Jornal dos Desportos

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Campees criticam alteraes na prova

08 de Março, 2016

A poca de 2016 comea com o GP da Austrlia, dia 20 de Maro em Melbourne

Fotografia: AFP

Os testes da pré-temporada da Fórmula 1 costumam ser marcados pelo optimismo pelo início de mais um campeonato, mas em 2016 a história tem sido diferente: descontentes com os rumos das categorias, os pilotos promoveram uma enxurrada de críticas e cobraram mudanças dos dirigentes.

"Estou triste", afirmou Fernando Alonso ao comentar sobre a nova classificação, adotada sem que os pilotos fossem consultados. "Triste pelo desporto porque a imagem que passamos não está correcta quando, em uma semana, mudamos o formato de classificação três vezes. Ou fingimos que mudamos. Ninguém oficializa nada", reclamou o espanhol, que defende que a categoria seja mais simples.

"Há mudanças demais. A complexidade das regras para o espectador também é muito alta. Quando você é quarto numa corrida e com três voltas para o fim precisa parar porque tem de colocar outro composto de pneu… são coisas assim que fazem pessoas normais desligarem a TV."

O tetracampeão Sebastian Vettel concorda. "Acho um pouco caótico você reinventar certas regras algumas semanas antes do campeonato começar; Não gosto do novo sistema e acredito, falando em nome dos pilotos, que não havia nada errado com o modelo anterior. É importante que o desporto continue a ser um desporto.

Posso ver a emoção das pessoas pelo imponderável, mas acho importante o desporto permanecer como desporto para que no fim, o piloto mais rápido leve à melhor." Nem mesmo o campeão das duas últimas temporadas, Lewis Hamilton, está contente com a categoria.

Quando perguntado se a Fórmula 1 estava "doente e sem direcção", o inglês disse que concordava, mas não queria falar sobre o assunto. O piloto, contudo, disse que acha a "MotoGP muito mais emocionante de ver, simplesmente porque as disputas são mais próximas."Outro que está descontente com o actual estado da categoria é Jenson Button, piloto com maior número de corridas no grid e que está indo para sua 17ª temporada na categoria.

"A Fórmula 1 precisa ser barulhenta e loucamente rápida. Precisa ser quase intocável, inatingível para as pessoas. E não é no momento. Os pilotos da GP2 estão a andar dois ou três segundos mais lentos que nós. O degrau precisa ser mais alto", defendeu o campeão de 2009, que vê uma luz no fundo do túnel com as mudanças que estão a ser propostas para 2017.

"Tomara que ano que vem as novas regras devolvam um pouco disso, mas acho que precisamos de mais barulho. Se tivermos mais aderência mecânica, as corridas serão óptimas e os carros vão ser muito mais rápidos nas curvas, o que é bom porque, nesse caso, a preparação física dos pilotos será importante e o piloto poderá ser um factor limitante nas curvas, o que é exatamente do que o desporto precisa."

PERSPECTIVA
Ferrari pode surpreender no início do campeonato


A Fórmula 1 vai para a abertura do Mundial de 2016, na Austrália, com algumas perguntas ainda para serem respondidas. A pré-temporada trouxe uma Mercedes forte, como esperado, absolutamente focada na confiabilidade e colhendo os frutos deste trabalho sendo a equipa que mais acumulou quilometragem.

Mas a equipa alemã ainda não mostrou o potencial máximo do F1 W07. Em oito dias de testes, a equipa andou apenas com os compostos médio e macio de pneus. O resto já fez experiências com o supermacio e o ultramacio – este último uma novidade nesta temporada. Assim, o melhor tempo absoluto dos testes feito por Kimi Raikkonen, 1min22s765, deve ser relativizado pois foi feito com o ultramacio.

Mas é interessante observar que há um equilíbrio nos melhores tempos marcados com os pneus macios – o composto que deve ser o mais utilizado ao longo do ano. Raikkonen (1min23s009), Nico Rosberg (1min23s022) e Felipe Massa com a Williams (1min23s193) fizeram tempos separados por menos de dois décimos de segundo.

Ninguém sabe o volume de combustível de cada carro nestas voltas, mas alguns colegas que estiveram em Barcelona relataram a impressão de uma Ferrari muito próxima da Mercedes, com a Williams um pouco mais atrás, mas a menos de meio segundo.

É uma hipótese surpreendente, tendo em vista que a Mercedes encerrou o ano passado com uma vantagem em torno de sete décimos numa volta rápida em relação ao resto. Vai ser bom conferir os resultados do treino de classificação em Melbourne – a primeira vez no ano em que todos vão à pista com o mesmo volume de combustível.