Jornal dos Desportos

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Bernie Ecclestone aconselhou a Mercedes

15 de Março, 2013

Fórmula 1, Schumacher é difícil de ser substituído

Fotografia: AFP

A animosidade entre Bernie Ecclestone e Ron Dennis é lendária e não terá terminado com o afastamento do antigo chefe da McLaren da equipa, pois o detentor dos direitos comerciais da Fórmula 1 admitiu agora ter aconselhado a Mercedes a Lewis Hamilton.

“Disse aos responsáveis da Mercedes que, caso contratassem o Lewis, ficariam com as pessoas certas de forma a garantirem sucesso. Agora, eles têm as pessoas que acreditam que estão a trabalhar numa equipa vencedora”, afirmou Ecclestone, em declarações ao jornal alemão “Bild”.
Dennis afastou-se da equipa após a temporada de 2009 para se dedicar aos carros de estrada do grupo McLaren.

Hamilton deixou a equipa de Woking no final da temporada 2012 e, a poucas semanas do início da temporada 2013, a McLaren anunciou a partida do seu director técnico Paddy Lowe para a Mercedes.

Não se sabe se também aqui Ecclestone, conhecido como o “patrão” da F1, serviu de “conselheiro”.

RADARES
Foi no passado domingo que Felipe Massa andou pelas ruas do Rio de Janeiro a acelerar com o novo Ferrari, para apresentar ao seu país o carro com que vai andar na nova época da Fórmula 1.

Com espaço, e sozinho na pista do Aterro de Flamengo, acelerou sem problemas, numa região que está cheia de radares de velocidade para os carros comuns.

Na altura, o piloto brasileiro brincou com a situação: “Se o radar estava a funcionar, apanhou-me muito acima da velocidade.
Na quarta-feira, Massa recebeu uma imagem da sua passagem por um destes engenhos, que o apanhou apenas a 95 km/h.
“Uffaaaaaaa o radar lá no Rio só me apanhou a 95 km/h!!! Era 90!! Ainda bem porque passei muitas vezes a 290”, brincou o piloto.

O Mundial de Fórmula 1 começa já este domingo, na Austrália, com Sebastien Vettel, da Red Bull, a assumir de novo o papel de favorito à conquista do título.

Mercedes tem melhor dupla

Em vésperas do início da época de 2013 da Fórmula 1, que começa hoje com os treinos livres para o Grande Prémio da Austrália, a Mercedes demonstra grandes expectativas para as primeiras corridas do ano.

O chefe da equipa, Ross Brawn, declarou, durante um evento da fábrica em Melbourne, onde é disputada a primeira prova, que a equipa tem a melhor dupla de pilotos da competição, o que os deixa ainda mais confiantes para a conquista de títulos.

“É um grande desafio para Nico (Rosberg) ter alguém tão rápido como Lewis no outro carro. Nico encontrou desafios enormes com Michael (Schumacher) e espero que mantenha o desempenho. Temos a melhor dupla da F1”, afirmou.

Brawn afirmou que Rosberg cumpriu bem o desafio de trabalhar ao lado de Schumacher. “Se formos honestos, Nico provou estar bem contra Michael. Não tinha dúvidas sobre Michael, mas algumas pessoas podem ter tido em decorrência da aposentação e do regresso. Agora Nico tem um novo ponto de referência em Lewis e espero que a disputa seja apertada”, disse.

A saída do heptacampeão da equipa no último ano fez com que a Mercedes procurasse um grande nome para o seu lugar. Considerado um dos maiores pilotos da história da Fórmula 1, Schumacher é difícil de ser substituído e o escolhido para isso foi Lewis Hamilton. Apesar de já ter mostrado capacidade ao vencer o Campeonato Mundial em 2008, as comparações são descartadas na equipa.

“Inevitavelmente, quando alguém como Michael deixa a equipa, é um buraco muito grande para preencher. Lewis está a fazer isso, mas com o seu próprio estilo e à sua própria maneira. Não quero um clone de Michael. Quero alguém que trilhe o seu próprio caminho. Ele trouxe uma frescura para a equipa em termos de aproximação e trabalho com os engenheiros. Tenho a certeza de que os dois (Lewis e Nico) vão ter os seus momentos, porque são muito competitivos”, concluiu o chefe da equipa.


