Jornal dos Desportos

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Angolanos trazem na bagagem mais de uma dzia de medalhas

Rosa Napoleo - 07 de Fevereiro, 2013

Seleco Nacional voltou a brilhar no Campeonato Africano da frica do Sul tendo arrebatado treze medalhas

Fotografia: Jornal dos Desportos

A selecção nacional de ju-jitsu brasileiro regressou ao país na última segunda-feira com 13 medalhas obtidas no Campeonato Africano, que decorreu no East London, África do Sul. A equipa angolana, composta por 11 atletas séniores e um juvenil, afectos aos clubes Z1 Academy Angola e Angola Demolition Team, conquistou oito medalhas de ouro, quatro de prata e uma de bronze.

Na categoria dos -83 kg (faixa preta), Sérgio Viera Lopes, da Z1 Academy, conquistou a medalha de ouro e apurou-se para o campeonato mundial, a decorrer em Abu Dhabi. Nos +92 kg (faixa roxa) Délcio Lopes, da Z1 Academy, conquistou duas medalhas de ouro, sendo uma da sua categoria e a outra na classe aberta, e carimbou o passe para a competição mundial. Nos -65 kg, Ricardo Ximenes, da equipa ADT, arrecadou a medalha de ouro, enquanto nos -74 kg, Stefan Semedo, também da ADT, conquistou a medalha de prata.

Na faixa azul, Walter Faustino e Hélder Cardoso, ambos da Z1 Academy, venceram todas as lutas até chegarem à final e por serem companheiros de equipa não fizeram a final, tendo Hélder Cardoso, até então o detentor do título, cedido a vitória ao seu colega por acordo de cavalheiros. Assim sendo, Walter Faustino é campeão africano e medalha de ouro na categoria -83kg e Hélder Cardoso é vice-campeão e medalha de prata. Pedro Godinho, da Z1 Academy, ficou com medalha de bronze na categoria -74kg; Daniel Correia, da Z1 Academy, é vice-campeão e medalha de prata na categoria -92kg; Daniel Correia é campeão africano e medalha de ouro, na classe aberta da faixa azul e conseguiu a passagem para o Mundial de Abu Dhabi.

Na faixa branca, António Burity e Omar de Sousa conquistaram as medalhas de ouro e de prata, na categoria dos -74 kg. Os dois angolanos chegaram à final e Omar de Sousa cedeu a vitória, negando competir com o colega de equipa. Omar de Sousa, de apenas 15 anos de idade, conseguiu a medalha de ouro numa segunda disputa da classe juvenil. O atleta competiu também na categoria aberta e foi travado nos quartos-de-final, onde encontrou atletas com mais peso. A cinco minutos do final, o placard apontava um empate, mas o árbitro decidiu terminar o combate. Antes, Omar de Sousa derrotou adversários com mais de 20 a 30 kg acima do seu peso.

CASO EM ANÁLISE
Número de medalhas
pode engordar contas


Associação Angolana de Ju-jitsu Brasileiro afirmou ontem acreditar na possibilidade de aumentar o número de medalhas para 14. A cogitação é de Flávio Cardoso, presidente da Associação Angolana de Jiu-jitsu Brasileiro. O responsável afirmou ter havido má interpretação das leis por parte do juiz, no combate disputado pelo angolano Edmilson Gourgel para a medalha de prata, em que aplicou um critério extra aos regulamentos da organização. O dirigente aclara ter já enviado o vídeo à Federação Internacional para estudar o caso.

“Pensamos que fomos um pouco injustiçados, porque teríamos somado 14 medalhas e não 13. Mas já tomámos as providências devidas e aguardamos pela resposta. Acreditamos que, se houver justiça, o número de medalhas pode crescer”, disse. Flávio Cardoso disse ter ficado impressionado com atleta Omar Sousa. O adolescente conseguiu mostrar grandes qualidades. “Omar tem apenas 15 anos e conseguiu a medalha de ouro nos juvenis e na classe adulta ficou como vice-campeão ao conquistar a medalha de prata. É uma peça fundamental para o futuro do jiu-jitsu brasileiro”, disse.

