Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Bruxaria no desporto angolano

Jo?o Francisco - 10 de Julho, 2017

Ministro da Juventude e Desportos (ao centro) desvaloriza

Fotografia: José Soares | Edições Novembro

A bruxaria no desporto é um tema que se ouve em qualquer esquina de Luanda, quando se depara com quem conhece um pouco dessa história. Milhares de exemplos chegam ao público, quando a Rádio Cinco trata de dialogar com os mais velhos aos sábados, no programa a \"Voz dos Cotas\". São relatos que levam à imaginação de qualquer ouvinte, de qualquer homem. É um fenómeno antigo, tão velho como o desporto angolano.

Nos últimos dias, \"a bruxaria no desporto\" é manchete da comunicação social portuguesa desde que despoletou \"O caso dos E-mails\" publicado pelo director de comunicação de futebol do FC do Porto.

O responsável acusa o Sport Lisboa e Benfica de ter recorrido durante muito tempo a serviços de bruxaria de um suposto quimbandeiro (bruxo) da Guiné-Bissau para ganhar os títulos de campeão de futebol. Pela primeira vez, o clube encarnado é tetra-campeão. Mesmo com o processo entregue às instâncias judiciais de Portugal para averiguação, \"muita tinta está a correr debaixo da ponte\".

Em Angola, uma voz autorizada para abordar sobre o passado do desporto nacional é Albino José da Conceição. Na qualidade de cidadão, afirmou que num passado recente foi testemunha de várias tentativas de \"bruxaria  no desporto\". Pelo carácter pessoal e dirigente desportivo, nunca se deixou levar pelos mentores da ideia, quando acompanhava as missões nacionais.

Em entrevista à Rádio Romântica, no último sábado, Albino José da Conceição abordou diversos aspectos e temas como cidadão e como Ministro da Juventude e Desportos. Sobre \"a bruxaria no desporto\", Albino da Conceição tirou do seu baú de memória um facto único: uma das selecções nacionais competia nas provas internacionais. Para que a mesma se tornasse campeã, foi contactado para desembolsar 600 mil dólares norte-americanos pelos \"serviços de bruxaria\". Pelo valor alto e o interesse dos mentores, Albino da Conceição disse que recusou \"peremptoriamente\" por não acreditar em \"recursos sobrenaturais\".

Um outro facto revelado ocorreu no jogo de futebol entre Angola e Etiópia. Albino da Conceição recordou que o suposto quimbandeiro (bruxo) obrigava todos os jogadores nacionais a tomar banho com o mesmo sabonete para que ganhasse o jogo.

Para Albino da Conceição, as cenas de suposta \"bruxaria no desporto\" não aconteceram apenas no futebol. Existem relatos ou histórias também no basquetebol e atletismo. Nessa última, a exigência era a colocação de folhas nas meias. Outros rituais passam por usar sempre o mesmo equipamento, roupas ou meias.

Albino da Conceição reiterou que \"só acredita nas forças sobrenaturais quem não conhece o desporto como uma verdadeira ciência ou sector que tem as suas valências como qualquer outra\".

Em tom de brincadeira, o Ministro da Juventude e Desporto rematou que o continente africano tem sido sempre fértil neste tipo de coisas. \"Na verdade, o bruxo é quase sempre africano. Espero que esses \'cientistas\' do sobrenatural impulsionem o continente\", concluiu com sorriso.