Jornal dos Desportos

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As contas do título

22 de Novembro, 2014

Lewis Hamilton (Mercedes) precisa de estar em segundo lugar para conquistar o título de bicampeão no GP de Abu Dhabi

Fotografia: AFP

O título da Fórmula 1, de 2014, decide-se na última prova da época, em Abu Dhabi, uma corrida com pontuação a dobrar, na qual o britânico Lewis Hamilton (Mercedes) só precisa de ficar em segundo lugar, para sagrar-se  bicampeão.

Com o título de construtores atribuído à Mercedes desde o Grande Prémio da Rússia, em Outubro, o teoricamente segundo piloto da marca alemã, Nico Rosberg, venceu no Brasil - quebrou  o ciclo de cinco vitórias consecutivas de Hamilton - e relançou as contas do Mundial de pilotos.

À entrada da 19ª e última do Mundial de F1, Lewis  Hamilton, lidera a classificação com 334 pontos, mais 17 do que Rosberg. No entanto, as regras deste ano - pela primeira vez - duplicam a pontuação da última corrida. Assim, uma vitória em Abu Dhabi vale 50 pontos e um segundo lugar 36 pontos.

Isso significa, que se Hamilton terminar em segundo lugar, é campeão independentemente da pontuação de Rosberg.

Já o alemão tem de ficar, obrigatoriamente, numa das cinco primeiras posições para ser campeão, mas está sempre dependente do desempenho de Hamilton.

Se Hamilton ficar fora dos pontos, Rosberg pode ficar até em quinto lugar (se terminar a partir de sexto, Hamilton é campeão). Caso o alemão fique em quarto lugar, então Hamilton vai ter de fazer os oito pontos relativos à oitava posição, mas se Rosberg terminar em terceiro, Hamilton festeja caso fique pelo menos em sexto.

Mas se Nico Rosberg completar a corrida em segundo lugar, então o inglês vai ter de fazer um quinto lugar para celebrar o bicampeonato (juntando-o ao título de 2008, então na McLaren).

As estatísticas desta época estão do lado de Hamilton: nas 18 corridas já disputadas, o inglês venceu dez e terminou outras três em segundo lugar.

Por outro lado, Hamilton já abandonou em três corridas (Austrália, Canadá e Bélgica) e no último GP, no Brasil, teve uma saída de pista - quando seguia em segundo lugar, em perseguição a Rosberg - que podia  ter-lhe  custado a continuidade em prova e a actual liderança no Mundial.

No GP do Brasil, Rosberg começou a construir a vitória na qualificação - quando conseguiu a “pole-position”, a sua décima da época (contra sete de Hamilton). Num circuito como o Yas Marina, no Abu Dhabi, em que as ultrapassagens não são fáceis e a estratégia de corrida é fundamental, uma boa qualificação pode ser ainda mais decisiva.

Na corrida do ano passado (ainda que com carros completamente diferentes dos deste ano), Rosberg foi mais rápido do que Hamilton na qualificação (ao conseguir um terceiro lugar, atrás dos Red Bull) e manteve a performance em corrida, terminou  no pódio. Hamilton ficou logo a seguir. Se a corrida terminasse como no ano passado, Hamilton podia tornar-se campeão.

O duelo Hamilton-Rosberg é o principal ponto de interesse do Abu Dhabi, mas a corrida do Médio Oriente - que se disputa entre o dia e a noite, já que começa às 17:00 horas locais - ainda pode aquecer a luta pelo quarto lugar no Mundial de pilotos, o terceiro lugar já está atribuído ao australiano Daniel Ricciardo (Red Bull).

Sebastien Vettel (Red Bull), Fernando Alonso (Ferrari) e Valteri Bottas (Williams-Mercedes) estão separados por apenas três pontos (159, 157 e 156 respectivamente). Por outro lado, vai ser no circuito de Yas Marina que se vai decidir que equipa - Williams ou Ferrari - fica em terceiro nos construtores (atrás da Mercedes e Red Bull).