Jornal dos Desportos

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Brno volta à grelha

14 de Janeiro, 2016

Novo contrato vai até à época de 2020

Fotografia: AFP

O calvário chegou ao fim. O Grande Prémio da República Checa de MotoGP, saiu do sufoco e foi assinado um contrato de longo prazo, para constar do calendário até 2020. A prova de Brno é  das de maior público de toda a época.

A corrida tcheca esteve ameaçada, com a entrada da Áustria na programação, e a retirada de recursos governamentais para a realização da prova. Para salvar o evento, o governo da Morávia do Sul decidiu envolver-se mais uma vez, estendeu o vínculo para a realização do Campeonato Mundial de Motociclismo, por mais quatro anos.   

O novo contrato foi assinado nesta semana, por Carmelo Ezpeleta, director -executivo de Dorna, promotora do Mundial de Motociclismo; Petr Vokrál, prefeito de Brno; e Michal Hasek, governador da Morávia do Sul.

“Um ano atrás, havia uma espessa neblina fora da janela. O nevoeiro também envolvia a futura organização do Grande Prémio”, disse Vokrál. “Estou muito feliz por termos encontrarmos uma maneira de manter a MotoGP, em Brno. Gostaria de agradecer ao Sr. Ezpeleta por um nível incomum de paciência que nos permitiu finalmente, concluir este acordo”, completou.

O Grande Prémio da República Checa de MotoGP, é um evento de motociclismo, que faz parte do Campeonato Mundial. Antes de 1993, a prova era conhecido como GP da Checoslováquia de MotoGP. Desde 1987, a corrida é realizada no novo circuito de Masaryk e o antigo traçado passou a fazer parte das ruas de Brno e redondezas.

BREVE HISTÓRIA
DOS GRANDES PRÉMIOS

O Grande Prémio da República Checa deste ano, vai ser o 47º e está marcado para 21 de Agosto, em Brno. O único traçado que recebeu mais Grandes Prémios do que Brno, é Assen, na Holanda, que acolheu o Dutch TT e cada um dos 67 anos do Campeonato do Mundo. O primeiro GP da Checoslováquia, teve lugar em Brno, em 1965. A corrida de 500cc, foi disputada ao longo de 13 voltas pelos 13,94 km do circuito de estrada, foi ganha por Mike Hailwood (MV Agusta) com um tempo de 1h23m2s.

Em 1975, o circuito foi reduzido para 10,92 km, com o objectivo de melhorar a segurança. A última corrida da categoria - rainha, disputada no circuito de estrada de Brno, foi em 1977 e foi ganha por Johnny Cecotto aos comandos de uma Yamaha. O circuito, foi depois considerado demasiado perigoso, para  máquinas de maior cilindrada. As motos de menor cilindrada, continuaram a competir nos Grandes Prémios no circuito de estrada de Brno até 1982, ano após o qual saiu do calendário por questões de segurança.

O circuito actual foi usado para Grandes Prémios, pela primeira vez em 1987, e recebeu o GP da Checoslováquia até 1991. Brno, não fez parte do calendário em 1992, mas o evento voltou ao Mundial em 1993 como GP da República Checa, e teve lugar em todos os anos desde então. Esta vai ser a 29ª vez que o actual circuito recebe um GP, durante este período, o traçado manteve-se virtualmente inalterado. Em 1996, foram efectuadas pequenas modificações que aumentaram o perímetro de 5,394 km para os actuais 5,403 km.

Desde a introdução das 4 -tempos de MotoGP, em 2002, a Honda conquistou seis vitórias em Brno, a Yamaha cinco e a Ducati duas. Os pilotos Honda venceram em Brno, nos últimos quatro anos, o último piloto Yamaha a vencer foi Jorge Lorenzo em 2010. Houve apenas um piloto checo, a subir ao pódio do actual circuito de Brno, em todas as classes: Lukas Pesek, que foi terceiro na corrida de 125cc de 2007 com uma Derbi.

