Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
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Arenas tm servio de audiodescrio

07 de Setembro, 2016

Espectculo dos Jogos Paralimpcos

Fotografia: AFP

As arenas olímpicas do Rio'2016 voltam a partir de hoje, a ser ocupadas pelo público, para a vibrarem com o espectáculo dos Jogos Paralimpícos. Todas as instalações foram preparadas para receber as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, com acessibilidade e atendimento preferencial.

Os serviços exclusivos, vão desde acessos com rampas, assentos e banheiros acessíveis, até a audiodescrição das cerimónias, e das competições com narração ao vivo. Cães-guia também são permitidos nas instalações. Além disso, todos os espaços oferecem serviço de condução em cadeira de rodas de pessoas com deficiência, assim como a condução de deficientes visuais.

O Estádio Mário Filho (ex - Maracanã) é o palco das cerimónias de abertura e de encerramento, nos dias 7 e 18 do corrente. O Estádio Olímpico do Engenhão recebe provas de atletismo. O público com deficiência encontra rampa, elevadores, banheiros extra - acessíveis, que dispõem de maca e guincho para ajudar na transferência, e sanitário para cães. Os mesmos serviços estão disponíveis no Estádio da Lagoa, onde são realizadas as competições de remo e de canoagem de velocidade.

As provas de vela, acontecem na Marina da Glória, o triatlo no Forte de Copacabana e o tiro com arco no Sambódromo. No Riocentro, o público pode conferir o halterofilismo, ténis de mesa e voleibol sentado. O Parque de Deodoro é a sede das competições de futebol de 7, hipismo e tiro desportivo.O Parque Olímpico da Barra da Tijuca fica com a maior parte dos eventos. O local recebe as provas de basquetebol em cadeira de rodas, bocha, ciclismo de pista, futebol de 5, goalball, judo, natação, râguebi e ténis em cadeira de rodas.

 Os balcões de informação dos parques olímpicos da Barra e de Deodoro contam com um serviço gratuito de empréstimo de cadeiras de rodas. O Rio'2016 disponibiliza estações de recarga para cadeiras motorizadas, que podem ser recarregadas com cabos e adaptadores pessoais.

Nas instalações desportivas, onde o silêncio é fundamental e houver a presença de atletas com deficiência visual, o serviço de Sport Rádio funciona como uma estação de rádio, na qual comentaristas trenados em audiodescrição fazem a narração das competições ao vivo, transmitem perguntas e mensagens em tempo real.

 O serviço de audiodescrição também está disponível durante nas cerimónias do Rio'2016 para que pessoas com deficiência visual tenham uma experiência completa do evento.

PARQUE OLÍMPICO
Maquete táctil em exposição


Sucesso nos Jogos Olímpicos do Rio'2016, a maquete táctil do Parque Olímpico da Barra, permanece exposta na mega ‘store’ do principal espaço de competições desportivas durante a realização dos Jogos Paralimpícos. A maquete tem uma área de 1,3 metros quadrados, enquanto o Parque Olímpico ocupa uma área de 1,18 milhão de metros quadrados.

Estão representados na maquete, em formato de triângulo, as nove arenas desportivas (Arenas Cariocas 1, 2 e 3, Arena do Futuro, Estádio Aquático, Centro de Ténis, Velódromo, Parque Aquático Maria Lenk e Arena Rio), o Centro Principal de Imprensa (MPC), o Centro Internacional de Transmissão (IBC) e o hotel. No Parque Olímpico são disputadas nove modalidades paralímpicas.

O principal diferencial da maquete táctil é possibilitar que as pessoas com deficiência visual sintam como é o Parque Olímpico através do tacto. Com a maquete, o público pode passear pelo Parque Olímpico numa versão fiel reduzida, real e não virtual. O objectivo é fazer com que os deficientes visuais possam ver o Parque pelo tacto e reconhecer as ruas, a lagoa, a vegetação e as arenas.

