Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
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Campeo por conta prpria

03 de Setembro, 2018

Trinta e sete anos depois os militares voltam a ser tri-campeões nacionais. Muitas das pessoas que assistiram a primeira consagração, encontram-se hoje na reforma ou próximo disso. É uma vida, de facto. O novo ciclo, embora contestado por alguns adeptos, a maioria dos quais de clubes rivais, não devia surpreender a muitos. Ninguém duvida que os militares sejam a melhor equipa  do futebol nacional, explica isso a prestação nas Afrotaças, as conquistas havidas nos escalões de formação e a quantidade de jogadores que vão colocando ano sim ano não. No Girabola2018 ganhou aos principais concorrentes ao título, Petro de Luanda e o Interclube. As suspeitas de que tenha sido levado ao colo pelos árbitros, precisaria de outros argumentos para ser levada a sério. Como se explica que uma equipa que empata por 12 vezes seja beneficiada pelos árbitros. A curta diferença pontual é também um elemento de análise. Foi no confronto directo, que os tricolores perderam o título, e nada mais. Na hora do balanço é preciso incluir também que poucos clubes possuem jogadores da dimensão de Geraldo, Ibukun e Bobo, assistidos por outros não menos desprezíveis. Esses fizeram a diferença, no Girabola como nas Afrotaças. Por isso, é preciso recolher para um balde de lixo esses argumentos dos árbitros e procurar outros, convincentes e capazes de desmontar os que avançamos para considerar o 1 de Agosto campeão de facto. Equipa que fez por merecer em campo, sem com isso colocar de parte que as outras equipas, como o Petro de Luanda, possa ter sido prejudicado num ou noutro jogo. Os militares também sentiram isso na pele. Como é  possível esquecer o jogo com o Progresso, nos Coqueiros. Retirar o mérito ao 1 de Agosto não pode ser sensato. Concordo com as pessoas que defendem uma refundação da prova, uma ruptura com o actual figurino amador para o profissionalismo. Os outros já estão a usar o VAR e por cá ainda é um sonho. Esse recurso, é hoje um instrumento que impõe alguma verdade desportiva, reduz as artimanhas de qualquer arbitragem. Porque não investir nesses equipamentos e recuperar a credibilidade do futebol nacional? A pergunta talvez seja de onde virá o dinheiro. É certo que este figurino amador não traz dinheiro. Teixeira Câdindo