Jornal dos Desportos

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Modalidades

Associao de Benguela perde gesto do pavilho Matrindindi

Silva Cacuti - 22 de Fevereiro, 2015

A infra-estrutura serviu de apoio s seleces nacionais aquando do campeonato africano snior feminino

Fotografia: Jornal dos Desportos

A direcção provincial dos Desportos de Benguela suspendeu a gestão do pavilhão Matrindindi, que estava a cargo da Associação Provincial de Andebol de Benguela (APAB), desde 2008, pouco tempo depois da sua construção.

A ordem de serviço, que suspende a gestão, assinada por João Ricardo, antigo seleccionador nacional de andebol ora nas vestes de director provincial dos Desportos, a direcção alega “antecedentes para a apreciação vinculativa da indicação da APAB para efeito de gestor do pavilhão”.

O mesmo documento interdita a realização de actividades extra-desportivas nos pavilhões Acácias Rubras e Matrindindi, salvo tenha parecer da direcção provincial.

A gestão do pavilhão Matrindindi foi provisoriamente confiada aos cidadãos Gabriel dos Santos e Madalena Canhama, funcionários da direcção provincial dos Desportos.

Erguido por detrás da Escola do I Ciclo do Ensino Secundário Comandante Cassanji, em Benguela, o pavilhão Matrindindi foi projectado para servir de apoio às selecções nacionais que participaram do Campeonato Africano sénior feminino, em 2008. O empreendimento tem a capacidade para albergar cerca de 600 pessoas.

Pouco antes de passar à gestão da APAB, o referido pavilhão ficou transformado num “elefante branco”, mal aproveitado e com sérios riscos de degradação.

MODALIDADE
PODE RECUAR

A gestão do pavilhão Matrindindi era considerado o único apoio que a Associação Provincial de Andebol de Benguela recebia das estruturas governativas da província. A instituição não recebe, via direcção provincial dos Desportos, nenhum outro apoio, segundo Rui Ferreira, presidente da APAB.

“Com a gestão do pavilhão Matrindidi, obtínhamos meios que nos permitiam adquirir materiais gastáveis, pagávamos serviços como a internet, fomentávamos o surgimento de núcleos da modalidade pela província e realizávamos todos os nossos jogos”, justificou Rui Ferreira. Com o fim da gestão do empreendimento desportivo, o presidente da Associação de Benguela sente-se apertado para levar avante a gestão de jogos dos campeonatos provinciais.

 “Vamos ter de recorrer ao Lobito para a realização dos nossos jogos, já que a cidade de Benguela não dispõe de outro recinto”, disse.
O dirigente perspectiva um recuo nas acções da modalidade, uma vez que lhe foi tirada a única fonte de receitas.

“Vamos ter de devolver as bolas que tínhamos recebido do nosso fornecedor a crédito. O projecto de abertura dos Núcleos da Ganda e do Cubal estava bem avançado. Agora, outros núcleos que temos pela província possivelmente vão fechar, porque o pavilhão Matrindindi era o garante da existência.

Cito por exemplo, o Núcleo do Lobito, que se sagrou terceiro classificado do último campeonato nacional de juniores masculino, que recebia apoios directos da APAB”, acrescentou.

A APAB tem oito clubes associados, além de outros quatro núcleos. No mês de Janeiro, acolheu os campeonatos nacionais de juniores em masculino e feminino, no pavilhão do Matrindindi.


REACÇÃO 
Director dos Desportos tranquiliza utilizadores


Os clubes e outros utilizadores do pavilhão Matrindindi podem ficar tranquilos em relação às alterações na gestão do empreendimento, garantiu João Ricardo, director Provincial dos Desportos em Benguela, ao reagir às preocupações do presidente da Associação.

O governante disse que a suspensão da gestão da APAB tem como objectivo disciplinar as coisas e garantir a integridade física do pavilhão. “As pessoas devem ficar tranquilas. Nenhuma modalidade vai ficar órfã e muito menos o andebol. Sou também filho do andebol e nada vai mudar em relação à gestão daquele recinto”, começou por justificar.

João Ricardo acrescentou: “O que se passa é que nos vimos na necessidade de agir para garantir valores como a idoneidade, respeito aos superiores hierárquicos e a preservação da coisa pública”. João Ricardo revelou incumprimentos de Rui Ferreira em relação às tentativas de diálogo. O governante exemplificou que o presidente da Associação de Benguela não atendia às convocatórias que lhe eram dirigidas. “Por exemplo, elaboramos um plano de visitas às instalações desportivas e a gestão do Matrindindi foi também notificada. Para a nossa surpresa, todas as Associações e responsáveis das instalações desportivas estiveram presentes durante as visitas realizadas, em que com recurso a vídeos, fizemos o levantamento do estado actual de todas. No pavilhão Matrindindi, não conseguimos fazer, porque a Associação provincial esteve representada por uma pessoa que não era da APAB e registavam alguns compartimentos encerrados”, explicou.

João Ricardo contou, depois de algum tempo, a direcção provincial dos Desportos sabia da existência de fossas cépticas cheias e uma torneira com problemas. Para a resolução do assunto, notificou a gestão do pavilhão Matrindindi, mas não obteve respostas. Perante a atitude da Associação, teve de agir para não ficar a olhar a degradação da infra-estrutura de forma impávida e serena.
SILVA CACUTI