Jornal dos Desportos

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Benguela aspira Africano

Helder Jeremias - 10 de Junho, 2016

Nata de atiradores africanos podem reunir-se brevemente no mais recente campo de tiro de Angola

Fotografia: Nuno Flash



Com vista a acolher o Campeonato Africano de Tiro aos Pratos, em 2018, as obras de construção do fosso olímpico do Clube de Tiro Caca e Pesca de Benguela decorrem a bom ritmo e a conclusão está para breve. A informação é do secretário geral da instituição desportiva benguelense, João Peralta.
Depois de vários anos marcados por problemas conjunturais, a nova dinâmica dos corpos sociais do Clube de Tiro Caca e Pesca de Benguela satisfaz a ansiedade da família da espingarda desportiva local. João Peralta disse ao Jornal dos Desportos que "a nível da província já se respira de alívio".
Para tomar contacto com os modernos equipamentos adquiridos no exterior do país pela antiga direcção da Federação Angolana de Tiro, João Peralta desloca-se hoje ou amanhã a província da Huíla, onde estão alocados. A qualidade dos meios permite a realização de variantes de tiro e consequente habilitação para acolher qualquer competição internacional, segundo o dirigente.
Equipado com máquinas manuais, o actual campo de tiro de Benguela dispõe de condições que limitavam o avanço do tiro naquela cidade. A conclusão da obra representa um indicador para o resgate do estatuto que a província ostentou num passado recente, de acordo com João Peralta.
As novas instalações vão apresentar todo o conforto para qualquer atirador estrangeiro. São tão confortáveis e não deixam nada a dever em termos de qualidades das áreas de serviços, comparativamente a outros campos existentes no país com maior tradição do desporto de tiro sobre alvo em movimento, avançou o secretário geral.
João Peralta ressaltou a dedicação e a abnegação dos sócios no processo de reestruturação daquela unidade desportiva, numa altura em que algumas pessoas não acreditavam levar adiante a espinhosa missão de inverter o quadro sombrio do tiro local face a conjuntura económica do país nos últimos anos.
No dizer de João Peralta, a união dos sócios dispersos representa o próximo passo do clube, uma vez ultrapassadas as questões prementes de fórum administrativo. O dirigente ressalta o adágio "a união faz a força" para sustentar o clube em estruturas firmes rumo a concretização dos objectivos traçados a médio prazo.
O dirigente agradece a direcção da Federação Angolana de Tiro pelo apoio institucional e a todos os clubes presentes na disputa do Grande Prémio Cidade de Benguela, realizado no dia 8 e 9 de Maio, em alusão ao 399º aniversário da ascensão daquela circunscrição, assinalado a 13 do mesmo mês.
"O sucesso do Grande Prémio Cidade de Benguela é uma evidência de que muito mais pode ser feito, quando as condições estiverem em pleno usufruto dos atiradores e amantes do desporto. O novo campo vai contar com dois fossos topo de gama que permitem a disputa de todas as variantes como Skeet, Double Trap, entre outras, ao passo que o sistema de iluminação vai permitir a realização de provas nocturnas e em condições adversas de tempo", garantiu João Peralta.  
Para além de Benguela, o tiro aos pratos é praticado em Luanda e Huíla.


GÉNEROS
Aposta na formação

A direcção do clube de Tiro Caça e Pescas de Benguela vai fazer a captação de novos talentos nas categorias de juvenis e juniores, em ambos os sexos, nos próximos meses, para potenciar a equipa com vista nos desafios futuros, informou João Peralta.
A medida tem como base a necessidade de rejuvenescer a nata de atiradores nacionais, numa altura em que o clube está apostado na reestruturação interna e a maior parte dos atiradores em Benguela encontra-se em fim de carreira desportiva.
João peralta dá particular ênfase ao sexo feminino, cujo número de atiradores no país está cada vez mais reduzido. Por isso, defende a necessidade de incentivos e apoios materiais para que, num horizonte temporal breve, Angola possa ter mulheres capazes de ombrear com as adversárias na região.
O experiente atirador lança um apelo aos demais clubes a criarem políticas para facilitar o acesso de jovens talentosos em ambos os sexos, na medida em que uma carreira desportiva de sucesso assenta nas condições oferecidas pelos clubes e esforço pessoal.
"Pensamos ter, pelo menos, oito atiradores a competir a nível nacional, a partir de 2017. Vamos apostar nos escalões de formação para que tenhamos novos talentos nos dois géneros para salvaguardar a disponibilidade de atletas no futuro", garantiu.
HELDER JEREMIAS


