Jornal dos Desportos

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Assembleia da ONU reconhece autonomia do desporto

05 de Novembro, 2014

Este relacionamento com os governos requer que o desporto permaneça sempre politicamente neutro”, disse Bach, na segunda-feira.

Fotografia: AFP

Num momento em que as tensões entre a Rússia e o mundo ocidental voltam a estar acirradas, a ONU agiu no sentido de tentar evitar a possibilidade de boicotes, como os vistos nos Jogos Olímpicos de 1980 e 1984, no auge da Guerra Fria. A resolução da  69ª Assembleia Geral reconheceu a autonomia do desporto e do COI (Comité Olímpico Internacional).

O documento divulgado afirma que a Assembleia Geral “apoia a independência e autonomia do desporto, assim como a missão do COI na liderança do Movimento Olímpico”. O tema tinha sido levantado pelo presidente do COI, Thomas Bach, na Assembleia Geral do ano passado. “Para aplicar esta lei universal em todo o mundo, o desporto tem de desfrutar de autonomia responsável. A política deve respeitar essa autonomia desportiva.”

A resolução reconhece o desporte como um meio de promover a educação, a saúde, o desenvolvimento e a paz. “Os grandes eventos desportivos internacionais devem ser organizados num espírito de paz, compreensão mútua, amizade, tolerância e não discriminação de qualquer tipo. A unificação e a natureza conciliatória de tais eventos devem ser respeitados.”

O efeito prático da resolução é que a ONU passa a garantir aos comités olímpicos nacionais, autonomia na relação com os governos locais. A medida é um incentivo para que não se repitam boicotes, como os que marcaram os Jogos Olímpicos de Verão, entre 1976 e 1988. “Damos as boas vindas à esta resolução como um marco histórico nas relações entre desporto e política.

Temos de formar parcerias com organizações políticas, baseadas neste reconhecimento da autonomia do desporto. As excelentes relações entre as Nações Unidas e o COI podem neste contexto, servir de exemplo às relações a nível nacional entre os Comités Olímpicos Nacionais e os governos nacionais. Este relacionamento com os governos requer que o desporto permaneça sempre politicamente neutro”, disse Bach, na segunda-feira.