Jornal dos Desportos

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Cabindenses ressurgem das cinzas

J?lio Gaiano | No Lobito - 14 de Janeiro, 2017

Jovens dominam as técnicas de andebol em Cabinda

Fotografia: José Cola

A província de Cabinda está há mais de dez anos, sem a actividade de andebol, ao mais alto nível. A estagnação deve-se à desatenção, associado ao fraco apoio prestados pelas entidades do governo e da classe empresarial local. A constatação é de Bouanga Jean Marie, presidente da Associação Provincial de Andebol de Cabinda.

“Durante o período de ausência, a prática do andebol cabindense estava limitada a algumas escolas do ensino secundário. Os antigos praticantes ligados ao processo do ensino -aprendizagem deram vida à modalidade. Era um trabalho marcado por limitações acentuadas, derivado da falta de dinheiro", justificou.

Bouanga Jean Marie assegurou ao Jornal dos Desportos, que "contactado para apoiar o governo local, alegou a crise financeira e o empresariado resguardou-se por desconhecimento aparente  do andebol”, revelou.

Bouanga Jean Marie teceu fortes elogios à direcção do Sporting de Cabinda, e a do Pai Djock, pelo trabalho que desenvolvem em prol do andebol. Nos últimos quatro anos, o número de praticantes subiu consideravelmente, na província, fruto da política adoptada pelos clubes, de acordo com o dirigente.

O Sporting de Cabinda e o Pai Djock reúnem no seu seio centenas de crianças recrutadas nas diferentes escolas e bairros, para aprenderem o ABC do andebol.

“O trabalho de massificação começou há quatro anos, com os iniciados. Mesmo sem os apoios desejáveis para este tipo de trabalho, os frutos começam a aparecer. Aos poucos, vamos colhê-los e aproveitá-los da melhor maneira. A participação do Sporting de Cabinda no ‘nacional’ masculino, que decorre na província de Benguela, é prova disso”, referiu.

AUSÊNCIA DO FEMININO
Jean Marie justificou que a ausência da equipa feminina do Sporting na prova de Benguela  deve-se à precocidade. "A direcção do Sporting Clube Petróleos de Cabinda julga inoportuna lançar as meninas numa competição, de que careciam de mais trabalho de fundo", disse.

O responsável associativo reiterou que “a equipa é muito nova e revela fraca capacidade técnica e táctica. Grande parte das atletas ascenderam ao escalão de juvenil, apenas este ano, o de 2017”.

“Com alguma razão, a direcção do Sporting decidiu não participar com a equipa por revelar imaturidade acentuada. Entenderam trabalhar mais um pouco nos fundamentos tácticos e técnicos, e preparar as atletas do ponto de vista anímico, para  próximas aventuras", disse.

Bouanga Jean Marie asseverou que " colocá-las nessa fase de assimilação do ABC, era forçá-las a queimar uma etapa, e acabar com o espírito e a crença que lhes são incutidas no andebol”.

Jean Marie precisou que a posição tomada pela direcção leonina foi a mais acertada e bastante inteligente para com as crianças, que procuram tornar-se vedeta do andebol nacional.

Pai Djock representa
Cabinda em Malanje


O Pai Djock de Cabinda tem a participação assegurada para os campeonatos nacionais de andebol júnior em masculino e feminino a decorrer na cidade de Malange, a partir de 20 do corrente, apurou o Jornal dos Desportos de Bouanga Jean Marie, presidente da Associação de Andebol da província mais a Norte.

“A par desta colectividade, estamos a estudar a possibilidade de participar também com um Misto na classe masculina. Apesar de o governo não poder apoiar, estamos a bater às portas das pessoas que podem ajudar-nos nesse sentido. Queremos estar em Malange com duas equipas (masculina e feminina) para testar o trabalho realizado ao longo dos últimos quatro anos”, sublinhou.

Jean Marie diz acreditar no bom senso da sociedade cabindense. A pretensão é ver os jovens a competir com equipas maiores e dotadas de grande experiência técnica e táctica. A presença do Misto masculino, mesmo com menor número de jogo, visa explorar a força colectiva, segundo o dirigente.

“Na nossa reaparição, o importante é colocar os rapazes a competirem ao mais alto nível. O contacto com as outras realidades andebolísticas vai fazer-lhes muito bem. Vão melhorar a auto-estima e incentivar outros garotos a abraçar o andebol. Daí a razão imperiosa de juntarmos o dinheiro para o Misto competir em Malange”, reforçou.

Sobre a hipótese de o Pai Djock triunfar em Malange, Jean Marie disse ser prematuro avançar com esse propósito. No seu entender, a equipa é nova e carece de rodagem competitiva. Em comparação com as demais formações a enfrentar na prova, a equipa de Cabinda é a mais inexperiente. Realça que o importante é mostrar o trabalho interno desenvolvido na província, dez anos depois de ausência.

“Este é o ganho que podemos colher no campeonato. Mesmo assim, se nos deixarem jogar e tivermos a oportunidade de fazer melhor, vamos avançar e marcar a diferença. As vitórias animam o grupo e é o que almejamos para as nossas equipas”, augurou.

Até 2005, a província de Cabinda pontificou-se nos lugares cimeiros do andebol nacional. Rivalizou com Luanda e Benguela. Dez anos depois de sonolência, a Associação revitaliza o projecto de massificação nas escolas, no Pai Djock e no Sporting. Sob a chancela da Associação local, foi criado um núcleo que movimenta uma centena de petizes a aprender o ABC do andebol masculino e feminino.


 

INFRA-ESTRUTURAS
Associação reclama investimento público  


A falta das infra-estruturas desportivas à altura do exigível afecta negativamente a massificação e a dinamização do andebol na província de Cabinda. O presidente da Associação local, Bouanga Jean Marie, lamenta a situação e responsabiliza o governo provincial pelo avançado estado de degradação e de abandono da grande parte das infra-estruturas.

“A província está despida de infra-estrutura para a prática do desporto de salão. As que existem carecem de reabilitação e de reestruturação profunda. O governo local diz não ter dinheiro para intervir nas mesmas.

A crise virou a justificativa das pessoas. Para mim, essas desculpas não pegam. O problema perdura há mais tempo, isto é, antes da anunciada crise financeira”, revelou.

O dirigente do andebol cabindense acrescentou que faltou o interesse da entidades afins do governo local. Com algum esforço, podia-se evitar o pior e as infra-estruturas continuariam preservadas e prontas para serem usadas.

“Deixaram as coisas estragarem-se e o tempo passou. Agora, estamos em falta. Alguém terá de responder por essa situação vivida em Cabinda. Sem infra-estrutura adequada, ficamos limitados. O resultado não pode ser o mais ajustado”, lamentou.

Aquando da realização do Afrobasket 2007 e dos Campeonatos Africanos de Andebol masculino e feminino, em 2008, para além do pavilhão gimnodesportivo, que albergou os jogos da série de Cabinda, o Estado angolano ergueu um pavilhão para treinos das selecções e reabilitou vários campos polidesportivos nos diferentes pontos da província. O pavilhão do Sporting de Cabinda também foi beneficiado pela intervenção do Estado. Dez anos depois, chegam notícias deveras desoladoras!        
JÚLIO GAIANO | NO LOBITO