Jornal dos Desportos

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Baku de "olho" no lucro

23 de Janeiro, 2016

Análises de economistas defendem cancelamento do GP da Europa no Azerbaijão

Fotografia: AFP

A grave crise económica que grassa o Azerbaijão não vai afectar a realização do Grande Prémio da Europa, que se disputa a 19 de Junho nas ruas de Baku. A organização da primeira corrida do Mundial de F1 em solo azeri defende que o circuito da cidade de Baku vai impulsionar a economia local "a curto e a longo prazos".

Apesar da desvalorização da moeda local, o Manat, face à brusca queda do preço do barril, a realização do Grande Prémio não está ameaçada. O Azerbaijão, país que fica nas margens do Mar Cáspio, é uma das nações que dependem muito da indústria petrolífera. A economia está seriamente afectada pela queda do preço do barril, que chegou a ser cotado a 25,75 dólares norte-americanos na quarta-feira (20). Análises negativas de economistas defendem o cancelamento do GP da Europa, no Azerbaijão.

Em entrevista à agência de notícias estatal ‘Azertac’, Ali Hasanov, que é conselheiro presidencial, explicou como a crise do petróleo está a interferir nas finanças do país.

“O Azerbaijão é um país de petróleo. Os preços do petróleo e dos seus derivados caíram três vezes desde o começo de 2015. Isso significa que entra três vezes menos dinheiro, no Azerbaijão”, comentou.

O economista azeri Natig Jafarly defendeu a realização de eventos de grande porte previstos em breve no país, como o Grande Prémio da Europa de F1 e os Jogos Islâmicos de 2017. A organizadora da primeira prova do Mundial, no Azerbaijão, defende a realização da competição e disse que a crise não vai prejudicar a corrida.

“A desvalorização do Manat não vai criar impacto na realização da primeira corrida de F1 no Azerbaijão. Quando o orçamento para o Grande Prémio da Europa foi aprovado, inicialmente, foi calculado em dólares. Como resultado, não estamos a ser afectados por qualquer tipo de mudança no orçamento actual”, disse um porta-voz do Circuito de Baku.

O especialista reconhece a crise económica no Azerbaijão, mas procurou expor um ponto de vista favorável sobre o impacto que a corrida pode ter sobre o país. 

“O Circuito da Cidade de Baku compartilha das preocupações de cada um de nós sobre a desvalorização actual da nossa moeda corrente nacional. O BCC também entende que realizar um evento de grande porte requer um aporte financeiro significativo. Entretanto, gostaríamos de salientar uma vez mais que o impacto económico global tanto a curto como a longo prazos directa e indirectamente criado pela corrida de F1 vai beneficiar enormemente a economia nacional”, comentou.

O especialista defende que “o impacto do aumento do turismo e do número de visitantes que vão estar no comércio de Baku e em áreas como restaurantes, bares, hotéis e redes de comércio livre vai ser de milhões se não mais injectados na economia. Da mesma forma, a realização da corrida vai criar milhares de empregos directos e indirectos, ligados ao evento”.

O porta-voz assegura que estão "confiantes de que a realização da corrida não vai apenas contribuir para a recuperação da economia, a curto prazo, mas também vai levar a economia adiante pelos próximos anos, superando quaisquer tipos de preocupações existentes que estão a ser levantadas contra o custo da realização deste evento”.

A realização do GP da Europa, em Baku, está envolta de alguma polémica. Primeiro, porque a prova vai ser disputada uma semana após o Grande Prémio do Canadá, o que vai requerer um enorme esforço da F1, sobretudo, em termos de logística, dada a considerável distância entre os dois países. Outro ponto é em relação à data do evento, marcado para o mesmo dia, porém, algumas horas depois da chegada das 24 Horas de Le Mans, a principal prova do Mundial do Endurance, numa manobra para evitar que pilotos da F1 disputem a lendária corrida em Sarthe.


21 CORRIDAS
Calendário preocupa Mercedes


A nova época de Fórmula 1 está à espreita e as equipas fazem contas nos orçamentos previstos. Jamais a categoria viveu uma tão longa época. De 20 de Março a 27 de Novembro, pilotos e equipas devem percorrer 21 grandes prémios ao redor do mundo, sem contar com os testes de pré-épocas agendados entre finais de Fevereiro e o início de Março e as sessões depois dos Grandes Prémios de Espanha e de Inglaterra.

O calendário vai além dos limites físicos e mentais dos funcionários das equipas da grelha, de acordo com o chefe da actual bicampeã Mercedes, Toto Wolff. O dirigente considera adoptar uma espécie de segundo turno entre alguns funcionários para amenizar o desgaste de um cronograma tão exigente.

