Jornal dos Desportos

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Atletas reclamam por prémios ganhos

Silva Cacuti - 13 de Março, 2015

Atletas nacionais reclamam os prémios conquistados nas principais provas de fundo

Fotografia: José Soares

Fundistas angolanos reclamam pelos prémios conquistados mediante a participação nas diferentes provas de estradas realizadas no país desde finais de 2014. Nos últimos dias, a sede da Federação Angolana de Atletismo tem recebido reclamações de corredores que participaram no Grande Prémio Sonangol, disputado a 28 de Fevereiro, e que até hoje nada sabem dos valores prometidos. Atletas saídos da Huíla e do Huambo aguardam o pagamento do prémio do GP Sonangol.

“Fomos ter com um senhor e disse-nos que a classificação é geral. Fui a primeira mulher a cortar a meta e não posso ser incluída na mesma classificação dos homens. Estou aqui, em Luanda, longe da minha família, a perder aulas para ver resolvido este assunto”, disse Maria Candela, atleta huilana.
A corredora receia que se dê mais um caso de burla, como na edição de 2014, em que depois de ficar em quarto lugar, recebeu um cheque simbólico, mas dinheiro nenhum parou na sua conta.

“Levamos daqui cheques e depois de algum tempo os outros receberam os valores. Na minha conta não caiu nada. Primeiro, pensei que os valores estavam a cair em função de ordem alfabética, mas até hoje não recebi. Não posso correr duas vezes a mesma prova sem receber prémio”, lamentou.
A organização do Grande Prémio Sonangol esteve a cargo da empresa "Tuala ni nguzi yeto".

A sonegação de prémios vem desde o início do ano. Fora da instituição organizadora, há corredores que participaram na 59ª edição da tradicional corrida de fim de ano, a São Silvestre de Luanda, e aguardam pelos prémios.

A São Silvestre de Luanda esteve a cargo da Federação Angolana de Atletismo e com um orçamento a rondar os 500 mil dólares. Há notícias (não confirmadas) de que alguns atletas estrangeiros regressaram aos seus países e aguardam pelo valor dos prémios.

Bastos Filipe, atleta do 1º de Agosto, primeiro angolano a cortar a meta na prova, fala com mágoa.

"Estou insatisfeito, porque enfrento muita contrariedade familiar para praticar o atletismo. Há pessoas que não acreditam no trabalho que fazemos. Quando surgem estes resultados, tendem a aceitar-nos e a compreender o esforço que fazemos. Infelizmente, o prémio, que é um incentivo, não chega e tudo fica mais desencorajador", disse o corredor.

O atleta do 1º de Agosto disse que, perante a atitude das instituições, o sacrifício acaba por ser em vão. Alguns atletas terminam as provas entre a vida e a morte, em convulsões ou transportados para hospitais em situação de inanimados. Em 2013, por exemplo, a São Silvestre de Luanda registou um caso fatal.

Felipe Bastos realça que não se compreende a postura das instituições responsáveis pela organização das corridas. Antes dos eventos, publicitam a existência de prémios em diferentes meios de comunicação. "Onde vai este dinheiro?", questiona o atleta.

A "moda dos prémios ausentes está a pegar". A propalada "Fuga para a Resistência", que tem a "mão" do Governo Provincial do Bengo, disputada a 4 de Fevereiro, é outra prova que não pagou os prémios aos vencedores.

Os organizadores, em discursos uníssonos, dizem que tudo da sua parte está feito, restando aos bancos fazer a sua parte.