Jornal dos Desportos

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Modalidades

Ausência do masculino preocupa benguelenses

Gaud?ncio Hamelay, Lubango - 11 de Janeiro, 2017

Adeptos estão tristes por falta de representantes

Fotografia: Jornal dos Desportos

A ausência de uma equipa masculina para representar a província de Benguela no campeonato nacional de andebol juvenil que a cidade do Lobito organiza desde o dia 4 do corrente está a intrigar grande parte dos benguelenses que exigem explicação plausível à direcção da Associação Provincial da modalidade. Das 11 equipas masculinas presentes, nenhuma tem a chancela de casa.

Distribuídas em duas séries, a província de Benguela não se faz representar mesmo na condição de entidade organizadora. Problema financeiro e de organização técnico-administrativa estão na base do sucedido, segundo uma fonte ligada à Associação.

 Na cerimónia de abertura, a vice-governadora Laurinda Mbaka lamentou a situação e pediu aos responsáveis pela dinamização do andebol na província a reverem a situação e evitar que se repita nas próximas edições. Para a governante, a situação choca com a dignidade e a cultura do andebol na província.

O professor Fernando Luís Xavier considerou vergonhosa o sucedido. Sem pestanejar, asseverou que o andebol em Benguela está a ser conduzido por pessoas menos dotadas para a liderança do projecto. No seu entender, a solução passa pela destituição da actual direcção e colocar no seu lugar uma Comissão Administrativa para um período de um ano ao máximo. “É uma pouca-vergonha o que se assiste nesse campeonato.

Uma província da dimensão de Benguela não participar nos masculinos!", exclamou. Para o professor "não restam dúvidas que a província está a ser liderada por picaretas". "A continuar como estão as coisas, o andebol pode desaparecer na província. As pessoas de direito devem despertar dessa sonolência e afastar aqueles que nada fazem para o bem da modalidade”, precisou.

O coordenador-técnico do Núcleo do 1º Agosto-Benguela foi categórico ao afirmar que a actual liderança da Associação de Andebol está mais para buscar protagonismo pessoal em prejuízo da modalidade. Nos últimos tempos, o andebol deixou de progredir. “Nos últimos tempos, assistimos ao regredir do andebol na nossa província.

O número de equipas reduziu significativamente e o pior de tudo é que os clubes deixaram de apostar na prática da modalidade. O 1º de Maio já anunciou o fim do andebol. No Interclube, no Sporting de Benguela e do Lobito, no GD BCA2 e noutras agremiações deixaram de praticar o andebol”, lembrou.

Fernando Luís lamentou a apatia por que se apresenta a direcção da Associação diante do fenómeno decorrente no cenário andebolístico. Na sua óptica, o elenco liderado por Rui Elias Ferreira pouco ou nada faz para inverter a situação. “Deixar as coisas acontecer e nada faz para evitar a fatalidade é triste, mas não podemos fazer nada se esta direcção continuar a assassinar o andebol”, atestou.

REACÇÃO
Associação
recusa
responsabilidade

O vice-presidente da Associação Provincial de Andebol de Benguela, Luís António, refuta as acusações que pesam sobre a sua direcção sobre a não participação de uma equipa masculina no campeonato nacional de juvenil. “Não é da competência da Associação criar equipas de andebol. Ainda assim, tivemos o cuidado de orientar os clubes no sentido de se criar uma equipa para a competição. Fomos pura e simplesmente ignorados. Por isso, não faz sentido sermos responsabilizados por isso”, defendeu.

Luís António acrescentou que, aquando da candidatura dos campeonatos nacionais de andebol juvenil em ambas as classes, a sua direcção contactou alguns empresários da praça local no sentido de apoiarem com dinheiro e géneros alimentares para além de transportação. Porém, faltou da parte das pessoas interessadas o discernimento necessário para se avançar com o projecto.

“As pessoas têm de ser sérias e responsáveis no que dizem. Não moveram uma palha sequer para prepararem uma equipa e participar do certame. Agora, vêm atirar-nos a culpa. É mau e muito mau mesmo”, reagiu. O dirigente associativo revelou que “foram os próprios clubes que acabaram com o andebol masculino por alegada falta de dinheiro”, e não a Associação de quem é vice-presidente.

NÚCLEO DO LOBITO
ESTÁ EM AGONIA

Na Associação Provincial de Andebol de Benguela estão filiadas o Grupo Desportivo da Casa do Pessoal do Porto do Lobito, Electro Sport Clube do Lobito, Académica do Lobito, Clube Desportivo Nacional de Benguela, Estrela Clube 1º de Maio de Benguela, Clube Desportivo Pérola Negra da Baía-farta e Núcleo 1º de Agosto-Benguela. Nenhuma destas agremiações movimenta a classe masculina.

As únicas colectividades que tinham equipas masculinas são GD BCA2 do Lobito, o Inter de Benguela e GD ZAC. Hoje, são dadas como extintas. O Núcleo dos Amigos do Andebol do Lobito resiste como pode. Por falta de dinheiro, acabou com os iniciados e juvenis. Com muitas dificuldades, o escalão de juniores continua a dar corpo ao projecto criado pelo professor Franco Liberal da Cunha.
JG| NO LOBITO