Jornal dos Desportos

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Modalidades

Candidato quer marcas para os Jogos Olímpicos

Silva Cacuti - 14 de Outubro, 2016

Bernardo João apresentou ontem em conferência de imprensa as principais linhas de força da sua candidatura

Fotografia: Dombele Bernardo

A criação do “programa Tóquio 2020” é um dos assuntos que chamou mais atenção na apresentação do programa de acção da lista C às eleições na Federação Angolana de Atletismo, realizada ontem, na sala de conferências dos Correios de Angola. O recordista nacional de lançamento de dardo Bernardo João é o cabeça da lista.

A candidatura apresenta-se sob o lema “olhar o atletismo por dentro”. “Sentimos que hoje o atletismo não é visto por dentro. Hoje, atletas, treinadores e todos os agentes da modalidade queixam-se de algo, o que mostra que na modalidade não há esta visão centrada naqueles que fazem o atletismo”, explicou Joaquim Dombaxi que é proposto a secretário executivo na lista. Dombaxi exerceu as mesmas funções no mandato que termina, mas incompatibilizou-se com Carlos Rosa, que busca um terceiro mandato, à frente da lista A.

O programa Tóquio'2020 preconiza a criação de condições para a selecção de atletas e propiciação de condições para que cheguem aos jogos olímpicos atletas angolanos com marcas mínimas para lá estar.

“O nosso atletismo está como um carro avariado. Não se compreende como é que eu tenho um recorde nacional que dura há mais de 20 anos e não haja perspectivas para a alteração deste quadro. Sinto que sou a pessoa certa para assumir este desafio, mais porque integro uma lista de consenso entre as pessoas da modalidade”, disse Bernardo João.

Lacunas administrativas em que a actividade da federação, seja técnica, administrativa e financeira se concentrava em uma única pessoa são as razões que impulsionaram o grupo de antigos praticantes a entrar na briga eleitoral pela gestão da modalidade.

“Constatamos um divórcio entre a federação e associações e clubes e isto está espelhado na própria população votante, ao vermos que muitas províncias apenas as associações votam e os clubes, infelizmente não.

Queremos valorizar o atletismo e os que fazem atletismo. Não queremos mais “outsiders”, tem gente do remo, vela e outras que deseja mandar no atletismo", destacaram.


Aposta
Antigo recordista dá prioridade à organização


Bernardo João estabeleceu como prioridades no seu mandato a organização interna da federação e das associações provinciais, factos que vão concorrer para a modalidade granjear alguns respeito junto dos seus agentes e não só.

Também está definida como prioridade a regularização, modernização e aposta na formação de treinadores, juízes e cronometristas nos mais distintos níveis.

Sob seu comando, segundo o programa apresentado ontem, a federação vai promulgar um dia do atletismo; Desenvolver trabalho junto dos principais clubes para que o atletismo faça parte do leque de modalidades que movimentam; cadastramento de atletas por escalão e género; são algumas das acções mais visíveis no capítulo desportivo.

Quanto aos aspectos administrativos, contrariamente ao que vinha acontecendo, Bernardo João propõe-se a realizar anual e regularmente as assembleias-gerais de aprovação de relatórios e contas.

Bernardo João tem João Ntyamba e Gertrudes Sepúlveda como vice-presidentes de direcção. Joaquim Dombaxi vai ser o secretário geral. A Mesa da Assembleia-geral vai ser presidida por José Almeida, que terá Francisca Xavier como vice-presidente e Carla Carvalho secretária. Delfina Machado vai presidir o Conselho Fiscal, enquanto o Conselho Jurisdicional vai ter presidência de Adalberto Fernandes.

Margarida de Carvalho preside ao Conselho de Disciplina. A candidatura vai visitar os integrantes da população votante e demais agentes da modalidade. Serão também desenvolvidas em simultâneo acções como a constatação das infra-estruturas disponíveis no país, entre outras.

Além de Bernardo João concorre à presidência da Federação Angolana de Atletismo Carlos Rosa, que concorre a um terceiro mandato.