Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Angolanas obrigadas a vencer

Silva Cacuti, Rio de Janeiro - 14 de Agosto, 2016

Angolanas procuram esta noite regressar às vitórias depois de duas derrotas nos últimos jogos

Fotografia: AFP

Os jogos olímpicos do Rio de Janeiro tem sido o palco de novos registos para o currículas do treinador Angolano Filipe Cruz. Aqui estreou. Aqui conseguiu as primeiras duas vitórias angolanas em jogos olímpicos, inédito, mas insuficientes para garantir a passagem da equipa nacional à segunda fase da competição.

Tudo estava bem encaminhado, mas a Roménia, surpreendentemente venceu a Espanha, o que obriga Angola a mais uma vitória no jogo de hoje. A partida está marcada para as 23H50, no Arena Futuro, e será diante da Espanha. Uma adversária que faz a sua quarta aparição em jogos olímpicos, mas está credenciada com o bronze de Londres 2012 e a prata européia de 2014.

É uma equipa que tem um estilo de jogo muito táctico e tira vantagens deste factor. No último confronto oficial com as angolanas, as espanholas de Jorge Duenas venceram com relativa facilidade, 30-21, com já favoráveis 14-10 ao cabo da primeira parte. A equipa angolana era orientada por Vivaldo Eduardo.

Hoje, num cenário em que volta a contar com o apoio da torcida brasileira Angola pode travar a Espanha. Caso não vença, a Selecção Nacional precisa esperar que a Roménia não surpreenda a forte Noruega.

O grupo A já tem para os quartos-de-final as selecções da Noruega, Brasil (ambas com seis pontos), enquanto Espanha, Angola e Roménia (todas com quatro) definem hoje a continuidade.

A situação de Angola complicou-se com o inesperado triunfo da Roménia, 24-21, sobre a Espanha na quarta jornada.

Ainda hoje o Brasil defronta Montenegro e a Noruega joga com a Roménia.  No grupo B, está tudo definido. A Rússia lidera invicta com oito pontos de quatro vitórias, seguida pela França (6), Suécia (5), Holanda (4), Coreia do Sul (1) e Argentina (0). Os quatro primeiros estão apurados para a fase seguinte.

Hoje, para cumprimento de calendário, a Rússia defronta a Holanda; a Suécia terá pela frente a França, enquanto a Argentina e a Coreia do Sul batem-se pela primeira vitória na competição.

CULTURA EM ALTA

Os jogos que envolvem a equipa angolana são os que mais animam o pavilhão Arena Futuro, depois dos jogos que envolvem a equipa da casa, devido às características das duas claques. Uma auténtica sessão cultural, com números de música e dança contagiantes.

Enquanto torcem pelas suas equipas, angolanos e brasileiros dançam e cantam e apupam de maneira comum. Hoje, espera-se que a torcida brasileira se junte à angolana, para mais uma vez empurrar as angolanas para a vitória.

Os cânticos da torcida brasileira que incluem o nome da Bá não foram entoados, na última jornada, porque Tersa Almeida e companheiras estavam a jogar contra a equipa da casa. Hoje haverá reconciliação. Os brasileiros "sengaram" apenas por uma jornada e estão de volta para ajudar Angola rumo a um resultado inédito.


ATLETISMO
Hermenegildo
piora marca
pessoal


Nem mesmo o facto de correr numa pista em que havia de correr o astro do atletismo mundial, Usain Bolt, inspirou o velocista angolano Hermenegildo Leite a uma boa prestação na sua estréia nas olimpíadas. O corredor cronometrou 11.65 segundos na distância de 100 metros.
Leite que chegou aos Jogos Olímpicos no âmbito da universalidade dos jogos esteve longe dos 10.95 que cronometrou em Junho, na Zâmbia, durante a disputa de um torneio regional.

A correr na segunda série da preliminar, Leite foi o 20º classificado entre 23 corredores.  Hermenegildo Leite, veio aos Jogos Olímpicos depois de ter conquistado o bronze no torneio da CPLP disputado em Cabo Verde, na ilha de Sal.                                                 SC


APÓS OS JOGOS
Pérolas acossadas
por testes antidoping


A Selecção Nacional sénior feminina tem uma média de um teste antidoping por jogo realizado no torneio olímpico do Rio de Janeiro. Segundo Filipe Cruz, seleccionador nacional, na derrota com a Noruega, foi o único jogo em que a Selecção Nacional não foi solicitada a apresentar atletas ao teste antidoping.

Magda Cazanga foi a primeira a fazer o teste, logo depois da vitória de Angola sobre a similar da Roménia. No dia seguinte, quando a Selecção teve nova vitória sobre Montenegro, foi chamada Isabel Guialo. No último jogo, diante do Brasil, já colheram duas angolanas, Teresa Almeida "Bá" e Neide Barbosa.

O treinador está tranquilo. Aliás, antes do início dos Jogos, António Monteiro "Bambino" secretário-geral do Comité Olímpico Angolano disse ao Jornal dos Desportos que a missão angolana estava "limpa".

