Jornal dos Desportos

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Bolt campeão mundial dos 100m

12 de Agosto, 2013

Velocista jamaicano sagrou-se ontem na cidade de Moscovo campeão mundial dos 100 metros na final dos Mundiais

Fotografia: AFP

Usain Bolt reconquistou, este domingo, o título de campeão do Mundo dos 100 metros, ao triunfar na final da prova, em Moscovo, com o tempo de 9,77 segundos, o seu melhor tempo esta temporada mas ainda assim longe do recorde do Mundo, que lhe pertence (9,58s). Foi o segundo troféu mundial para "Lightning Bolt", depois da conquista em Berlim'2009 - uma falsa partida tirou-lhe a possibilidade de discutir o título em Daegu, há dois anos, acabando por ser o compatriota Yohan Blake a ficar com o ouro. O jamaicano não desiludiu e sagrou-se ontem campeão mundial dos 100 metros, ao vencer a prova inserida nos Campeonatos que decorrem em Moscovo, em 9,77 segundos.

Debaixo de chuva, Bolt levou a melhor sobre o norte-americano Justin Gatlin, que teve de contentar-se com o segundo lugar e consequente medalha de prata, com 9,85 segundos. Os raios no céu de Moscovo, na Rússia, eram o prenúncio do que estava por vir no Estádio Olímpico da capital russa. Debaixo de chuva, Usain Bolt justificou o apelido de raio jamaicano, atropelou os adversários e recuperou o título mundial nos 100m rasos. O velocista, campeão em Berlim, na Alemanha, em 2009, havia perdido o título em Daegu, na Coreia do Sul, em 2011, depois de queimar a largada na final e ser eliminado.

Campeão insinua
doping de Bolt

Desde o escândalo de doping envolvendo estrelas como Asafa Powell e Tyson Gay, Usain Bolt tem sido interrogado sobre a sua honestidade no desporto. Ontem, foi a vez do campeão europeu de salto em distância Christian Reif insinuar que o jamaicano também utiliza substâncias ilegais. “Se o que eu penso é verdade, então isso prejudica muitos outros atletas. Não posso dizer que Bolt é dopado, só posso fazer suposições que curiosamente são partilhadas por muitas pessoas”, afirmou Reif ao jornal alemão “Suddeutsche Zeitung”. Para ele, o estrelato alcançado por Bolt é um dos factores que ajudam o jamaicano a mascarar o suposto doping. “É todo um evento quando ele entra na pista, todos se esquecem que se trata de um atleta que talvez atinja o seu desempenho de forma diferente.

Atletismo
Quénia admite
problema de doping


Com poucos recursos para detectar fraudes, o Quénia vê a educação como a melhor ferramenta na luta contra o doping à medida que enfrenta as drogas para a melhoria do desempenho, como uma ameaça à sua reputação de celeiro de corredores de primeira categoria. O país africano suspendeu 14 atletas desde o início do ano passado por doping depois de muitas acusações de que as fraudes são correntes nos campos de treino  na luxuriante região de Rift Valley.

Enquanto as autoridades quenianas sublinham que nenhum dos apanhados era atleta de ponta, a polémica lançou uma sombra sobre uma das mais bem sucedidas nações de corredores do mundo num momento em que o atletismo sofre escândalos de doping de grande projecção. Os preparativos para o Campeonato Mundial de Moscovo foram manchados pelos flagrantes do norte-americano Tyson Gay, dos velocistas jamaicanos Asafa Powell, Veronica Campbell-Brown e Sherone Simpson e vários testes positivos de atletas turcos.