Criada pelo arquitecto Flávio Papi, a maquete tem a base de madeira e MDF, os prédios e instalações olímpicas foram feitos em acrílico, chapa de PVC e madeira . Na maquete é possível perceber três texturas diferentes. Uma mais lisa com tinta de verniz usada no espelho d’água da Lagoa de Jacarepaguá; a lisa usada no asfalto e no cimento; e a áspera, usada na área verde.

Para fazer vegetação, Papi e a sua equipa utilizaram missangas de tamanhos diferentes e esferas pequenas de plástico, que foram presas com pequenos pregos e alfinetes.A principal preocupação foi não deixar pontas que pudessem machucar os deficientes visuais. Por isso, os postes da maquete, que deviam ser muito finos, foram eliminados. Já as arenas que têm estruturas em cima, como o Estádio Aquático, o Parque Aquático Maria Lenk e o Velódromo, foram engrossadas para não ficarem agressivas ao tacto.

A questão da resistência também foi considerada no acabamento com o uso de tinta de pintura de piso, em vez de tinta látex comum, usada para pintar paredes. Outro recurso de acessibilidade da maquete são as placas de identificação das instalações do Parque Olímpico em braille, sistema de leitura pelo tacto.

COMPETIÇÃO PARALELA
Rússia organiza


A Rússia organiza a partir de hoje, uma competição de dois dias, para os seus atletas paralímpicos excluídos dos Jogos Paralimpícos do Rio'2016. O evento começa hoje com a cerimónia de abertura dos Jogos e termina amanhã, enquanto a competição no Brasil prossegue até 18 de Setembro.

“Planeamos organizar uma série de competições para os atletas paralímpicos do país, num centro de treinos da região de Moscovo", afirmou o presidente do Comité Paralímpico russo, Vladimir Lukin.No início de Agosto, o Comité Paralímpico Internacional decidiu excluir o Comité Paralímpico Russo, em consequência de um vasto escândalo de doping. Entretanto, a Rússia recorreu ao Tribunal Arbitral do Desporto, cujo recurso foi rejeitado.

A Rússia, note-se, foi acusada pela Agência Mundial Antidoping (Wada) de ter colocado em prática um imenso sistema de doping. Para os Jogos do Rio'2016, o Comité Olímpico Internacional (COI) estabeleceu que cada federação desportiva devia decidir quais os atletas que podiam competir no Rio de Janeiro.

Com a decisão, a Rússia perdeu 113 atletas para os Jogos do Rio'2016, incluindo quase toda a delegação do atletismo (67 atletas de 68). Apesar da retirada de quase um terço dos seus atletas, a Rússia terminou os Jogos Olímpicos em quarto lugar, no quadro de medalhas.Como um mal nunca vem só, a Rússia também foi proibida de participar dos Jogos Paralímpicos de Inverno de 2018, em Pyeongchang, na Coreia do Sul, por causa de um programa de doping desportivo patrocinado pelo Estado.

A decisão tomada pelo IPC e mantida pela Corte Arbitral do Desporto (CAS), no tocante aos paralímpicos, foram excluídos dos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro de 2016, também foram estendidas para incluir os Jogos de Inverno de 2018 em Pyeongchang.

TRÊS ATLETAS
Olímpicas disputam Jogos Paralímpicos


Um grupo privilegiado formado por três atletas, vive as emoções dos Jogos Paralímpicos do Rio'2016, em dose dupla. Depois de participarem dos Jogos Olímpicos, a polaca Natalia Partyka, a australiana Melissa Tapper, do ténis de mesa, e a iraniana Zahra Nemati, de tiro com arco, voltam à cidade maravilhosa do Rio de Janeiro para defenderem os seus países nos Jogos Paralímpicos.

Depois de mostrarem o alto nível de excelência dos atletas paralímpicos, capazes de competir em igualdade de condições com os olímpicos, Partyka, Tapper e Nemati lutam por medalhas a partir de hoje no Rio de Janeiro.