O doping virou notícia no Rio de Janeiro com o caso do ciclista brasileiro Kleber Ramos. Ramos é o primeiro brasileiro flagrado positivo em exame antidoping durante os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. Deu positivo para a substância CERA, um agente estimulante proibido.

O anúncio foi feito pela União Ciclística Internacional (UCI) na sexta-feira após exame realizado em 31 de Julho, seis dias antes de o ciclista competir no Rio.  O Comité Olímpico Brasileiro (COB) já foi notificado do caso "fora de competição" e aguarda a confirmação pela Corte Arbitral do Desporto (CAS), "tendo em vista as regras de confidencialidade do próprio CAS".

Antes de Kléber Ramos, haviam sido pegos no doping também a nadadora chinesa Chen Xinyi (quarta classificada na prova do 100m borboleta), o halterofilista polaco Tomasz Zielinski (competiria ontem) e a corredora búlgara Silvia Danekova, que não vai mais disputar os Jogos.             


PALAVRAS DERRAMADAS
Sujou a água do Rio


Sabíamos que os Jogos do Rio de Janeiro iam desenrolar-se num contexto marcado pelo terrorismo, que faz notícia, um pouco por todo o mundo, por isso não estranhei as fortes medidas de segurança na cidade.

O primeiro acto de "terrorismo" registrado foi perpetrado por um cidadão marroquino, pugilista, em plena vila olímpica. Hassan Saada foi preso porque alegadamente apalpou as coxas de uma camareira e os seios de outra.

O outro caso, 24 horas depois. Desta vez o "terrorista" era outro pugilista, namibiano, Jonas Junias que beijou uma funcionária e ofereceu dinheiro para "moer a rosca". A gata denunciou e o "terrorista" foi detido.

Na brincadeira, disse a meus companheiros que devíamos manter uma distância de segurança com as mulheres, sejam elas voluntárias, atletas, ou servidoras alí onde passarmos.

Nunca se sabe quando nos vão acusar de estuprar uma garçonete. Não conhecemos os limites do crime de estupro.
 
Depois, ficar detido em terra alheia é uma fria do caraças. No caso do marroquino, soube que lá em sua terra gerou revolta a sua detenção. "Eu sou Saada" intitulou-se o movimento de protesto que acabou por trazer de Marrocos parentes do pugilista Hassan Saada.

Quando pensávamos que os actos terroristas fossem ficar pelos carinhos e amassos, eis que policiais militares foram atacados e baleados na Vila do João, a mesma visitada por Abel Campos e Carlos Guimarães. É uma vila com muita malta angolana, muito boa gente, mas...

Segundo relatos, para entrar na dita vila, os traficantes têm que autorizar. E, estávamos preparados para conseguir uma autorização, porque planeamos assistir ao Angola-Brasil do handebol, como eles escrevem aqui, em casa de uma angolana e fazer nossa reportagem por lá.

O ataque aos militares desencadeou uma operação na Vila, o negócio ficou sujo. Outro homem, sem autorização entrou para a vila, saiu ileso, mas a sua carrinha van foi alvejada.

Ondiango! Nada! Não vamos a este lugar, não temos um seguro de vida. A água está turva, tanto que a polícia alertou os turistas a redobrarem atenção. O presidente brasileiro Michel Temer decretou luto de um dia pela morte do soldado alvejado.


OLIMPÍADA DE 2020
Onda de calor no Japão traz desafios para Jogos


As altas temperaturas registadas em Tóquio nos últimos dias, o mesmo período em que serão realizados os Jogos Olímpicos de 2020 na capital japonesa, voltaram a colocar o foco nos desafios da organização para fazer frente ao calor e à umidade na metrópole.

Uma onda de calor sacudiu o Japão na última semana e os termómetros chegaram a marcar 37,6 graus no centro da capital no dia 9 de Agosto, data em que está marcada a cerimónia de encerramento dos Jogos Olímpicos daqui a quatro anos.

Nos dias mais quentes, a Agência Meteorológica do Japão (JMA, sigla em inglês) recomenda que as pessoas, além de manter uma hidratação adequada, devem evitar a prática de exercícios físicos sob o sol, algo paradoxal para certos desportos que farão parte da competição e que transforma o calor excessivo da capital japonesa num perigo latente.

Com essas temperaturas, os Jogos de Tóquio correriam o risco de serem os mais quentes dos últimos 120 anos, após os de Paris em 1900, quando grande parte dos corredores da maratona teve que abandonar a prova pelo calor, de entre 35 e 39 graus, segundo dados da publicação especializada "Journal of Sports Sciences".

O Comité Organizador de Tóquio 2020 "está plenamente consciente da necessidade de tomar medidas para diminuir o calor e proteger atletas e espectadores", disse em declarações à Agência Efe o seu porta-voz, Hikariko Ono.

Os organizadores criaram um grupo de trabalho junto com o Executivo central e o da Região Metropolitana de Tóquio "para garantir um entorno óptimo no qual os atletas possam render ao máximo do seu potencial", explicou Ono.