Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Associao de Pilotos rejeita boicote Pirelli

01 de Setembro, 2015

Em vsperas do GP da Itlia a associao deixou claro que no trabalha com a hiptese de boicote e que pretende manter o dilogo para garantir a maior prioridade do grupo

Fotografia: AFP

O presidente da GPDA, Alex Wurz reitera necessidade de diálogo com a Pirelli e descartou qualquer possibilidade de boicote, como o que ocorreu no GP dos Estados Unidos de 2005, devido aos estouros dos pneus de Sebastian Vettel e Nico Rosberg em Spa-Francorchamps.

O fim de semana do GP da Bélgica foi marcado pelos estouros nos pneus de Nico Rosberg, no segundo treino livre, e de Sebastian Vettel, durante a corrida. Em comum, a falha no composto traseiro direito num circuito de alta velocidade, o que causou preocupação aos pilotos da F1.  Vettel, particularmente, se mostrou furioso com o ocorrido e disse que o facto era inaceitável.

Duas semanas depois de Spa-Francorchamps, o Mundial de F1 aporta no mais veloz circuito do calendário, Monza, sob a aura de preocupação com os pneus.Mas em  vésperas do GP da Itália, a Associação dos Pilotos da F1, a GPDA, deixou claro que não trabalha com a hipótese de boicote e que pretende manter o diálogo para garantir a maior prioridade do grupo: manter a segurança dos pilotos na pista.“Estamos longe de um cenário de boicote”, assegurou o austríaco em entrevista ao site norte-americano ‘Motorsport.com’.

“Essas coisas têm acontecido com muitos fornecedores, não apenas a Pirelli. Tivemos a Michelin e a Bridgestone também, porque na F1 tudo tecnicamente está sempre em evolução, e as forças podem evoluir rapidamente nos pneus”, salientou.“Há uma linha tênue entre desempenho e segurança, que todos nós aceitamos. Mas, então, de vez em quando temos de sentar e dizer: ‘Ok, onde estamos nesta linha? Será que acima ou abaixo?’

Temos de ter essa conversa construtiva”, afirmou Wurz, deixando claro que prefere adotar a via do diálogo para que problemas como os ocorridos em Spa não se repitam.“Há um diálogo permanente, que é extremamente importante para a evolução do desporto, que é o intercâmbio entre o que os pilotos pensam, o que a Pirelli acha e qual o ponto de vista da FIA.

Então, as conversas estão acontecendo, mas acho que, nessas situações, com algumas partes envolvidas, o melhor é manter os detalhes deste diálogo de forma privada, não quero dar detalhes agora. O que posso garantir é que cada uma dessas partes sempre coloca a segurança dos pilotos ao mais alto nível”, explicou.

“No que diz respeito às falhas do pneu, vimos dois em Spa, que podemos explicar. Um ainda está sob investigação. Mas na história da F1, vimos muitas falhas nos pneus. Não estamos culpando ninguém, só queremos saber como será o futuro e quais medidas serão tomadas. Isso ainda não foi decidido e, nesta fase, isso não está em negociação", finalizou Wurz.

CRENÇA
Nasr acredita que pode pontuar


Depois de um desempenho abaixo do esperado na Bélgica, quando lutou contra problemas de travões na sua Sauber, Felipe Nasr está animado para correr 'em casa', em Monza. Além de acreditar que as características do circuito, onde se atinge a maior média de velocidade da temporada, favorecem o seu carro, o brasileiro lembra que morou bem perto da pista quando começou a competir na Europa, ainda adolescente.

"Monza é uma pista histórica. Conheço muito bem o circuito porque corri lá em todas as categorias nas quais competi. Lembro-me muito da época em que me mudei para a Itália, em 2009. Eu morava a 40 minutos da pista, por isso é um circuito único para mim. Amo pilotar lá."Como a Sauber tem à disposição a versão actualizada do motor Ferrari e costuma ser um carro rápido nas rectas, por ter pouca eficiência aerodinâmica e, consequentemente, oferecer menos resistência ao vento, a expectativa de Nasr é boa para o final de semana.

"Precisamos encontrar um equilíbrio para sermos rápidos nas rectas e não perdermos muito tempo nas curvas", destacou. "Boa estabilidade nas travagens, além de tracção para sair bem das chicanes é importante." Nasr tentará pontuar pela primeira vez desde o GP do Canadá, em Junho. As actividades para o GP da Itália começam com os treinos livres às 5h e às 9h da sexta-feira. A classificação será às 9h do sábado e a corrida, no mesmo horário no domingo.

PREVISÃO
Ferrari deve ganhar
potência em Monza


No passado, quando a Fórmula 1 tinha menos restrições no regulamento, era quase uma tradição: correndo em casa, a Ferrari sempre aparecia em Monza com um motor bem mais forte que nas demais etapas, chegando a gerar especulações acerca de irregularidades nos concorrentes.Para este ano, o chefe da equipa, Maurizio Arrivabene, indicou que a equipa deve actualizar a sua unidade de potência para a etapa italiana, mas descartou uma grande evolução.

Acredita-se que os ferraristas usarão três dos sete tokens (espécie de ficha de desenvolvimento) que ainda têm à disposição na temporada."Estamos trabalhando, mas em Monza não teremos um 'super motor'. Podemos gastar alguns tokens, mas serão poucos, então não estamos falando de uma super unidade de potência, apenas de um motor", esclareceu o dirigente, que tratou de abaixar as expectativas a respeito do rendimento da Scuderia em casa.

A partir de 2016
Negociações para formar nova equipa


A Renault estaria muito próxima de finalizar a compra de grande parte das acções da Lotus, voltando a ser construtora já a partir de 2016, segundo informações da revista inglesa especializada Autosport. Contudo, isso poderia causar uma situação inusitada: uma equipa chamado Renault Lotus Mercedes. E com Alain Prost como chefe.

Primeiramente, ainda não se sabe se o nome Lotus permaneceria. A Renault compraria 65 por cento das acções da equipa que já foi dela entre 2003 e 2009. Porém, os actuais donos do negócio – o grupo de investimento Genii – manteria parte do controlo acionário da equipa, o que abre a possibilidade do nome continuar o mesmo. Apesar de não ter relação directa com a mítica equipa Lotus, que dominou a Fórmula 1 nos anos 1960 e no início dos 1970, os actuais donos entraram em acordo com a família do ex-proprietário da equipa, Colin Chapman, e vêm utilizando a marca como ferramenta de marketing.

Já o nome Mercedes pode ser mantido devido a restrições contratuais, que podem fazer com que a equipe não mude de motor para o ano que vem, continuando com os propulsores alemães. Isso porque, em 2016, a Renault ainda terá em vigor seu contrato com a Red Bull, que prevê tratamento da equipa de fábrica. Isso inviabilizaria que a Renault tivesse uma equipa própria usando os seus motores.Mesmo que existam ainda vários pontos nebulosos sobre o futuro da actual Lotus, sabe-se que as negociações com a Renault já se estendem por dois meses e que Prost está envolvido como comprador de parte das acções.