As autoridades do Quénia dizem ser vital deter o doping nas suas pistas, para evitar que algum atleta queniano do calibre de Gay ou Powell seja tentado a usar drogas para melhoria de desempenho, algo que temem poder devastar o desporto. “Temos que arrumar a nossa própria casa”, disse Kipchoge Keino, lenda do desporto e chefe do Comité Nacional Olímpico do Quénia, à Reuter em Eldoret, em Rift Valley. Alegações de que o doping é frequente no Quénia foram veiculadas pela primeira vez pelo canal de TV alemão ARD antes dos Jogos Olímpicos de 2012.
As autoridades quenianas ficaram furiosas, a princípio, e disseram que o país estava a ser difamado.

Solidariedade
Moçambique leva ténis
e atletismo à Indonésia


Moçambique vai participar nos Jogos de Solidariedade Islâmica a realizar-se este ano na Indonésia com duas modalidades, nomeadamente atletismo e ténis, ao contrário das anteriores edições, nas quais fez-se representar por outras disciplinas desportivas, como a natação. Segundo o jornal “Notícias”, na sua edição de sábado, a participação moçambicana ao evento, para a qual o país é regularmente convidado, vai resumir-se a um número muito limitado de atletas, sendo que em atletismo a Federação Moçambicana de Atletismo propôs três nomes, designadamente Kurt Couto, especialista nos 400 metros barreiras e um dos expoentes nacionais ao nível internacional, Flávio Siohle, 800 e 1500 metros, e Sílvia Panguana, 100 barreiras.

Kurt Couto prepara-se na África do Sul, no âmbito da bolsa da Solidariedade Olímpica, enquanto Flávio Siohle, também baseado naquele país, tem o privilégio de participar nos Mundiais de Atletismo que tiveram início sábado em Moscovo, capital da Rússia. Por último, Sílvia Panguana prepara-se internamente e tem nos “Nacionais” em curso a oportunidade de melhorar a sua performance. Em ténis Moçambique participa com dois atletas, nomeadamente Feliciano dos Santos e Isaac Jorge, apurados num torneio disputado recentemente nos “courts” do Jardim Tunduru, em Maputo.

David Cameron recusa boicote
aos Jogos de Inverno de Sochi


O primeiro-ministro britânico, o conservador David Cameron, descartou sábado a possibilidade de boicotar os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, marcados para Sochi, como protesto à nova lei contra propaganda homossexual do governo russo. “Comparto a tua profunda preocupação com o abuso contra os gays na Rússia, mas creio que podemos fazer melhor participar, em vez de boicotar”, escreveu, na sua página do Twitter, Cameron, em resposta a uma petição do actor britânico Stephen Fry. Fry, que se juntou a outras vozes contra a realização do evento em Sochi, instou o Comité Olímpico Internacional (COI) e Londres a impedir a Rússia de organizar os jogos, devido à sua política contra os homossexuais. Numa carta aberta enviada à imprensa, o actor britânico afirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, está a tratar os homossexuais “como Hitler fez com os judeus”.

Coe também rejeita
Quem também rejeita um boicote aos Jogos Olímpicos do Inverno em Sochi é Sebastian. A medalha de ouro dos 1.500 metros nos Jogos de 1980 afirmou sábado, que a sugestão de um boicote, no ano que vem, é equivocada. Coe, assim como muitos atletas britânicos, desafiou um pedido governamental de boicote aos Jogos de Moscovo em protesto contra a invasão soviética no Afeganistão, e venceu nos 1.500 metros após uma surpreendente derrota contra o compatriota Steve Ovett nos 800m, sua prova favorita.

De volta ao mesmo estádio Luzhniki para o mundial de atletismo 33 anos depois, Coe, membro do conselho da Federação Internacional de Atletismo (IAAF), recusou o pedido de boicote aos jogos, devido a nova lei anti-propaganda gay da Rússia. “Sou contra boicotes. Não acho que conquistem o que pretendem, só prejudicam um grupo - os atletas”, disse Coe, que encabeçou o comité organizador dos jogos de Londres/2012,como  a aposta de muitos para ser o próximo presidente da IAAF. “Desportos internacionais não inibem mudanças sociais, na verdade têm um efeito catalisador”, disse.