Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Brasil enfrenta problemas

17 de Abril, 2014

COI critica responsáveis brasileiors devido aos atrasos que se verificam nos trabalhos para os Jogos Olímpicos de 2016

Fotografia: Reuters

A relação entre a organização do Mundial no Brasil e os dirigentes da FIFA tem passado por momentos de tensão, embora os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro estejam marcados apenas para 2016, situação semelhante está a acontecer com o Comité Olímpico Internacional. Os responsáveis do COI pretendem intervir “contra o atraso e a paralisia política”, na sequência de críticas vindas de 28 Federações em reunião na cidade turca de Belek, mas o prefeito do Rio, Eduardo Paes, resume o posicionamento numa frase: “Importante nestes Jogos Olímpicos sou eu, pois é o prefeito quem assina os compromissos!”

A gerir um orçamento de 2,28 mil milhões de euros no Comité Organizador, Sidney Levy, director-geral da entidade, defendeu que tudo vai estar pronto a tempo, depois das mencionadas federações internacionais questionarem os dirigentes do COI acerca da existência de um plano B para no caso de existirem falhas na construção das estruturas para as competições.

“Cada Federação defende o seu desporto e quer o melhor. Nós temos o compromisso de fazer o melhor. Se tivermos de atender toda e qualquer reivindicação, o Comité vai à falência”, explicou, em entrevista ao diário brasileiro “Folha de São Paulo”. Quanto a Paes, a única preocupação manifestada diz respeito ao chamado complexo de Deodoro, onde vão realizar-se as provas de oito modalidades.

Intervenção de Bach
Uma das preocupações do Comité Olímpico Internacional, manifestada por diversas vezes, é a ausência de um orçamento total, bem como a falta de definição sobre qual vai  ser a entidade governamental responsável pelo investimento público no evento, algo que inclui a segurança, uma das áreas que mais preocupa. Numa recente inspecção à cidade para seguir de perto os preparativos, a equipa do COI solicitou uma reunião que foi sucessivamente adiada e só se concretizou a meio desta semana.

“Não quero analisar hipóteses e temos de ver como vai decorrer o teste do próximo mês de Agosto”, revelou o director executivo do COI, Gilbert Felli.
Preocupado, o germânico Thomas Bach sucessor do belga Jacques Rogge na liderança do COI, reagiu com a adopção de medidas como a nomeação de Felli para monitorizar o trabalho do Comité Organizador e a criação de consultoria especial para decisões de alto nível, que engloba o Governo federal, estadual, municipal e o Comité Organizador.

A fechar a entrevista à referida publicação do Brasil, Levy respondeu ao jornalista que o questionou sobre as críticas: “Isto é um processo, não se trata de críticas. Há muitos interesses envolvidos, o COI, o Governo, as Federações, os atletas, os patrocinadores, etc. Tudo isto apenas vai terminar no final dos Jogos e não pode ser resolvido alguns anos antes. Se alguma coisa se equilibra demasiado cedo é porque algo está errado”, comentou. Do lado do COI são os desequilíbrios a dois anos e meio que preocupam os dirigentes.