REGOZIJO
Atletas estão regozijados

Os atletas representantes do país no campeonato africano de ju-jitsu afirmaram estar satisfeitos pela qualidade evidenciada na prova e pela oportunidade de elevar a bandeira nacional. “É um sentimento único que justifica o sacrifício de fazer seis horas diárias de treino, sem deixar as nossas actividades laborais, uma vez que somos trabalhadores e estudantes, e o sofrimento pela ausência da família e dos amigos”, disse Délcio Lopes. Walter Faustino dirigiu-se às instâncias governamentais e empresarias. “Gostaríamos de ter mais apoios do Executivo e da classe empresarial, pois é muito caro participar no calendário internacional para chegar bem ao Campeonato Africano e Mundial, os dois objectivos fundamentais dos atletas”, disse.

O campeão mundial referiu que “existem gastos com bilhetes de passagem, hospedagem, ginásios, alimentação e suplementos alimentares para os competidores, sem falar dos kimonos”. “Infelizmente, enfrentamos essas dificuldades e tiramos dinheiro do próprio bolso para representar Angola e deixar todos os angolanos orgulhosos”, lamentou.

Sérgio Lopes revelou o segredo do sucesso do ju-jitsu brasileiro nas competições internacionais. “O nosso sucesso está na forma como encaramos o desporto. É preciso amar o que se faz, pois é a única forma de se conseguir resultados e a que nos faz treinar muito”, disse. O atleta afirmou que quer melhorar, honrar o país, amigos, alunos, colegas e a família. “Os sacrifícios são inúmeros, é preciso conhecer o atleta, treiná-lo de acordo com as suas qualidades, motivá-lo, fazê-lo sentir especial e que é imbatível, pois no momento difícil nunca vão duvidar do que treinaram, do que aprenderam com os professores e colegas”, referiu.Sérgio Lopes revela que “a força de vontade para nunca desistir, mesmo quando as coisas não estiverem a correr bem e muito espírito patriótico para competir com custos próprios” são outros elementos chave do sucesso.

ATENÇÃO À ARTE
Falta de apoios preocupa associação

O presidente da Associação Angolana de Ju-Jitsu Brasileiro, Flávio Cardoso, afirmou que a falta de apoios financeiros para a participação dos atletas nas competições internacionais constitui o principal impasse da organização.“Gostaríamos de ter o apoio do Executivo para criarmos uma federação e assim darmos continuidade a este projecto, que começou com os professores Sérgio Lopes, Yuri Viriato, Hélio Pereira, Navajo Abrantes, Luís Castro, Pakissi Njinga e Emyr Queiroz. Já não estamos só em Luanda, mas também no Namibe e Huambo”, disse.

Com relação ao facto de alguns atletas terem sido vetados à competição africana pela Federação, o presidente referiu: “Só temos a dizer que os nossos resultados falam por si. Trouxemos medalhas e é assim que temos o nosso reconhecimento. Sabemos o que fazemos, somos organizados e amamos a nossa actividade”, disse.Flávio Cardoso frisou que a sua modalidade “é diferente do ju-jitsu” e respeita o “sacrifício que o ju-jitsu e todas outras artes marciais fazem para se manter activas”.“Temos técnicas e filosofias diferentes”, aclara.

Sobre a ideia de se criar uma vice-presidência dentro da Federação de Ju-jitsu, Flávio Cardoso afirmou que não vai ser viável. “Perderemos os apoios da Federação Internacional da nossa modalidade, assim como as participações nos campeonatos internacionais, pois a Federação Internacional tem contrato somente com o ju-jitsu brasileiro”, afirmou. Flávio Cardoso acrescentou que Angola é uma força em África e é chegado o momento de ter academias de ju jitsu brasileiro nas 18 províncias do país. “É o nosso sonho. Estamos a liderar o continente africano, porque um dia acreditamos nesse sonho patrocinado por várias entidades, em que se destacam a empresa Esso Angola, a quem vai os meus agradecimentos”, concluiu.