O melhor resultado de um checo, na classe de MotoGP em Brno, é o nono lugar de Karel Abraham em 2012. Os dois pilotos com maior número de vitórias no actual circuito de Brno, cada um com sete triunfos, são: Max Biaggi (4 x 250cc, 2 x 500cc, 1 x MotoGP) e Valentino Rossi (1x 125cc, 1 x 250cc, 1 x 500cc, 4 x MotoGP).

O último piloto que se qualificou na pole e venceu a corrida de MotoGP em Brno, foi Valentino Rossi em 2009. Desde esse ano, nenhum piloto que se tenha qualificado melhor que terceiro, ganhou a corrida de MotoGP em Brno. Dani Pedrosa venceu a corrida de MotoGP, do ano passado em Brno, colocou ponto final numa sequência de dez vitórias seguidas de Marc Márquez.

CASEY STONER
“Rossi arruinou o campeonato”

A nova época está às portas, mas o ano de 2015 continua a fazer “mossa” entre os experts. Agora é a vez do piloto de testes da Ducati, Casey Stoner, levantar a "poeira". O australiano afirmou, que embora Valentino Rossi tenha feito uma época fantástica, Jorge Lorenzo mereceu o título.

Antes da final de Valência, a classe - rainha, foi transformada numa questão confusão. Valentino Rossi acusou Marc Márquez de actuar a favor do Jorge Lorenzo. O italiano dominou o Mundial quase que de ponta a ponta, mas viu a sorte virar-se na etapa final, quando espanhol facturou o título com cinco pontos de vantagem.

A acusação de Rossi culminou num confronto directo com Márquez, em Sepang, que levou o piloto da Honda ao chão e o da Yamaha no fundo da grelha de Valência por conta de uma punição.

“Valentino fez um campeonato fantástico. Ninguém esperava que pilotasse nesse nível desde a primeira corrida, mas não há dúvida de que Jorge é um campeão justo. O pilotou melhor e venceu mais corridas”, disse Stoner em entrevista à publicação britânica ‘Motorcycle News’. O bicampeão lembrou, que Rossi lutou pelo título na etapa final duas vezes, e perdeu nas duas ocasiões.

Em 2006, no mesmo circuito Ricardo Tormo, Nicky Hayden virou o jogo para cima do italiano de Tavullia e conquistou o seu único título, na elite do motociclismo. “Só tem uma estatística que conta. Valentino só foi levado para a último, na corrida do campeonato por duas vezes e perdeu-as: sob pressão em Valência, em 2006, e neste ano”, lembrou.

“Valentino sempre venceu os seus campeonatos, com grandes margens de pontos ou com pelo menos uma corrida de vantagem, mas neste ano, Jorge tinha um momento nas etapas finais”, ponderou. “Mesmo sem a punição de Valentino, na grelha de Valência, Jorge ainda teria vencido o título”, opinou.
A manter uma relação nada amistosa com Valentino Rossi, Casey Stoner disse que consegue entender a frustração do italiano, na Malásia, mas esperava que o multicampeão soubesse manter a cabeça fria. “Entendo o motivo de Valentino estar frustrado, em Sepang, mas perdeu a cabeça. Esperava ver uma cabeça mais inteligente em ombros tão experientes. Valentino arruinou o seu próprio campeonato”, atiçou.

Stoner ressaltou que “quando um piloto tão rápido quanto Jorge encontra o seu momento em Valência, é muito muito difícil ultrapassar”. Em cinco das últimas nove corridas, em Valência, o vencedor liderou todas as voltas. “Marc Márquez, nunca esteve perto o bastante, para atacar Jorge. Mas imagina se atacasse e tirasse o Jorge, aí teria ainda mais ódio em sua direcção”, concluiu.

