Jornal dos Desportos

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Modalidades

Campeonato Nacional apura finalistas

Gaudêncio Hamelay, no Lubango - 25 de Agosto, 2016

Atirador ocupou último lugar da tabela de classificação do torneio olímpico

Fotografia: Dombele Bernado

O campeão nacional de fosso olímpico, Paulo Silva, direcciona as suas atenções para a disputa da sexta jornada do Campeonato Nacional de Fosso Olímpico que o campo do Clube de tiro e Pescas do Lubango vai acolher nos dias 26, 27 e 28 do presente,  denominado Grande Prémio Nossa Senhora do Monte, no âmbito das festividade da cidade.

Desde ontem na capital do país, vindo do Brasil, onde participou no torneio de fosso olímpico dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, Paulo Silva regressa a província da Huíla motivado em defender as cores do clube 1º de Agosto na empreitada que vai reunir a nata de atiradores nas terras altas da Chela em busca da melhoria na classificação geral da época 2016.

Em virtude de ter rumado para o Rio de Janeiro sem disputar a final da quinta jornada, realizada dia 31 do pretérito mês de Julho para comemorar o 39 aniversário do clube 1º de Agosto, Paulo Silva está certo de que necessita de uma pontuação mais conseguida na próxima prova do nacional para se manter entre os candidatos ao título, tendo em conta a forma aguerrida em que os seus opositores Paulo Guga, Francisco Gastão e Jorge Perestrelo se estão a pautar.

O atirador sente-se reconfortado por ter representado as cores nacionais na maior competição internacional, não obstante os resultados terem ficado muito aquém dos principais concorrentes, daí que acredita que uma preparação cuidadosa nos dias que antecedem o Grande Prémio Nossa Senhora do Monte pode resultar na conquista do troféu para a galeria do 1º de Agosto.

Paulo Silva reiterou o seu agrado pelo apoio moral e material que recebeu aquando da sua participação nos jogos olímpicos, algo que, segundo afirma, "representa o espírito de unidade nacional e solidariedade com povos de outras nacionalidade", de forma que fortalece a sua crença quanto a capacidade que o desporto possui para manter coesa a unidade entre os povos.

A presença de altas personalidades no evento, afirma Paulo Silva, tem servido de incentivo para qualquer atleta que procura, com esmero, passar uma imagem condigna do país entre as nações, uma realidade que, na sua opinião, "tem sido confirmada com as brilhastes exibição de todos os atletas nas diversas modalidades".

FAT inova para imprimir dinamismo

A Federação Angolana de Tiros aos Pratos vai introduzir novas metodologias de disputa em provas nacionais para permitir aos futuros atiradores competirem em pé de igualdade com os atletas internacionais.

O general Francisco Afonso “Hanga”, presidente da Federação Angolana de Tiros aos Pratos, esclareceu que a ideia da introdução dessa inovação surge da má prestação do atirador Paulo Silva nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, que ocupou o último lugar da tabela de classificação do torneio olímpico de tiros aos pratos.

“Infelizmente, a nossa participação nos Jogos Olímpicos não teve o impacto ou nível que gostaríamos que tivesse. Mas houve circunstâncias que levaram a tal má prestação, porque o tiro aos pratos é um desporto com alguma complexidade, razão pelo qual sucedeu”, lamentou.

O general Francisco Afonso “Hanga”, justificou que a questão do tiro tem muita pressão do público e dos atiradores que vêm com alguma experiência. Reconheceu que os competidores internacionais possuem um elevado nível enquanto “as nossas competições internas não reúnem requisitos totais, nomeadamente, a pressão”.

Acrescentou que isto não acontece apenas com a modalidade de tiros aos pratos, mas vai se passando com o futebol, basquetebol e outras modalidades em que é necessário que o nível competitivo seja elevado para no momento exacto “compitamos em pé de igualdade, o que não sucedeu nos Jogos Olímpico do Rio de Janeiro.

O dirigente federativo, admitiu que os níveis de preparação do atirador Paulo Silva não foram os  desejados devido a uma série de condicionalismos. “Mas valeu pela experiência, porque o atirador foi acompanhado pelo secretário-geral da Federação.

Nesta ordem de ideias, vamos introduzir novas metodologias de disputa em competições internas, para que futuros atiradores possam concorrer em perfeitas condições, em provas internacionais”, garantiu.

Entretanto, o atirador Paulo Silva reconheceu, no Lubango, que a sua participação nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, não foi muito boa porque competiu com os 32 melhores atiradores do mundo.

“A participação não foi muito boa. Mas também não podia ser melhor, uma vez que competia com os 32 melhores atiradores do mundo. Senti essencialmente a diferença de estruturas ou basta dizer que era o único atleta sem treinador. Por exemplo, isso nos Jogos Olímpicos paga-se”, disse.

ALERTA
Falta de estruturas condiciona a massificação


A expansão e massificação da modalidade de tiro aos pratos, em todas províncias do país, está condicionada ao surgimento de estruturas que apoiem a prática deste desporto, afirmou no Lubango, o presidente de direcção da Federação Angolana de Tiros aos Pratos, general Francisco Afonso “Hanga”.

Francisco Afonso “Hanga” referiu, que em todas províncias, a expansão e massificação da modalidade ainda não é um facto consumado, faz-se sentir apenas em Luanda, Benguela, Huíla e agora na província do Cuanza Sul.

Disse, que na província da Huíla, existem dois campos para a prática do tiro, nomeadamente, o da Socolil e o nacional “Paulo Silva”.
 “Mas há alguns privados com algumas possibilidades que criam os seus campos e nós Federação, apoiamos este esforço.

Agora, podemos dizer que o tiro é um desporto caro. O processo de aquisição de armas e munições é complexo. As munições, os pratos são caros, assim como a criação de campos.

É um desporto com alguma particularidade e complexidade. Estamos a mexer com munições que podem tirar a vida das pessoas”, frisou.

A massificação, justificou o presidente da Federação Angolana de Tiros aos Pratos, ainda não é um facto, porque as pessoas que participam por clubes, são os que têm possibilidades próprias para competir.

Francisco Afonso “Hanga” argumentou que a massificação implica dizer conseguir muitas armas, munições e deixar as pessoas e jovens para começar a atirar.

Avançou que nos dias de hoje, com a situação da crise económica que vivemos, não é fácil concretizar a intenção de massificar a modalidade.

 “Sempre foi nossa intenção que assim fosse, mas com a situação que vivemos, adquirir munições e armas e uma arma pode rondar em 3.500 ou dois mil dólares, cada. Portanto, não é fácil massificar e depois são investimentos que não têm retorno.

E, se existem praticantes, é mesmo por amor ao desporto. Daí, que tem de surgir estruturas com capacidades ou o Estado,  empresas,  no sentido de apoiar este desporto que é caro”, afirmou.

No tocante ao sector feminino, aquele responsável, apontou  algumas atiradoras em número muito reduzido (5) que têm participado.  Explicou que como tem a ver com o tiro, muitas não aceitam. “E, lá está a história, é necessário investimento”, defendeu.
G.H