Jornal dos Desportos

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"As pessoas têm vida normal"

18 de Fevereiro, 2016

Rafael Nadal, principal nome do torneio

O zika vírus pode ser uma ameaça real e contundente para a população brasileira, mas esse clima não chegou ao Open do Rio de Janeiro. O maior exemplo foi dado na segunda-feira na conferência de imprensa do espanhol Rafael Nadal. O principal nome do torneio preferiu ser cauteloso ao comentar os riscos de infecção na cidade -palco dos Jogos Olímpicos de 2016.

"Não sei quão grave é a situação, mas vejo que as pessoas aqui vivem com total normalidade e as coisas transcorrem com total normalidade. Por isso, imagino que não deve ser tão ruim. Vejo as pessoas na praia, nos restaurantes a levar uma vida totalmente normal. Os meios de comunicação, sem querer criticar alguém falam todos os dias quando há uma notícia negativa. Isso faz com que fica maior do que é. Agora é o vírus zika, mas depois vai ser outra coisa", ponderou Nadal.

O tom contemporizador do tenista também teve relação com a reacção da organização do torneio: "Estamos num evento mundial de ténis e não vejo ninguém falar sobre suspender ou cancelar as partidas. As coisas estão a transcorrer com normalidade. Se houvesse algo como uma catástrofe, não estaríamos a viver assim".

O discurso de Nadal sobre o zika vírus repetiu o que foi dito por todos os principais tenistas presentes no Open do Rio de Janeiro. Pouco antes, o também espanhol David Ferrer foi outro que repeliu o medo sobre as infecções.

"Não tenho feito nada de especial. Cheguei e sei sobre o zika vírus, mas não é muito importante. Foi-nos dito que tomaram muitas medidas para que não haja mosquitos e à noite tentamos usar sempre calças compridas. É algo que não trato como obsessão", avaliou.

OPERÁRIO DO TÉNIS
A dedicação nem sempre acompanhou Ferrer na sua trajectória no ténis. Aos 17 anos, a falta de empenho nos treinos irritou Javi Piles, o seu ex -treinador, que trancou o pupilo no quarto onde guardava as bolas e equipamentos da Academia. As inúmeras ligações para que os amigos o retirassem do aprisionamento não surtiram efeito. O técnico repetia que o jovem só ia sair dali caso se aplicasse na quadra.

A punição não gerou o resultado que Piles desejava. Sem os resultados esperados e cansado da rotina do atleta, Ferrer decidiu abandonar o ténis. Longe das quadras, ouviu do seu pai, Jaime, que tinha de trabalhar.

A possibilidade de ganhar dinheiro e ter os finais de semana livres animou o rapaz, que aceitou o convite de um amigo da família para trabalhar como pedreiro numa obra.

O esforço que não mostrava no ténis, fê-lo no transporte de tijolos e sacos de cimento. Não demorou para que sentisse saudades da raquete e das bolinhas.
"Num sábado, Ferrer não tinha forças nem para dar uma volta com os seus amigos", lembra David Andrés Paramio, preparador físico que o acompanhou desde o início da carreira.