Jornal dos Desportos

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Armando Sayovo teme cair no esquecimento

Silva Cacuti - 10 de Fevereiro, 2020

Dinheiro da Taa Sayovo tem destino diferente

Fotografia: Contreiras Pipa| Edies Novembro

"Não há verba". É a resposta do Ministério da Juventude e Desportos no terceiro ano consecutivo, quando solicitado pelo Comité Paralímpico Angolano (CPA) sobre a realização da Taça Sayovo, competição instituída pelo Estado em reconhecimento aos feitos do atleta portador de deficiência visual, da classe T11, a nível nacional, campeonatos africanos, mundiais e Jogos Paralímpicos.
"Não vamos ter a prova este ano e já fomos notificados da inexistência de verbas para tal", disse António da Luz, secretário-geral do CPA.
Ícone do desporto adaptado angolano e africano, José Sayovo foi um dos convidados do Comité Paralímpico Africano na conferência de imprensa em que abordou o cancelamento dos Para-Jogos de Marrocos. Ao reagir a mais um cancelamento da prova em sua homenagem, com rosto crispado de tristeza, disse não ter dúvidas de que está esquecido.
"Podia dizer que não estou esquecido, porque as pessoas assinalam a minha presença sempre que vou a locais públicos, admiram e perguntam sobre o meu sumiço; desejam saber o que se passa comigo. A Taça Sayovo seria ideal e poderia levantar o meu moral, o da minha família e da sociedade no geral, inclusive dos jovens nascidos no ano 2000 em diante que não conheceram José Sayovo e só ouvem falar; esses jovens podiam estar mais familiarizados", disse.
O recordista paralímpico mundial sustentou que "caso se realizasse a Taça Sayovo, me levaria a pensar que não estou esquecido".
"Acho mesmo que estou esquecido! Talvez seja próprio de Angola em que um atleta é falado no momento e depois de terminar a carreira já não é sequer falado", concluiu.
A Taça Sayovo surgiu depois da conquista, por José Sayovo, de três medalhas de ouro nos 100, 200 e 400 metros e respectivos recordes mundiais e nos Jogos Paralímpicos de Atenas em 2004.
A prova é orçamentada pelo Estado angolano e tem feito parte do Orçamento Geral do Estado ao longo dos anos que não se disputa. Em 2018, a competição constou do documento estava orçada em 22.851.210 (vinte e dois milhões, oitocentos e cinquenta e um mil e duzentos e dez) kwanzas. No orçamento revisto de 2019, a prova ficou orçamentada em 22.394.186 (vinte e dois milhões, trezentos e noventa e quatro mil e cento e oitenta e seis) kwanzas. No OGE do corrente ano, o valor orçamentado para a prova baixou para 5.670.000 (cinco milhões e seiscentos e setenta mil) kwanzas.
Sayovo é natural do Bié e é o atleta angolano com o maior número de medalhas. Tem um pecúlio de 48 medalhas internacionais (25 de ouro, 21 de prata e duas de bronze). Subiu ao pódio em três ocasiões consecutivas de Jogos Paralímpicos, designadamente, em Atenas'2004 (Grécia), Beijing'2008 (China) e Londres'2012 (Inglaterra).