Jornal dos Desportos

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Autoridade aceita críticas do COI

02 de Maio, 2014

Eduardo Paes (à esquerda) garante pontualidade na construção das infra-estruturas que acolhem os jogos mais contestados no COI

Fotografia: AFP

"Temos de aceitar as críticas e trabalhar muito, com zelo e dedicação, para entregar tudo direitinho". As palavras são do presidente da câmara do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, ao comentar a manifestação pública do vice-presidente do Comité Olímpico Internacional (COI), John Coates, sobre os problemas relacionados com as obras do Rio'2016.

O alto dirigente disse, durante um fórum sobre os Jogos em Sidney (considerados exemplares), que o Rio de Janeiro vive uma situação crítica, com os piores preparativos que já viu na sua carreira.

Eduardo Paes foi incapaz de rebater os comentários que preocupam o COI, quanto aos atrasos, mas prometeu fazer tudo para que seja entregue no prazo.
Coates visitou a capital fluminense seis vezes como membro da Comissão de Coordenação do COI que supervisiona os Jogos.

O australiano disse que a equipa carioca tem o mesmo tamanho da que estava envolvida nos Jogos de Londres'2012 nessa mesma etapa dos preparativos (cerca de 600 pessoas), mas não conta com a experiência necessária para a empreitada.

Coates descartou a possibilidade de transferência dos Jogos para outra cidade-sede, como os mais pessimistas chegaram a defender.
“O COI adoptou um papel mais activo, algo sem precedentes para o comité, mas não há plano B. Vamos ao Rio”, disse.

John Coates confirmou que o Comité se viu obrigado a adoptar medidas sem precedentes, ao colocar especialistas para actuar no comité organizador e para garantir que o acontecimento seja preparado a tempo.

“O COI criou uma força especial para tentar acelerar os preparativos, mas no local a situação é crítica”, afirmou.

PARQUE OLÍMPICO
É A PREOCUPAÇÃO

Paes admitiu problemas na construção do Parque Olímpico de Deodoro, na Zona Oeste do Rio, que vai sediar as competições de oito modalidades desportivas e nem sequer começou a sair do papel. “O que me tira o sono é Deodoro. Não quero minimizar as críticas, mas a preocupação com as outras sedes desportivas é um certo exagero.
Em Deodoro, estamos no prazo, mas não temos um dia a perder, porque não há gordura. Sei que estão tensos lá e estou tenso aqui, mas reitero o meu compromisso de entregar todas as obras no prazo”, disse.

A licitação do Deodoro é publicada no dia 17, de acordo com Paes, que assegura a simplicidade das obras do Parque Olímpico em relação às que precisam de ser feitas na Barra da Tijuca, que vai receber competições de 15 modalidades.

“O mais complicado é fazer um rio artificial para uma competição de canoagem slalom”, disse.

LONDRES 2012
Os exemplos  para Rio'2016


TRÂNSITO
Londres apresentou excelente gestão de transporte e fluxo de multidões. A cidade, que já é reconhecida por ter um dos serviços de transporte mais completos do mundo, desenvolveu uma campanha específica para evitar transtornos no trânsito. Além de aumentar a capacidade do transporte público para atender à grande demanda, a organização dos Jogos incentivou os moradores a trabalhar em horários alternativos ou em casa e a tirar férias durante o período de jogos.

SEGURANÇA
Primeiro, um fracasso: a empresa privada contratada para a segurança dos Jogos não entregou o prometido dias antes do evento. Depois, a arte de contornar uma crise: o governo britânico colocou em prática o plano B, disponibilizando grande contingente de militares. Havia seguranças a postos em todo o centro de Londres e dentro das instalações. Bem preparados, os militares também auxiliaram turistas e espectadores nas ruas. Além disso, seis mil câmaras foram instaladas dentro e à volta do Parque Olímpico.

SINALIZAÇÃO
Um dos pontos altos da organização da cidade para os Jogos Olímpicos de 2012. Todas as estações de comboio e metropolitano estavam muito bem sinalizadas, com indicações do trajecto a ser percorrido rumo às instalações olímpicas. As mesmas informações apareciam com destaque no desembarque dos aeroportos e em pontos estratégicos de toda a cidade.  Até no chão das ruas, os visitantes eram guiados, com a ajuda de grandes adesivos coloridos. Dentro do Parque Olímpico, placas mostravam o tempo que se levava entre as instalações, facilitando a programação e o fluxo dos espectadores

VOLUNTÁRIOS
A escolha e a distribuição das funções para os voluntários dos Jogos de 2012 foram bem feitas. Grupos foram colocados para prestar informações turísticas e orientar sobre o transporte público nas ruas, estações de comboio, metropolitano e autocarros. A câmara municipal disponibilizou até pequenos contentores que serviam como base local para as equipas no pontos estratégicos da cidade. Muitos dos voluntários falavam mais de um idioma, o que torna a comunicação com o público mais eficiente. O idioma é um entrave para o Rio'2016 e procura-se voluntários que falem inglês e espanhol.