Jornal dos Desportos

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Atleta francês sonha com Salgueiro

15 de Setembro, 2016

Atleta Arnaud Assoumani

Arnaud Assoumani, que já tem quatro medalhas paralímpicas no atletismo, toca repique em grupo de samba de Paris há dez anos. Apesar de vários convites de amigos brasileiros, nunca conseguiu chegar ao Rio para tocar numa bateria. Para o francês, os Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro deve ter um sabor especial além de um potencial quinto pódio.

Nascido sem o antebraço esquerdo, o atleta do salto em distância está determinado em realizar o sonho de tocar na bateria do Salgueiro, tradicional escola de samba carioca, e diz que já se organiza para isso após o término das competições.

"Toco repique num grupo de batucada em Paris desde 2006 e até hoje nunca consegui chegar ao Rio tocar numa bateria. Gosto muito do Salgueiro e não vou sair do Rio de Janeiro sem realizar este sonho", conta.

Filho de jogador de basquetebol e de jogadora de voleibol, Arnaud conviveu com o desporto desde muito pequeno. Aos dois anos, começou a fazer as aulas de natação. Mais tarde, jogou futebol, basquetebol e ténis de mesa. Aos 11 anos, passou a treinar no atletismo. Aos 19 anos, participou do seu primeiro Jogo Paralímpico, em Atenas'2004.

Para o francês, a sua carreira no desporto paralímpico tem sido uma resposta a críticas e comentários que ouviu desde criança.
"Desde pequeno, escuto coisas como 'você não vai poder fazer isso', 'você não consegue fazer aquilo'. É muito ruim, e sempre soube que poderia fazer tudo o que quisesse", conta.

O francês diz que sempre teve em mente que era "diferente", mas que isso jamais o impediria de atingir os seus objectivos.
"É claro que, às vezes, você tem dúvidas, pensa em desistir. Mas o segredo é desafiar as barreiras e não colocar limites para você mesmo", explica.

REPIQUE E CARNAVAL
No grupo em que toca percussão há dez anos, em Paris, Arnaud já fez vários amigos brasileiros e muitos deles torceram por ele ontem, quando competiu nas finais do salto em distância, desta vez na categoria F47.Apesar do foco na competição, não consegue esconder a emoção com o que deve vir depois.

Os amigos estão a criar as condições para que possa manter contacto com a bateria do Salgueiro tão logo se liberte das provas. A ansiedade é grande.

"Não vejo a hora, mas claro, a prioridade é a competição", diz, bem humorado.Muitos dos seus amigos vão ao Brasil e fazem-no convites há anos para que fosse ao Carnaval, mas por outros compromissos, nunca conseguiu. Os Jogos Paralímpicos no Rio trouxe a oportunidade.