Jornal dos Desportos

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Britânico Farah brilha em Portugal

24 de Março, 2015

Fundista britânica não teve concorrentes a altura e venceu a prova

Fotografia: Reuters

Cinco anos depois, de o eritreu Zerzenay Tadesse ter batido o recorde mundial (com 58.23), a Meia-Maratona de Lisboa “comemorou” os  25 anos com dois recordes europeus, da autoria do britânico Mo Farah, que ganhou com 59m 32s, depois de também estabelecer novo máximo nos 20 km, com 56.27. O atleta, de origem somali, mas residente em Inglaterra desde os sete anos, bateu (há meses) o recorde europeu de 1.500 m e ainda há semanas conseguiu o recorde mundial das duas milhas em pista coberta.

Agora correu a meia-maratona e obteve o recorde europeu, que pertencia desde 2001 ao espanhol Fabian Roncero, com 59m 52s em Berlim. Ganhou 28 segundos ao seu recorde pessoal depois de uma corrida cautelosa, em que chegou a estar na quarta posição, afastado do trio da frente. Cedeu aos 8 km, mas por volta dos 18 já se havia colado a Micah Kogo, que entretanto se isolara.

Na recta final, Mo Farah fez valer a sua velocidade, ganhou com aparente facilidade num tempo que o coloca como terceiro do Mundo este ano. O mais surpreendente é o atleta britânico brilhar em distâncias tão díspares como os 1.500 m e a meia-maratona... Os portugueses ficaram longe do top 10. Ricardo Ribas, a preparar a Maratona de Hamburgo, foi o melhor, em 14º lugar, com 1:04.23 horas. Na prova feminina, a queniana Rose Chelimo isolou-se aos 8 km e não mais foi alcançada, chegou com 68m 22s, menos 18 segundos que o seu recorde pessoal.

Sara Moreira fez uma excelente prova, melhorou os seus anteriores 70m 08s de 2010, na favorável meia-maratona de Newcastle (desce acima do permitido), para 69m 18s, marca que a coloca como terceira portuguesa de sempre, a seguir à recordista Dulce Félix (68m 33s nesta mesma prova em 2011) e a Jéssica Augusto (69.13) e um segundo à frente de Fernanda Ribeiro, considerou apenas percursos válidos para efeitos de recordes.
Excelentes perspectivas para a Maratona de Londres que Sara está a preparar.

É, juntamente com o segundo lugar de Dulce Félix no ano do recorde (2011), a melhor posição de atletas nacionais na Meia-Maratona de Lisboa desde o ano 2000. Sara terminou forte, recuperou o atraso que chegou a ter de Priscah Jeptoo, deixou-a depois a três segundos. Menos bem esteve Dulce Félix, que foi a melhor portuguesa nos últimos quatro anos e agora foi quinta, com 1:10.27.

PRESENÇAS

Nova subida assinalável no número de concorrentes classificados na meia-maratona, desta vez 10.555, mais 820 que os 9.735 de há um ano, que era já recorde. Há três anos, em 2012, esse número não chegava aos 7.000! Entretanto, a organização informou que faleceu um atleta alemão no Hospital São Francisco Xavier, após ter recebido assistência médica durante a prova. A morte do atleta de 43 anos deveu-se a "causas cardíacas", segundo uma fonte do Maratona, que lamentou o sucedido.

ATLETISMO
Atletas Etíopes
recebem doação


Um grupo de fisioterapeutas e corredores amadores recolhe, há meses, centenas de tênis desportivos novos e seminovos para entregar a jovens atletas sem recursos, que se formam nos centros de alto rendimento da Etiópia. Este é o principal propósito de um desafio que combina solidariedade e atletismo, impulsionado pelo fisioterapeuta e triatleta espanhol Jordi Reig. Com o título “Runners for Ethiopia”, o projecto está atrás de pessoas para viajar pela Etiópia durante nove dias em Junho, para entregar o material e correr a maratona da cidade de Awasa.

A ideia surgiu em 2013, quando Reig foi convocado para treinar o explorador espanhol Jesús Calleja, que ia participar da maratona de Awasa, cidade a 1.700 metros de altitude. Com esse trabalho, Reig não apenas ficou apaixonado pelo país, como comprovou as péssimas instalações dos centros de alto rendimento.

Reig lembrou, que em um centro de alto rendimento de Bekoji, que visitou havia 52 atletas, 12 não tinham ténis apropriados, além do local não contar com uma maca para massagens, apesar de na Etiópia o atletismo ser o desporto nacional, com figuras de prestígio mundial como os atletas olímpicos Haile Gebrselassie e Kenenisa Bekele.