Jornal dos Desportos

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Centro de Estgio negcio vista

Francisco Carvalho - 29 de Outubro, 2018

Os alojamentos contentorizados esto sem camas e quartos de banho "despidos

Fotografia: Contreiras Pipas | Edies Novembro

No seio da classe e dos profissionais do desporto, a mudança de mentalidade é um desiderato que se impõe.  Uma época nova abre-se em Angola. A competência e a visão estratégia são as exigências para se alterar o actual \"modus operandi\" dos gestores das infra-estruturas. O Chefe de Estado angolano, João Lourenço, mostrou-se regozijado pela mais nova infra-estrutura para o desporto: \"Acabámos de pôr à disposição do desporto nacional uma importante infra-estrutura desportiva multi-usos, que tem condições adequadas para servir de Centro de Estágios\".
O país não dispõe de nenhum Centro de Estágios. Em 43 anos de independência nacional, milhões de dólares foram gastos em diferentes infra-estruturas e promoções de eventos desportivos. Os custos com a preparação das selecções nacionais têm sido elevados. O novo modelo de gestão do país não permite desperdício de dinheiro. As novas regras impõem contenções financeiras para se dar prioridade à saúde e à educação, dois pilares do fomento desportivo.
O pronunciamento do Chefe de Estado desperta os agentes com visão empreendedora. O Ministério da Juventude e Desportos deve celebrar contratos com entidades empresariais competentes para gerir o futuro Centro de Estágio, localizado na Zona Económica Especial (ZEE). É um empreendimento com múltiplas valências quer desportivas quer financeiras.
O momento não é para cabritismo. O tempo já passou. Chegamos à era da meritocracia, onde a competência é a única exigência. O Centro de Estágio, como designou o Presidente da República, carece de investimentos sérios em diferentes sectores.
Desde 4 de Outubro, data de recepção da gestão do empreendimento, a Ministra da Juventude e Desportos, Ana Paula de Sacramento Neto, tem à mão uma \"batata quente\". Os alojamentos contentorizados estão sem camas e quartos de banho \"despidos\". O investidor deve preocupar-se com apetrechos. Ao todo são 90 camas, 90 sanitas e 90 lavatórios. A inoperância acelerou a degradação do material que compõe as paredes. A pintura e a reparação são outros dinheiros.
A quadra polidesportiva apresenta fissuras no piso. Sem tecto para evitar as altas temperaturas, a poeira e as chuvas contribuíram para o estado degradante. Com poucos recursos financeiros, faz-se a recuperação.
A Piscina está degradada. Desconhece-se quem foram os primeiros nadadores que beneficiaram daquele empreendimento. A verdade é que hoje o estado deplorável vai custar alguns \"trocados\" do investidor. Há fissuras em toda a sua extensão.
Para a recuperação dos três sectores (alojamento, quadra polidesportiva e piscina) do empreendimento, o investidor deve observar valores intrinsecamente valiosos.
\"O capital que herdámos, o de um país em paz e reconciliado, constitui a base essencial para ousarmos ir mais longe, buscando resolver os problemas básicos das populações em termos de saúde, educação, habitação e emprego, de modo a garantir o progresso, bem-estar e desenvolvimento económico e social\", disse o Chefe de Estado.
Com essa visão, o investidor do futuro Centro de Estágio tem para o seu nicho de mercado as condições para elevar as receitas de outros sectores. Em tempo de manutenção de saúde, o ginásio, equipado com tecnologia de ponta, é um bom negócio. Além de trabalhadores das empresas adjacentes à ZEE, a população de bairros próximos podem ser atraídos como potenciais clientes.
O ginásio tem equipamentos para todo o tipo de musculatura de membros inferiores e superiores, bicicletas higrométricas, tapetes, balneários e roupeiros. As selecções nacionais têm à disposição o melhor para a manutenção física. Os valores financeiros, que gastam no exterior, podem encher o cofre do Centro de Estágio.
Além do Centro de Medicina Desportiva de Angola, localizado na Cidadela Desportiva, o futuro Centro de Estágio dispõe de um Centro Médico com todos os serviços praticados em diferentes clínicas de Luanda. Pela qualidade dos seus equipamentos, não perde para outros hospitais do país. É um majestoso recinto, localizado à entrada do perímetro da Administração da Zona Económica Especial.
O Centro Médico está em funcionamento com mão de obra multi-linguística. Além de médicos angolanos, também estão cubanos. Durante a reportagem, uma médica cubana guiou a visita às instalações. Além de apresentar as valências de serviços, nada mais acrescentou por \"falta de autorização superior\". Desde a abertura, o empreendimento nunca fechou as portas. Não precisa de intervenção. Está intacto. É do melhor que o Minjud herdou da ZEE. As receitas são garantias reais.
Aos investidores nacionais e estrangeiros no desporto nacional, deixamos uma palavra de apreço para se vencer os desafios que se impõe: \"Devemos todos estar conscientes que se trata de um processo que exige algum tempo para se afirmar e consolidar (...) O aumento da produção nacional e a diversificação da economia devem ser vistos como um imperativo nacional\" para \"resolver, de modo satisfatório, os sérios problemas sociais que o país enfrenta\".  *Com JOÃO FRANCISCO

AVALIAÇÃO
Federações  desportivas  satisfeitas  com  recinto

Os principais beneficiários das novas instalações do Ministério da Juventude e Desportos mostraram-se satisfeitos pela postura que se pretende atribuir às instalações. Os agentes são unânimes na transparência da gestão do futuro Centro de Estágio para o bem do desporto nacional.
O presidente da Federação Angolana de Ginástica, Auxílio Jacob, defende que o futuro Centro de Estágio \"deve ser transformado no ponto de partida e de chegada de crianças, adolescentes e jovens, que habitam nas redondezas e além\".
O especialista em Educação Física assegura: \"Devemos transformar o espaço num atractivo privilegiado de ocupação dos tempos livres de crianças, jovens e adolescentes\".
Auxílio Jacob sustenta que o Centro de Estágio \"deve servir para o cimento do desporto comunitário\", através da utilização, pelas mais variadas modalidades desportivas, em função das características do recinto.
Para o sucesso das instalações, sugeriu, \"deve-se realizar um concurso público para a gestão privada assente num modelo de exigências e protecção da massificação desportiva, cultural e integração de crianças e jovens da comunidade próxima à infra-estrutura\".
A presidente da Federação Angolana de Ciclismo (FACI), Cremilde Rangel, assegurou que \"é preciso definir as prioridades que engrandeçam todas as modalidades desportivas\". No âmbito do desenvolvimento desportivo, \"a infra-estrutura oferece condições, uma vez recuperadas, para proporcionar melhorias aos atletas da alta competição\". Por isso, a sugestão para a criação do primeiro Centro de Estágio é \"uma mais-valia\".
                                                         JOÃO FRANCISCO