Jornal dos Desportos

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Boas perspectivas para Angola

Pedro Futa - 11 de Janeiro, 2018

Ministra Ana Paula Sacramento esteve ladeado do Secretário de Estado para a Política do Desportos Carlos Almeida

Fotografia: M. MACHANGONGO | EDIÇÕES NOVEMBRO

O ano de 2018 começou em grande para o desporto angolano. O encontro entre o Ministério da Juventude e Desportos e as Federações nacionais, que se realizou na terça-feira na Cidadela Desportiva, deixou boas perspectivas. O encontro foi à porta fechada e foram abordadas questões relacionadas com a apresentação dos Jogos da CPLP e da Região 5, a participação e organização de eventos internacionais, a elaboração de planos de desenvolvimento das modalidades e contrato-programa, filiação nas organizações internacionais, prémios de atletas, infra-estruturas desportivas e apresentação de relatórios de actividades desportivas e contas.
Para o secretário de Estado para a Política Desportiva, Carlos Almeida, o encontro foi positivo.
\"O encontro foi positivo na medida em que, das várias matérias abordadas, foi uma reunião em que se baixaram as orientações do Ministério da Juventude e Desportos, no sentido de continuar a manter  relações directas e frequentes com os nossos parceiros, as Federações\", disse.
O porta-voz do encontro falou sobre o alerta dada às Federações no que toca ao uso de infra-estruturas: \"Alertamos às Federações, que o uso de infra-estruturas é uma questão de organização que  carece de comunicação antecipada\".
Carlos Almeida citou, a título de exemplo, a catedral dos desportos em Angola.
\"O Complexo da Cidadela é uma gestão autónoma, apesar de ser um organismo do Ministério. A informação deve ser feita de modo antecipado para que não haja constrangimentos. Falamos da coordenação que tem de haver entre as Federações, a fim de se evitar o desentendimento e permitir ao Ministério a disponibilização à tempo e horas. As selecções nacionais devem desenvolver o trabalho sem a interferência de outras instituições\", disse. O Secretário de Estado falou sobre a periodicidade de encontros.
\"Essas reuniões serão realizadas de forma periódica e constante. Existem pequenas coisas que, às vezes, precisam ser esclarecidas. Daí, a importância do encontro\", frisou.
No final da intervenção, Carlos Almeida falou dos prémios para os atletas e a obrigação que as Federações têm no que concerne à apresentação de contas.
\"Abordamos um ponto, que são os prémios a atribuir aos atletas que participam nas competições africanas, campeonatos do Mundo, Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Têm de ser pagos, porque são prémios por direito, de acordo com a lei.
 É imperioso que tanto no programa como no final de cada actividade, as Federações apresentem relatórios de contas para o Executivo fiscalizar o que são as alocações atribuídas\", afirmou.
O encontro realizou-se na Galeria dos Desportos e teve a presença de 19 Federações, das quais 12 estavam representadas pelos seus presidentes e outras pelos vice-presidentes (6) e um Secretário Geral.

MATERIALIZAÇÃO
Federações do país
estão expectantes


As Federações angolanas mostraram-se expectantes, quanto à materialização das intenções abordadas no encontro com o Ministério da Juventude e Desportos. Leonel Pinto, presidente da Federação Paralímpica Angolana, espera que as discussões se materializem.
"Estamos a falar de infra-estruturas, criar as condições para que os treinadores e os atletas produzam resultados regionais e internacionais. Isso tudo, produz uma reflexão no desporto", disse.
O dirigente desportivo incentivou a iniciativa do Ministério da Juventude e Desportos em exigir a prestação de contas ", desde o próprio programa".
"Se o Ministério dá dinheiro, é preciso que se prestem contas. Existem países, que investem menos do que Angola, e têm bons resultados", salientou. Leonel Pinto em relação à falta de organização, nas instituições desportivas, disse:
"Há falta de organização, de boa gestão e de controlo. Tem de haver rigor e exigir às pessoas que façam um esforço para concretizar o objectivo. Foi uma orientação específica, espero que se materialize", enfatizou. O presidente da Federação angolana de Atletismo, Bernardo João, mostrou-se expectante e satisfeito.
"A Federação de Atletismo propôs um ponto sobre infra-estruturas, que não constava do programa, mas foi aprovado no momento. Estamos à espera que se concretize, uma vez que temos vários Estádios no país, mas não possuem pistas de tartan", afirmou.
Bernardo João referiu que só existe um Estádio no país com tartan.
"Temos em Angola só o campo dos Coqueiros, com pista. Deixamos ao critério do Executivo. Temos o Estádio Nacional do 11 de Novembro, em Luanda, vários Estádios na província da Huíla que podem ser aproveitados", alertou.
O presidente da Federação Angolana dos Desportos Motorizados, Ramiro Barreira, mostrou-se bastante satisfeito com o encontro.
"Foram abordadas questões pertinentes, que vão ajudar a melhorar as Federações. Temos o autódromo de Luanda, que foi discutido no âmbito das infra-estrutura, e apresentamos os principais problemas que apresentam em termos de pista e saneamento básico. Em 2009, apareceu alguém a discutir o direito de superfície. Achamos, que este é um assunto de direito público, e não privado", disse.
O dirigente pediu ao Executivo que relevasse a importância de uma infra-estrutura como o autódromo.
"É necessário que o Ministério da Juventude e Desportos releve a importância de uma infra-estrutura como esta, e crie condições para termos uma pista em boas condições", clamou.
Ramiro Barreira não descartou a possibilidade da gestão do autódromo passar para o privado.
"Ainda que o Executivo passe a gestão ao privado, que faça dentro dos parâmetros de um projecto com a requalificação inserida. As obras devem contribuir para o desenvolvimento do desporto Nacional. A gestão do autódromo deve cumprir com pressupostos em relação ao asfalto, casas de banho e sirva o interesse nacional. E, sempre dentro do slogan: 'corrigir o que está mal e melhorar o que está bem'", argumentou.  
PF