Wolff entende que do ponto de vista comercial ao qual a F1 está inserida, é saudável ter 21 corridas no calendário, porque aumenta a exposição da categoria e, consequentemente, reflecte no aumento dos lucros das equipas e também de Bernie Ecclestone, responsável pelos direitos comerciais do desporto.

O seu discurso vai de encontro ao que disse recentemente Jean Todt, presidente da FIA,  que um calendário de 21 corridas é um privilégio para a F1. Todavia, quanto ao lado humano, o chefe da Mercedes acredita que não vai haver tantos benefícios.

“Há prós e contras com mais corridas. Do ponto de vista do dono dos direitos comerciais, entendo que mais corridas trazem mais renda, mais media, uma audiência maior. Isso é algo a mais. Em termos exclusivamente de espectáculo, talvez seja algo a menos”, comentou o austríaco em entrevista à revista britânica “Autosport”.

Toto Wolff disse que "do ponto de vista da equipa, a renda tem crescido bem nos últimos anos e isso é o mais importante". Desse prisma, Bernie, tem sabido elaborar o calendário. Agora, é preciso "tomar cuidado com a organização".

Com 19 corridas, assistiu-se a "limites mentais e físicos das equipas". Com a estrutura actual das equipas, Toto ressalta que se busca vários conceitos sobre como sobreviver a 21 corridas.

"Não tenho a certeza de que vamos lidar com 21 provas", atiçou. Para Wolff, o segundo turno vai servir para trocar de funcionários. A medida, se for levada à cabo, não vai valer para todos, uma vez que há membros da equipa que são imprescindíveis como engenheiros de pista, por exemplo.

“Estamos a analisar como optimizar isso nas viagens, no jetlag (fadiga causada pelos voos longos), no restante, talvez tenhamos um segundo turno para os que trabalham muito duro. Tudo isso está a ser levado em consideração”, declarou o comandante da equipa alemã. Toto assegura que “há muitas pessoas que não podem trocar, porque são únicas".

"Há um momento particularmente difícil no fim do ano, com todas aquelas corridas disputadas longe; isso torna tudo muito difícil. Só quero proteger a equipa, proteger cada um dos funcionários e precisamos ver o que podemos fazer para tornar mais eficaz, mas também viável”, finalizou Wolff.

Os trabalhos de pista da F1 já têm data para começar: a abertura dos testes de pré-época está marcada para 22 de Fevereiro, no circuito de Barcelona. Antes, e as equipas trabalham para finalizar a construção dos carros para a disputa da época'2016 do Mundial, que começa com o Grande Prémio da Austrália, em Melbourne.


PARIS
Renault anuncia pilotos em Fevereiro


A apresentação oficial da Renault para a época'2016, que vai marcar o regresso à F1, acontece a 3 de Fevereiro, em Paris. A fabricante de Viry - Châtillon convidou a imprensa internacional para o evento, agendado para Paris e que vai marcar o anúncio dos pilotos, bem como a formação da equipa para o Mundial de F1 deste ano.

O evento de apresentação da Renault deve contar com a presença do presidente Carlos Ghosn. No fim do ano passado, tão logo foi confirmada a compra da Lotus, o empresário brasileiro não confirmou a dupla de pilotos anunciada antes pela equipa de Enstone, então formada por Pastor Maldonado e Jolyon Palmer. Os rumores recaem sobre uma eventual saída do venezuelano, em razão da falta de pagamento de patrocínio por parte da estatal petrolífera PDVSA.

Especula-se que Kevin Magnussen, campeão da World Series by Renault em 2013, seja o  favorito à vaga de Maldonado, mas facto é que o destino do piloto sul-americano vai ser conhecido dentro de duas semanas. No evento, a Renault também vai divulgar a formação da estrutura da equipa para o Mundial de 2016.

Por enquanto, a Renault usa as medias sociais da Lotus para divulgar os seus últimos trabalhos. Na quarta-feira, a equipa confirmou a homologação do chassis ainda sem nome definido, com o qual vai disputar a época da F1 em 2016. Isso pode significar que o chassis foi aprovado no crash-test obrigatório da FIA.

Mas antes da apresentação oficial, a Renault começou a chamar a atenção dos adversários na grelha, sobretudo, pela quantia que a fábrica francesa pretende investir no regresso à F1.

O valor pode girar em torno de 250 milhões de dólares norte-americanos, por época.

Rob Smedley, chefe de performance da Williams afirmou em entrevista à emissora britânica Sky Sports,  que “a Renault está a começar a investir”. A terceira força da F1 há dois anos, a Williams, pode ver a sua posição ameaçada. O britânico afirmou que há muitas pessoas atrás de si que podem fazer "grandes progressos". Além da Renault, apontou também a Red Bull e a Force Índia, quarta e quinta classificadas do Mundial de Construtores de 2015.