Jornal dos Desportos

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Casimiro aposta noTóquio\\\'2020

Rosa Napole?o - 01 de Abril, 2017

Casimiro Bento é patrocinado pelo Banco Económico

Fotografia: Mota Ambrosio

A obtenção do passe para os Jogos Olímpicos de Tóquio\'2020 é o grande objectivo do judoca angolano Casimiro Carlos Bento, da categoria dos -100 kg. O atleta conquistou recentemente a medalha de bronze no Pan-americano Open de Lima, no Peru.

Em declarações ao Jornal dos Desportos, Casimiro Bento, do  clube 1º de Agosto, disse que a atenção, no momento, está direccionado à preparação para obter bons resultados nos torneios de qualificação aos Jogos Olímpicos do Tóquio’2020.

“Estou a participar de várias competições internacionais para acumular pontos na minha carteira a fim de obtenção do passe”, esclareceu.

Recentemente, esteve no Open da Argentina, onde terminou na quinta posição.  “Felizmente superei-me no Open do Lima, em Peru, com a medalha de bronze. Além de ser uma prova qualificativa para os Jogos Olímpicos, acrescentou-me também 50 pontos no ranking internacional”, disse emocionado.
Casimiro Carlos Bento desconhece o repouso. No final de cada Open Internacional, mantém a intensidade das sessões de treino.

“Geralmente, existe sempre uma semana de treinos após a realização dos Open. Isso acontece durante uma semana com os participantes daquela prova. Os treinos tem sido de grande valia para mim, porque consigo interagir com outros judocas e trocar as experiências”, esclareceu.

O detentor de sete títulos de campeão nacional afirmou que foi difícil derrotar os adversários no Open do Lima. “Tive de lutar com profissionalismo para conseguir o feito. No primeiro combate, derrubei o judoca do Uruguai, que era o vice-campeão, por ippon aos 58 minutos do combate. Isso me deu forças e a confiança para lutar com rigor”, justificou.

Casimiro Bento voltou a vencer, desta por ippon, o campeão chileno no segundo confronto.

O angolano foi penalizado no terceiro combate frente ao vice-campeão canadiano por ter acumulado faltas.  Nas meias-finais, a prova requereu maior concentração e técnica. Fruto da boa preparação do judoca, o resultado veio a cima. No final do combate, a vitória sorriu para o angolano, perante o desalento do chileno, que não conseguiu evitar a imobilização.

A falta da presença de um técnico no local da competição é um dos factores que contribui para o mau resultado de qualquer atleta. Casimiro Bento revela que “sofre” na maior das vezes por não partilhar as conversas indispensáveis sobre os combates, ou seja, receber uma orientação do banco.
“Por causa das condições financeiras, na maioria das vezes, temos estado nessas provas sem qualquer técnico. Isso nos prejudica. A orientação de um técnico é muito importante e  influencia na prestação do atleta. Infelizmente, a Federação Angolana de Judo nem sempre tem as condições para enviar um técnico acompanhante nas competições”, ressaltou.

Casimiro Bento enaltece o “apoio institucional” que recebe da direcção de Paulo Nzinga e destaca que os custos de participação nas provas internacionais são suportados pelo seu patrocinador oficial, o Banco Económico.

O judoca angolano apela às entidades competentes do Estado e às empresas sediadas no país a accionarem a Mecenato para o bem do desporto nacional. Aclarou que “muitos atletas nacionais têm as condições desportivas para obter medalhas nas provas internacionais, mas só não o fazem por falta de financiamentos”.


QUALIFICAÇÃO
Prova africana
atarefa Bento


O próximo passo de Casimiro Bento é o Campeonato Africano de Seniores a decorrer de 14 a 17 do corrente em Madagáscar. A medalha de bronze de Lima também almeja subir ao pódio para cimentar as opções de escolha para a capital japonesa, palco dos Jogos Olímpicos de Tóquio de 2020.

Depois da presença na maior ilha do Mundo e do Índico, Casimiro Bento tem uma carteira repleta de participações. No mês de Agosto, vai a Uruguai participar do Campeonato do Mundo. Nesse mesmo mês, compete também no Open de Senegal. Em Setembro, o angolano desloca-se a Camarões para disputar o Open local.

Casimiro Bento conserva na galeria pessoal as medalhas de ouro do Grand Open de São Paulo (2013), do Campeonato Africano da Zona VI (2008), a medalha de prata dos Jogos da Lusofonia de Lisboa (2009), as medalhas de bronze dos Jogos Africanos das Ilhas Maurícias (2014), do Open do Chille (2015), do Open da Santiago (2016) e do Open de Lima (Peru\'2017).

Constam também no currículo o quinto lugar do Campeonato Africano da Tunísia (2016) e o sétimo lugar do Open de Porto Louis (2014).