Jornal dos Desportos

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Benfica gere volta a Angola

Francisco Carvalho - 12 de Outubro, 2015

Hamilton triunfante no grande prémio

Fotografia: José Soares

A organização da primeira edição da Volta a Angola em bicicleta é uma experiência que deve ser aproveitada para constar do calendário de actividades desportivas de maior impacto no país, no âmbito do programa de desenvolvimento em curso. A constatação é do público amante do ciclismo e que acompanha o evoluir da competição.

Mário Jorge, estudante universitário, assegura que a Volta a Angola pode ser uma marca nacional de grande impacto económico se for bem aproveitada pelos gestores da competição desportiva. "Pelo potencial económico do país e de infra-estruturas, precisamos definir as balizas para tornar a Volta a Angola num produto comercial no mundo. Os pensadores da competição estão de parabéns pela iniciativa", disse.

Mário Jorge ressalta que "novas ideias estão a surgir todos os dias", desde que se fez o lançamento da competição na cidade de Cuito no passado dia 7 do corrente. "Tenho lido sobre a Volta a Angola e muitas ideias surgem no ramo de investimento desportivo. Hoje, tenho uma percepção diferente das vantagens que o ciclismo traz para as sociedades que apostam no seu desenvolvimento", disse.

Instado a decifrar as vantagens, o estudante universitário foi lacónico: "No mundo de negócios, o segredo é a base do sucesso. Posso apenas lhe dizer que a envolvência humana constitui um bom activo para fazer dinheiro", disse. Nicolau Morais, engenheiro informático, afirmou que a Volta a Angola pode proporcionar um meio de escape de muitos jovens ávidos de se tornar estrelas desportivas. O profissional apontou que, à luz do novo regime  jurídico desportivo, os investidores podem aproveitar a competição para lançar os produtos mais consumidos pela juventude.

"Não há melhor mercado do que aquele que envolve a juventude. O ciclismo é um desporto de resistência e de malabarismo que atrai muitos jovens e adolescentes. Podemos aproveitar a Volta a Angola para lançar outras especialidades do ciclismo, como desportos radicais, o BMX, muito apreciada em todo o mundo", frisou. Com uma aposta séria, Nicolau Morais sustentou que "os potenciais concorrentes" vão encher os bairros das principais cidades do país com novos hábitos e culturas desportivas.

"O BMX é um desporto de competição que atrai qualquer jovem e adulto. Temos no nosso país potenciais candidatos a campeão mundial, porque temos um relevo que permite a prática dessa especialidade sem grandes constrangimentos. Cabe aos investidores apostarem no ciclismo", disse.
Venâncio Domingos, estudante universitário, realçou que a localização geográfica de Angola permite a troca de experiência com a África do Sul, um país "irmão" com tradição no desporto radical, por exemplo.

"A África do Sul pode ser uma fonte para se beber da experiência de organização de desportos radicais, que envolvem a bicicleta. Estão avançados nesse capítulo, mas a nossa determinação pode encurtar a distância", disse. Venâncio Domingos justificou que "à semelhança da Banda Kapossoka, o ciclismo também pode retirar da rua e das famílias carentes muitas crianças que se perdem no mundo da violência, prostituição e da droga". "Tudo depende da boa vontade de pessoas de bem que se identificam com a angolanidade", disse.