Jornal dos Desportos

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Button lamenta fraquezas da McLaren

02 de Junho, 2015

Button lamenta fraquezas da McLaren

Fotografia: AFP

Depois de marcar os primeiros pontos da McLaren na temporada no GP de Mónaco, o britânico Jenson Button não está tão optimista em relação às expectativas da equipa para a próxima corrida. Ele acredita que o GP do Canadá não é nada favorável para a equipa. Cauteloso com o desempenho da equipa de Woking em Montreal, Button acredita que o circuito canadiano explora as principais deficiências do carro, já que favorece aqueles que têm melhores motores. Para piorar, a situação deve  repetir-se nas duas corridas seguintes.

Na sequência do GP canadiano, o circo da F1 vai seguir para a Áustria, no Red Bull Ring, e na sequência vai competir no mítico circuito de Silverstone.
“Gostamos de correr no Canadá, mas não vai ser fácil fazer pontos. Depois vamos para a Áustria, onde teremos algumas actualizações no carro. Espero que tenhamos melhores desempenhos e sejamos cada vez mais consistentes até o fim do ano”, comentou Button.O piloto britânico tem aprovado a evolução da McLaren na temporada, ainda que a equipa não esteja a lutar pelos primeiros lugares.

“Na primeira corrida estávamos lá no fundo e agora já estamos a classificarmo-nos bem mais à frente. Toda corrida temos uma melhoria e o carro tem evoluído com o tempo”, afirmou. Button declarou que apesar de não lutar por vitórias, as evoluções do carro têm deixado ele e o companheiro Fernando Alonso animados para o futuro. “Se você não luta pelas vitórias ao menos tem de lutar até o fim e é isso que fazemos. As coisas estão a evoluir e não é apenas nos tempos das voltas”, disse o britânico.

CONSTATAÇÃO
Director da Williams descarta lutar por vitórias

Embora seja a terceira força na actual temporada da F1, a Williams parece que não vai lutar por vitórias em 2015. Pelo menos, é isso em que acredita o director de engenharia da equipa do brasileiro Felipe Massa e do finlandês Valtteri Bottas. Para Pat Symonds, a equipa não está em posição de tentar vitórias nas corridas.

“Estamos em posição de vencer corridas? Não, não temos”, disse Symonds em entrevista ao Sky Sports F1. “Em 2015, temos duas equipas na nossa frente, uma significantemente na frente e outra que nos permite discutir por algo quando as coisas dão errado para eles”, avaliou o director que falava sobre Mercedes e Ferrari.

“No ano passado estávamos na mesma situação, mas naquela temporada quando a Mercedes vacilava quem estava logo atrás era a Red Bull”, acrescentou Symonds.Apesar de não prever sucesso a curto prazo, Symonds acredita que a Williams esteja a ir no caminho certo. “Não estamos onde gostaríamos, pois queremos lutar pelas vitórias e é para isso que trabalhamos a longo prazo”, afirmou o director da equipa britânica.

“Eu acho que podemos ter sucesso nessa empreitada se trabalharmos bem. Não se trata de algo aleatório, a tentar qualquer coisa para ver se dá certo. Estamos a planear  melhorar a nossa competitividade, pode-se assim brigar por vitórias no futuro", finalizou.

Na presente época
Brasileiro Nasr mostra serviço


O brasileiro Felipe Nasr não é apenas o estreante com o maior número de pontos depois de seis etapas disputadas no mundial de Fórmula 1. O brasileiro somou 17 posições ganhas entre a posição de largada e de chegada até agora, superou o espanhol Roberto Merhi, da Marrusia, que não briga directamente por ultrapassagens durante a prova pelo mau desempenho de seu carro, lucra apenas com quebras. Até o último GP, contudo, o líder do ranking era Kimi Raikkonen, da Ferrari, considerada a segunda melhor equipa do calendário.

Nasr, que sempre demonstrou ser um piloto que cresce nas corridas em relação à classificação, acredita que essa é uma boa estatística para se ter no currículo. “Acho que é uma combinação. As primeiras voltas são muito importantes e eu acho que consigo aproveitá-las bem. Mas você tem de contar com a sorte também. É algo bom para ter, é um bom status”, afirmou ao UOL Esporte. “Todas as oportunidades que eu tenho tido, eu estou a sentir-me pronto a aproveitar. O que aconteceu em ó[quando largou em 14º e chegou em nono.

Se todos tivessem terminado a prova, eu teria terminado, talvez, no mesmo lugar.” O facto não  passa despercebido à equipa Sauber, como revelou  a chefe da equipa, Monisha Kaltenborn.  “O que vemos em Felipe é o quão maduro ele é. Ás vezes vemos uma queda de rendimento e pensamos ‘o que é, uma queda de temperatura?’. Mas estamos a aprender, a cada corrida como ele pensa. Porque não é algo que ele pode  dizer-nos. É algo que entendemos por meio das experiências que temos - o que é vice-versa, pois ele também  entende-nos melhor”.

REVELAÇÃO
Dia em que Ayrton Senna bateu

Imagine um piloto novato, a fazer apenas a sua nona etapa na Fórmula 1, a chegar nas boxes da sua equipa depois de abandonar por quebrar a roda num toque no muro e falar com todas as letras: “O muro deve ter se movido, por isso eu bati”. Mas não era um qualquer. Era Ayrton Senna. E ele estava certo. A história do GP de Dallas, nos Estados Unidos, de 1984, ficou guardada na memória do engenheiro Pat Symonds, então na Toleman e hoje director técnico da Williams.

“Tínhamos um carro muito bom naquele momento, usávamos os pneus Michelin e estávamos muito competitivos. Na corrida, ele fez uma boa largada, rodou e estava a abrir caminho no pelotão quando tocou no muro, danificou a roda e teve de abandonar”, contou o inglês em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

“Quando voltou para os pits, perguntei-lhe o que tinha acontecido e ele disse: ‘eu toquei no muro, o muro deve ter-se mexido’. E eu disse ‘não seja ridículo, Ayrton!’. Mas ele tinha muita certeza de que o muro tinha mexido e manteve a história.” Depois que a corrida terminou, Senna continuava a manter a  versão com o ocorrido, então ele e Symonds foram para a pista testar o local onde o brasileiro tinha tocado o muro.

“Era um circuito de rua, então eles usaram blocos de betão para delimitar a pista. O que vi quando cheguei ao lugar onde ele tinha batido foi que um dos blocos estava em um ângulo diferente dos outros, por uns 3mm. Alguém devia ter tocado antes e o bloco  mexeu-se. E Ayrton estava a pilotar de maneira tão precisa que acabou por tocar.”

Até ontem, quase 31 anos depois, a história ficou marcada para Symonds. Para o engenheiro, aquela auto-confiança mostrada por Senna quando ele ainda dava seus primeiros passos na Fórmula 1, aos 24 anos, foi  a marca registada ao longo da carreira.