INTERCLUBE
Atiradores inauguram Fosso Olímpico

A direcção do Interclube realiza os últimos acertos em torno da realização do Grande Prémio Interclube, a decorrer de 24 a 26 do corrente, no âmbito da inauguração do novo Fosso Olímpico pertencente à equipa adstrita à Polícia Nacional, localizado na zona do Tanque Serra, Via Expresso.
Pontuável para a quarta jornada do Campeonato Nacional de Fosso Olímpico, o torneio é aguardado com muito entusiasmo por parte dos atiradores anfitriões. O facto representa um marco no historial do tiro do clube, depois de vários anos a dependerem das instalações de outras equipas para a preparação e competição.
Francisco Gastão, líder da tabela classificativa, Jorge Pertistelo, Cali Mendonça e Ricardo Lopes têm agora maiores probabilidades de elevar os níveis de precisão sobre o alvo em movimento com sessões regulares no campo que ostenta os equipamentos mais recentes, fabricados em França.
O Chefe do departamento de Tiro do Interclube, Ruca Mendonça, informou ao Jornal dos Desportos que as novas instalações do clube contam com uma variada gama de instalações para as distintas modalidade, sendo o Tiro a primeira a concluir as respectivas obras.
Em nome do clube, Ruca Mendonça garantiu a criação de condições para que as equipas nacionais sejam bem instaladas durante o evento que visa festejar os 37 anos de existência do Interclube. Todos os esforços estão a ser envidados na alocação dos meios logísticos e administrativos para o sucesso pretendido.
Com a inauguração do Fosso Olímpico, Ruca Mendonça manifestou optimismo quanto ao futuro do clube. Para si, é um importante passo no desenvolvimento do desporto, em geral, e do tiro, em particular, uma vez que "vai permitir colocar em prática os programas gizados pela direcção, que passam pela inserção de maior número de praticantes de desporto" e consequente melhor representação nos eventos nacionais e internacionais.
O vice-campeão nacional, Ricardo Lopes, dá-se por feliz por ser contratado pela equipa da Polícia Nacional no ano em que a agremiação passa a contar com estruturas próprias. Apesar de residir na província do Lubango, onde efectua a preparação nas instalações do Clube de Tiro Caça e Pescas do Lubango, Ricardo Lopes acredita que as condições oferecidas pela nova equipa são favoráveis para a obtenção de resultados dignificantes.
Depois de ter defendido com brio as cores do Team Socolil na edição passada, vencida por Paulo Silva, do 1º de Agosto, a melhoria do segundo lugar no campeonato nacional presente é o objectivo primordial.
HELDER JEREMIAS


CLUBE DE BENGUELA
Burocracia policial inviabiliza acesso aos cartuchos

O excesso de burocracia para a autorização de cartuchos de competição levadas acabo pela Polícia Nacional em Luanda está a condicionar a inserção de atiradores do Clube de Tiro Caça e Pescas de Benguela no Campeonato Nacional de Fosso Olímpico e na Taça de Angola, segundo informou o secretário geral da agremiação em terras de Ombaka, João Peralta.
João Peralta justificou que os atiradores locais não participaram da maior parte das competições nacionais na época passada, apesar das significativas melhorias administrativas e políticas financeiras implementadas pela actual direcção, no âmbito do resgate do prestígio do tiro provincial.
Com efeito, justificou o executivo: "Os nossos atiradores participam, sempre que possível, nos eventos apenas para representarem o clube, pois não têm hipótese de fazer uma época com garantia de grandes objectivos. A fraca preparação e as incertezas sobre a obtenção de material em tempo útil contribuem para os resultados possíveis. Em função dos trâmites junto da Polícia Nacional, recebemos os materiais entre três e quatro semanas depois. É muito tempo perdido".
João Peralta assegurou encontros com o Administrador de Benguela e com responsáveis do Ministério da Juventude e Desportos, durante os quais os membros da direcção do clube vão colocar, entre outros assuntos, "essa preocupação para que se encontre um meio termo para a resolução do impasse".
"Sempre que for possível, os nosso atiradores são inscritos nas provas do nacional e na Taça de Angola, apenas para manter algum ritmo competitivo. Esperamos que a aquisição de material seja mais célere nas próximas ocasiões, o que passa pela flexibilidade dos trâmites junto da Polícia Nacional em Luanda", disse.
Outra situação, que inviabiliza a boa desenvoltura dos atiradores benguelenses, prende-se ao facto das actuais máquinas do clube estarem ultrapassadas no tempo. Há muitas perdas de pratos e outros transtornos do ponto de vista técnico. A situação vai ser ultrapassada com a conclusão, para breve, do novo fosso olímpico a ser inaugurado em finais de Setembro do ano em curso.
HELDER JEREMIAS