PILOTO DA SAUBER
Hulkenberg adopta discurso cauteloso


Nico Hulkenberg chega neste ano à Sauber para tentar ajudar a equipa suíça a crescer na Fórmula 1. E, mesmo sabendo da sua missão, o piloto alemão minimizou a possibilidade da sua nova equipa estar inclusa no grupo que pode surpreender neste início de época.

Em 2012, a Sauber conquistou quatro pódios, enquanto Hulkenberg, então na Force India, encerrou bem o ano e até chegou a brigar pela vitória no GP do Brasil. Mesmo assim, não acredita que só a formação dessa nova parceria signifique que o sucesso está garantido.

“Não muda nada para mim. O facto de ter liderado o GP do Brasil e a Sauber ter conquistado quatro pódios, não muda nada, isso foi no ano passado”, disse.

Hulkenberg assegurou que os resultados do ano passado não dão garantias que se vão repetir. “Ninguém sabe”, disse.

O alemão prosseguiu com a postura comedida e frisou que não quer criar grandes expectativas. “Não espero surpreender ninguém. Gostaria muito, assim como a equipa. É evidente que a equipa e o piloto desejam ter um bom relacionamento e uma época de sucesso. Mas vamos ir com calma e ver em que posição estamos em relação aos rivais”, analisou Hulbenberg.

Sobre o Grande Prémio da Austrália, em Melbourne, o piloto da Sauber falou que a meta é tentar conquistar pontos. “É sempre difícil saber como vai ser a época apenas com base nos testes de inverno. Mas, como alvo padrão, a meta é o top-10 na grelha e na corrida”, finalizou.


NA MCLAREN
Jenson Button rebate Hamilton


O piloto Jenson Button destacou que a “liberdade” na McLaren é “fenomenal” e considerou a equipa inglesa “muito aberta”. Button respondia assim às declarações de Lewis Hamilton sobre o ambiente ao qual chamou muito “controlado”.

Apadrinhado pela McLaren desde os 13 anos de idade, Hamilton comparou a sua antiga equipa com a nova, a Mercedes, em entrevista publicada pelo diário britânico “Daily Mail”.

“Vim de um lugar em que o ambiente era controlado, onde se tinha de fazer e dizer o que era dito”, referiu Hamilton, tendo ainda dito que, na actual equipa podia expressar com mais liberdade e ser ele mesmo.

Jenson Button revelou que a McLaren “faz de tudo pelo piloto” e que as palavras do ex-colega o apanharam de surpresa em vésperas da abertura da época da nova época de Fórmula 1.


NA VENEZUELA
Pastor Maldonado
mantém confiança


Além da tristeza natural pela perda de um líder dentro da Venezuela, Pastor Maldonado vê surgir, com a morte de Hugo Chávez, uma série de notícias sobre o possível abalo da sua carreira dentro da Fórmula 1. O ex-presidente venezuelano é quem dava o maior apoio financeiro ao piloto, com o patrocínio da empresa estatal PDVSA.

Com a preparação para a época de 2013 abalada com a notícia, o piloto da Williams disse que vai tentar honrar o esforço de Chávez para o colocar dentro da categoria. Segundo Maldonado, o político apoiava cerca de 50 pilotos venezuelanos pelo mundo e mudou a visão do país, que antes era conhecido “apenas pelo petróleo e pelas belas mulheres”.

O piloto disse que todos ficaram muito tristes com a morte de Chávez, mas que é preciso continuar a correr forte para manter o bom momento do país no cenário desportivo.

Apesar dos boatos sobre uma possível saída da Williams, Maldonado rebate os que duvidam de que vai ter a vida longa dentro da equipa.
O venezuelano sabe que o aporte financeiro é decisivo para conseguir um lugar dentro da categoria, porém crê que a PDVSA não vai retirar o patrocínio com a morte de Chávez.

Maldonado afirmou que muitos lhe dizem que está a abandonar a F1, mas garante que está presente e assim vai prosseguir durante a época de 2013.