AMBIENTE PERIGOSO
Fãs de Marc Márquez evitam Itália

A rivalidade entre Valentino Rossi e Marc Márquez, uma das tónicas da época 2015 da MotoGP, não pára de render frutos. Agora, o novo capítulo da novela envolve também os fãs dos dois: com medo de uma recepção hostil em Itália, terra de Rossi, fãs de Márquez anunciaram que não vão à etapa de Mugello, palco do "GP carcamano".

O anúncio veio de um comunicado, do fã -clube italiano, de Márquez. O grupo relatou um clima hostil ao longo de 2015.“É uma pena que tenhamos de tomar essa decisão drástica, mas a situação no momento não é boa, e o ambiente é realmente perigoso. Achamos uma pena, que os fãs não possam torcer livremente pelo seu piloto, sem o risco de serem ameaçados, molestados com objectos ou cuspidelas. Infelizmente, chegamos a esse ponto”, disse o comunicado.

O ambiente ruim, entre os pilotos e os seus fãs, é consequência de um turbulento fim de época em 2015. No GP da Malásia, um toque polémico entre Rossi e Márquez resultou numa punição a Valentino, que o levou a largar em último, na corrida final da época. A largar do fundo, Rossi conseguiu escalar até o quarto lugar, resultado insuficiente para ser campeão. A vitória sorriu a Jorge Lorenzo.

“Essa decisão foi tomada pelos membros. Esperamos que entendam. Já no ano passado, recebemos ameaças em Mugello e Misano, sem mencionar as cuspidelas. Infelizmente, existem fãs de piloto que não entendem o processo desportivo. A rivalidade entre pilotos não precisa levar ao confronto contínuo, entre fãs, nas bancadas”, continuou o comunicado. A presença, dos fã -clube em Misano, ainda não foi descartada. A pista, apesar de sediar o GP de San Marino, também fica em território italiano.

DUCATI
Australiano nega
regresso às pistas

De volta à Ducati, agora como piloto de testes, Casey Stoner afirmou que não há planos para participações especiais em algumas etapas, nesta época da MotoGP e descartou qualquer possibilidade dum regresso integral à grelha da principal categoria do  motociclismo no mundo. Stoner deixou as pistas no fim de 2012, mas continuou a auxiliar a Honda, no desenvolvimento da moto laranja. No fim do ano passado, anunciou o fim do vínculo com a fabricante japonesa, para assumir também o cargo de embaixador na equipa italiana com qual obteve o seu primeiro título na classe rainha, em 2007.

Em entrevista à revista 'Motosprint', o australiano afirmou que não tinha "nenhum plano no momento". "Estou perfeitamente consciente, de que se quisesse correr, a Ducati colocaria tudo à minha disposição, imediatamente. No entanto, por ora só temos definido mesmo, um número determinado de testes", completou.

A equipa de Borgo Panigale não vence uma prova, desde 2010, quando o próprio Stoner conquistou o Grande Prémio da Austrália, em Phillip Island. Agora, tenta com a ajuda do bicampeão voltar ao topo, e lutar com Yamaha e Honda. "Tenho uma tarefa, que também se tornou um objectivo: quero trabalhar bem com Gigi Dall'Igna (chefe da Ducati), ajudar os engenheiros e os pilotos no desenvolvimento da moto.

A minha meta é contribuir o melhor possível e ajudar a Ducati a vencer corridas de novo", afirmou o piloto de 30 anos. Stoner também voltou a falar sobre a sua precoce aposentação do desporto e garantiu que "não há arrependimentos". O australiano disse que não pensa em voltar.

"Digo com toda a certeza: não vou voltar a correr regularmente. Quando você decide correr naquele nível, precisa estar sempre no limite. Portanto, arriscar tudo o tempo inteiro. Uma vez que consegue sair da bolha, que envolve a MotoGP, percebe o quanto as pessoas dão importância a esse pequeno mundo das corridas. Para mim, há coisas mais importantes. A vida que tenho agora, com a minha família, conta mais", encerrou.