Jornal dos Desportos

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Button critica aumento de corridas

18 de Dezembro, 2015

Button também se preocupa com a quantidade de corridas consecutivas durante o ano

Fotografia: AFP

Jenson Button declarou que um calendário com mais de 21 corridas seria ruim para os engenheiros e mecânicos. O piloto britânico admitiu que se dependesse dele poderia haver corridas todo final de semana, no entanto, a equipa que trabalha nos bastidores terá muito mais trabalho caso a Fórmula 1 opte por incluir mais circuitos durante o ano.

“Para mim é óptimo. Eu viajo na quinta para as corridas europeias e volto na noite do domingo, ao contrário dos mecânicos que trabalham durante longas horas. Eles passam muito tempo fora de casa, essas 21 corridas serão difíceis. É difícil para qualquer mecânico ou engenheiro ter uma relação com outra pessoa neste momento”, disse Button, mostrando preocupação com a vide pessoal das pessoas que ajudam a fazer a Fórmula 1.

Além dos circuitos já existentes no calendário, em 2016 entrarão dois novos traçados: o da Alemanha, que ficou um ano longe da categoria, e o circuito de rua de Baku, no Azerbaijão. Com o aumento, Button também se preocupa com a quantidade de corridas consecutivas durante o ano. É possível que as equipas passem até duas semanas sem poder voltar para casa.

“Para esses caras não será fácil. Eu espero que não cresça o número de corridas em 2017, porque eu acho que será demais. Essa temporada foi longa para as equipas. A primeira corrida do ano que vem será tarde, o que implica que haverá seguidos fins de semana de corridas. Com isso, mecânicos, engenheiros e o restante da equipa pode ficar duas semanas sem voltar para a casa, o que é bem cansativo”, comentou.

“Espero que o desporto não mude sua essência, mas acredito que haverá menos pessoas interessadas em continuar trabalhando nas equipas com esse formato. Você terá novas pessoas vindo trabalhar depois de um ano talvez, o que é uma vergonha porque é muito legal o ambiente de trabalhar com pessoas que você conhece há anos”, finalizou o britânico.

RICCIARDO EXALTA
APOSTA DE VETTEL

Daniel Ricciardo e Sebastian Vettel foram colegas de equipa apenas na temporada de 2014 da Fórmula 1, mas foi o suficiente para que o australiano criasse vínculo com o tetracampeão mundial. Segundo o piloto da Red Bull Racing, o alemão tomou uma boa escolha ao assinar com a Ferrari.

“O Seb teve que evoluir diante de um 2014 ruim para seus padrões. Encontrou um novo sopro de energia e vida na Ferrari, e correu com essa oportunidade”, comentou o actual companheiro de Daniil Kvyat.

Desde o último título mundial de Vettel, em 2013, a Mercedes conquistou a dobradinha com Lewis Hamilton. Por isso, em sua avaliação da próxima temporada, Ricciardo admite que a construtora alemã ainda leva vantagem.

“A Mercedes ainda é a equipa a ser batido em 2016, tenho certeza disso. A Ferrari está interessante, eles tiveram um grande passo nesse ano. Se conseguirem outro como esse, podem chegar em boa forma para brigar com a Mercedes”, ponderou o australiano.

O calendário de 2015 foi encerrado com Kvyat e Ricciardo ocupando a sétima e oitava colocações, respectivamente. “Eu acho que Dany e eu tivemos uma temporada sólida. Começamos um pouco devagar, mas ele se recuperou bem e manteve isso”, analisou.


Entendimento
Crise política
paralisa categoria


Foi em Setembro que Bernie Ecclestone e o presidente da Ferrari, Sergio Marchionne, apertaram as mãos em Monza diante de um batalhão de fotógrafos. A cena virou improvável pouco mais de três meses depois. A troca de mimos entre os dois na última semana mostra que a luta pelo poder da Fórmula 1 anda quente. O que obviamente é muito ruim para a categoria.

De um lado, Bernie Ecclestone ganhou o apoio de Jean Todt. Uma manobra no Conselho Mundial da FIA deu à dupla poderes “unilaterais” para tomar as decisões que julgarem melhores para a F-1. A Ferrari foi a única parte envolvida na reunião que votou contra.

A equipa italiana é aliado da Mercedes na outra ponta dessa luta. As equipas ganharam poder de decisão depois que o próprio Bernie Ecclestone foi lhes dando mais direitos. Querem agora ditar os rumos da categoria, especialmente no que diz respeito à fatia que recebem na divisão dos lucros bilionários do desporto.

Ecclestone desafiou a Ferrari a questionar na justiça o “golpe de estado” que lhe deu plenos poderes no Conselho da FIA. “Se houver um juiz arbitrando o caso, ganharemos fácil”, garantiu.

Marchionne não está convencido disso. Criticou os caminhos actuais da categoria e afirmou que não há como a categoria deixar de lado os motores híbridos – uma das “ameaças” de Ecclestone.

Este tiroteio acontece num momento em que o desporto mais precisa de um comando forte, que tome as decisões necessárias para ele voltar a crescer. Se por um lado não dá para confiar que Ferrari e Mercedes não criarão um modelo que só beneficie equipas com rios de dinheiro para gastar (ou seja, eles mesmos), também não dá para imaginar que é Ecclestone que vai resolver a situação – afinal, foi ele quem a criou.

Nos últimos tempos os dois responsáveis do automobilismo têm trocado acusações sobre as novas regras.