Jornal dos Desportos

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Angola prepara etapa do Rali Dakar

Helder Jeremias - 28 de Janeiro, 2019

Melhores pilotos do mundo podem desfrutar das belezas naturais de Angola

Fotografia: DR

A Federação Angolana de Desportos Motorizados e a empresa Ekuipa, especializada  em realização de provas todo-o-terreno, dispõem de apenas 11 meses para a criação de condições para que Angola possa albergar uma das etapas da mediática competição internacional Rali Dakar, prevista para Janeiro de 2020. O percurso também contempla a vizinha República da Namíbia.
Durante um encontro mantido sábado com diferentes agentes desportivos ligados ao automobilismo, motociclismo e rali, os presentes ficaram a saber sobre a forte dinâmica que a FADM está a imprimir no sentido de garantir ao país uma das etapas daquela manifestação desportiva com respaldo internacional.
O objectivo de acolher uma das etapas do Rally Dakar já tem sido manifestado pelos agentes desportivos nacionais e estrangeiros há vários anos. As enormes potencialidades turísticas do país são factores que alimentam a esperança dos prosélitos. A falta de segurança, resultante do conflito armado, e as consequências intrínsecas da mesmo foram os principais factores de inviabilização.
Os níveis de crescimento do rali nacional e o ambiente pacífico no território há longos anos configuram elementos motivacionais para a materialização do objectivo com o sucesso que se pretende. A Federação Angolana de Desportos Motorizados aguarda pela confirmação  das inscrições de Angola junto da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e da Federação Internacional de Motociclismo (FIM).
O Jornal dos Desportos apurou que a passagem do Rali Dakar em Angola vai ser um dos principais temas de abordagem do Encontro Nacional dos Desportos Motorizados, agendado para o dia 15 de Fevereiro, em Luanda. Durante o evento, também vão ser afloradas as principais preocupações da classe.
Entre as grandes inquietações da família dos desportos motorizados angolanos situa-se o facto da privatização do autódromo de Luanda, localizado a Sul da capital. A estrutura \"encontra-se em contínua degradação e ocupação ilegal, o que tem preocupado sobre maneira os amantes dos desportos motorizados\", segundo uma nota da FADM.
Construído durante o tempo colonial, o autódromo de Luanda encontra-se localizado numa superfície de vários hectares cedido a uma cidadã nacional para fins de projectos imobiliários. Desde então, aquela infra-estrutura está votada ao abandono. A utilização para a realização de eventos desportivos passa pelo aluguer da mesma.
O autódromo de Benguela foi cedido a uma instituição privada. As autoridades locais prometeram a cedência de um novo terreno à Associação local para a construção de um novo circuito em terras de Ombaka. As províncias da Huila, Huambo e Namíbe ostentam circuitos citadinos.
A província de Malanje tem o mais recente circuito de todo-o-terreno. Acolheu duas edições do TT Kalandula. Outros circuitos de grande dimensão respondem pelos nomes de Kilengues (Huila), Porto Amboim (Cuanza Sul), Longa e Mangais (Luanda).


AS DIFERENÇAS
Prova em África e na América do Sul

O Rali Dakar é uma marca indelével na história do desporto mundial. A competição mais popular e difícil de longa duração nasceu em África e teve de ser abandonada por motivos de segurança. Durante anos, o rali africano enfrentou todos os tipos de desafios e ameaças, mas teve de se render aos terroristas. Um \"recadinho\" da Al Qaeda forçou a ASO, entidade que organiza a competição, a encontrar um novo palco. América do Sul foi o escolhido para manter a tradição.
Em 2020, o cenário tende a mudar outra vez. Ao ponto de origem. África. A mesma África que foi a grande perdedora. O espírito do Dakar foi muito afectado, mas dá sinais de regressar a casa. Os grandes críticos tradicionalistas confrontam-se hoje com uma reputação recuperada na América do Sul. Os competidores gostam de correr naquele cenário, tão difícil quanto aos tempos áureos em África. 
Os rumores de regressar a casa começam a agitar as mentes dos anfitriões. Uma verdade insofismável é de que o Rali Dakar sul-americano é atractivo para os patrocinadores e empresas fabricantes. Os mercados estão a crescer. Ontem era a África. Hoje é a América do Sul. Amanhã, pode ser outra vez a África. Essa é a vontade de outros agentes. Pessoas que desejam, mas estão impelidos pela força do dinheiro.
Diante da verdade, que similitudes existem entre a África e América do Sul? A resposta é simples: as duas corridas circunscrevem-se em aventura, autenticidade, facilidades e conforto.
O mal estar na altitude. O deserto do Saara é único e inigualável, mas a América do Sul tem um novo e perigoso elemento: a altitude. Alguns locais estão acima de três mil metros e não há treino específico para essa situação.
A autenticidade: Não importa. A África sempre vai ter um lugar no coração dos pilotos. As pessoas precisam de ser realistas. Correr em África significa muitas mudanças. A competição africana teria evoluído muito, mas seria igualmente difícil.
A aventura: Em 2014, os organizadores redescobriram como fazer o Dakar de maneira certa. Antes disso, em África, era muito mais que uma aventura. Era difícil e épico em comparação com a América do Sul. Hoje, a principal preocupação é a segurança. O piloto sempre busca por mais aventura.
Velocidade contra navegação: Nas primeiras edições na América do Sul, os estágios especiais eram mais uma corrida contra o relógio. A velocidade era mais importante que a habilidade em encontrar o caminho certo. Felizmente, desde o ano de 2014, os pilotos tiveram um Dakar como nos velhos tempos, difícil.
Facilidades. As vias de comunicação, cidades e serviços são mais desenvolvidos na América do Sul. As logísticas das equipas são facilitadas. Comparativamente a África, a equipa que viaja de um estágio a outro, o deserto é deserto.  As dificuldades são enormes. Os custos são altos. É bem mais complexo.
Conforto: A rede de mobilidade é tão boa na América do Sul. As equipas de fábrica e as particulares podem usar os seus motorhomes. Em África, era muito complicado para deslocar toda essa estrutura. Os pilotos, mecânicos e outros pessoal de apoio tinham de dormir em barracas.
Popularidade: Desde que a América do Sul acolhe a prova existem muito mais espectadores. Pelo caminho, existem muitas cidades. As pessoas apoiam bastantes as equipas. Em África, as pessoas são maravilhosas, mas o Saara é bem diferente do Atacama.