A campeã Natalia Partyka nasceu sem a mão e parte do antebraço direito, fez história logo na sua primeira participação paralímpica, em Sidney'2000, quando se tornou a atleta mais jovem a participar do evento, aos 11 anos de idade. Ganhou o ouro individual nos Jogos Paralímpicos em Atenas'2004, Beijing'2008 e Londres'2012.

Na capital chinesa, disputou os Jogos Olímpicos pela primeira vez. Em Londres'2012, disputou os torneios individual e por equipas dos torneios olímpico e paralímpico. Depois de representar a Polónia no torneio por equipas dos Jogos Olímpicos do Rio'2016, luta pelo tetra campeonato nos Jogos Paralímpicos.

Enquanto isso, a arqueira Zahra Nemati não só competiu nos Jogos Olímpicos como foi escolhida para ser porta-bandeira do Irão, na cerimónia de abertura do Rio'2016. Uma honra justa para a primeira atleta mulher a ganhar uma medalha de ouro, nos Jogos Olímpicos ou Paralímpicos.

A utilizar uma cadeira de rodas após sofrer um acidente de carro aos 18 anos, quando era atleta de tae-kwondo, Zahra de 31 anos foi campeã dos Jogos Paralímpicos, em Londres'2012.

A estreante Melissa Tapper é a primeira atleta australiana a disputar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos. A mesatenista de 26 anos competiu no torneio paralímipico pela primeira vez em Londres'2012, em que ficou em quarto lugar. Tapper nasceu com paralisia de Erb, causada por uma lesão nos nervos superiores do braço, competiu nos torneios individual e por equipas dos Jogos Olímpicos do Rio'2016, e agora busca a sua primeira medalha paralímpica.

VILA PARALÍMPICA
Clima de Jogos aquece o espaço


A Vila Paralímpica vive o clima dos Jogos Paralímpicos desde a chegada dos primeiros hóspedes. Trata-se de atletas e oficias de delegação de países como Cuba, Angola, Canadá, Alemanha, Finlândia, Países Baixos, Itália e China.  No total, cerca de 4.350 atletas de mais de 160 países estão no Rio de Janeiro, acompanhados de mais de três mil oficiais de delegação, muitos dos quais estão hospedados na Vila Paralímpica, bem como árbitros, juízes e outros oficiais.

Entre os primeiros a chegar à Vila, está Márcio Fernandes, de Cabo Verde, que compete no lançamento de dardo.
“É a minha segunda participação nos Jogos. Então sei bem o que esperar. Tudo está bem. Olhamos as instalações e conferimos onde tudo está localizado”, disse.

Iljas Visker, que joga futebol de 7, pelos Países Baixos, disse que ele e os companheiros de equipa estão felizes com a entrada na Vila, após um curto período num hotel próximo.

“Tudo é bom. A Vila é boa, é aquilo que esperávamos”, afirmou. Os países escandinavos dividem o mesmo edifício, no qual uma faixa mostra a união: "6N1T" (seis nações, um equipa), diz a imagem, abaixo da qual surgem as bandeiras de Noruega, Finlândia, Suécia, Dinamarca, Islândia e Ilhas Faroé.
Desde o final dos Jogos Olímpicos, no dia 21 de Agosto, uma série de mudanças aconteceram na Vila para adaptá-la às necessidades dos atletas Paralímpicos. O complexo é composto por 31 prédios e 3.04 apartamentos.

Todos os prédios têm apartamentos adaptados para receber pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. As portas e os corredores são mais largos, os chuveiros têm altura diferenciada e os elevadores têm espaço para duas cadeiras de rodas ao mesmo tempo.

Ainda foi instalado um centro de manutenção pela Ottobock, fornecedora oficial de próteses a atletas amputados. No total, mais de nove mil pessoas, incluindo dois mil voluntários, trabalham na Vila durante os Jogos Paralímpicos.