Dezembro, 2014

Pugilistas ensaiaram sistemas tácticos com selecção cabo-verdiana para compromissos internacionais

Fotografia: Jornal dos Desportos

A Selecção Nacional de boxe passeou a sua classe no top bilateral diante da congénere de Cabo Verde, realizado no sábado, no pavilhão 28 de Fevereiro, em Luanda. A equipa angolana venceu com relativa facilidade, os oito combates inscritos no programa do evento. Disputado com as regras em vigor no boxe olímpico, em oito combates realizados, Cabo Verde venceu apenas um round, no combate dos 56 Kg, que envolveu o angolano Kilombo Massala e o cabo-verdiano Gerson Rocha.

A superioridade angolana resultou em três vitórias, aos pontos 3-0. dois “knok outs” (KO), um abandono e outra vitória por RSC, interrupção do combate por incapacidade do adversário. No combate mais vistoso, para os 64 kg, Adilson Ramiro, angolano que evolui na Rússia, deslumbrou os presentes ao demonstrar grandes dotes técnicos na vitória, por abandono, do seu adversário e granjeou o troféu reservado ao melhor pugilista do torneio.

Na categoria dos pesos pesados, Tumba Silva encontrou Sifonelo Borges, atleta que na primeira edição do Top internacional, em Cabo Verde, venceu um combate e subiu ao ringue com intenções triunfalistas. Após o primeiro round equilibrado, Tumba Silva, atleta olímpico, interrompeu a façanha do adversário nos instantes iniciais do segundo round, com um recto que estonteou o adversário e sentenciou o combate.

Nas bancadas, o delírio tomou conta da assistência, onde se destacavam Alves Simões, presidente do Interclube, Mário Teixeira Nunes, presidente do Desportivo da Conda, Flávio Furtado, presidente da Federação Cabo-verdiana de Boxe, e Carlos Luís, presidente da Federação Angolana de Boxe (Faboxe).

O top bilateral visa a melhoria das performances dos pugilistas angolanos com vista ao novo sistema de qualificação para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, no Brasil, Campeonato Africano da Zona IV, Campeonato Africano, Jogos Africanos e Campeonato do Mundo. É a segunda vez que as duas selecções se defrontam. Na primeira, em Cabo Verde, Angola venceu seis combates e perdeu três.

CONSTATAÇÃO
Nível de Cabo Verde
defrauda presidentes

Da bancada vip do pavilhão 28 de Fevereiro, Carlos Luís e Flávio Furtado, presidentes das Federações de boxe de Angola e de Cabo Verde, viram mesma coisa. Os dois dirigentes foram unânimes em afirmar, no final, que esperavam mais dos pugilistas cabo-verdianos. Carlos Luís esperava por combates mais renhidos para alcançar o objectivo: constatação da evolução técnica dos atletas angolanos.

“Mas nem sequer permitiram aos nossos atletas a execução de golpes e de técnicas convenientemente. Cruzaram com golpes mal executados, fizeram movimentos imperfeitos e impediram de certa forma, o ritmo técnico e competitivo”, comentou. Carlos Luis assegurou “esperava por um Cabo Verde mais forte porquanto tiveram um atleta de 81 quilogramas, proveniente de França, e outro de 69 quilograma, dos Estados Unidos da América”.

“Pensávamos que iriam dar outra dinâmica à competição, mas os nossos atletas superaram-nos com facilidade”, acrescentou.. Por seu turno, Flávio Furtado disse também que “esperava mais dos seus atletas e destacou alguns que eram esperanças de vitória”.  “Os combates foram bons, mas não esperava perder nas categorias dos 64 kg (Wlater Barros) e 91 kg (Sifoleno Borges)”, lamentou. O próximo top bilateral vai ser disputado em 2015, em Mindelo, na ilha de São Vicente, Cabo Verde.
 SILVA CACUTI