Jornal dos Desportos

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Cesar Cielo está distante do Rio'2016

20 de Dezembro, 2015

Cesar Cielo tem uma oportunidade no próximo ano para se qualificar aos Jogos

Fotografia: AFP

O campeão olímpico de Beijing'2008 falhou nas duas principais competições, que agendou no presente ano. O Mundial de desportos aquáticos disputado em Kazan (Rússia) e a selectiva olímpica brasileira eram os principais eventos para o nadador. Por motivos diferentes, os dois tiveram o mesmo desfecho: o atleta saiu antes do término, sem completar o seu programa de provas ou atingir objectivos pessoais nas competições.

Nas hostes da delegação brasileira, a esperança é a última a morrer. O coordenador da equipa masculina de natação, Alberto Silva, assegurou que não têm "qualquer desconfiança do atleta, porque num curto espaço de tempo pode recuperar-se". Afinal, "Cielo é um grande nadador".

Cielo deixou Kazan, onde defendia o bicampeonato mundial dos 50 metros borboleta e o tricampeonato mundial dos 50m livre, por causa de uma inflamação no ombro esquerdo. Depois, ficou parado por dois meses e fez apenas dez semanas de treinos antes da selectiva olímpica brasileira.
Na segunda prova, o nadador participou apenas do estafeta 4x50 metros (21s44 com saída lançada) e da prova dos 100 metros livre (49s55, 11º tempo). Cielo saiu insatisfeito das duas provas e isso foi determinante para a decisão de abandonar a selectiva olímpica.

Pessoas que convivem com Cielo identificaram a cabeça como a principal questão a ser superada pelo nadador. É descrito como um profissional extremamente perfeccionista, que se cobra em níveis extremos. Por isso, ainda que soubesse que não tinha condições ideais na selectiva brasileira, não soube conviver com os tempos ruins. O técnico ressaltou que "como qualquer grande atleta, é movido por resultados e essa questão emocional pode influenciar bastante". Por todas as mudanças na preparação durante o ciclo olímpico e, por todos os insucessos recentes, Cielo tem agora um desafio de recuperação de confiança. Ao menos duas pessoas que lidam directamente com o nadador classificaram a oportunidade como o grande desafio do atleta para 2016.


ESPERANÇA
Maria Lenk
é a salvação


Os percalços da época'2015 colocaram em dúvida a participação de Cielo nos Jogos Olímpicos. O nadador representou o Brasil em duas edições e coleccionou três medalhas (em Beijing'2008, obteve a medalha de ouro nos 50 metros livre e bronze nos 100 metros livre; em Londres'2012, obteve medalha de bronze nos 100 metros livre. Para estar na Rio-2016 tem apenas mais uma oportunidade: obter a qualificação no Troféu Maria Lenk, em Abril, no Estádio aquático olímpico da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Os registos de participação do brasileiro nesse torneio são boas premissas. Em 11 participações no Troféu Maria Lenk, Cielo amealhou 26 pódios em 32 provas: 19 medalhas de ouros, seis pratas e um bronze. Neste ano, terminou sem conquistar medalhas de ouro, o que não acontecia desde 2005.

O nadador atribuiu a falta de vitórias a uma mudança na preparação. Montou uma equipa multidisciplinar exclusiva e criou um planeamento voltado ao Mundial de Kazan. Quando chegou a Rússia, porém, Cielo não conseguiu comprovar eficiência na aposta. O nadador foi apenas o sexto classificado nos 50 metros borboleta, prova que completou em 23s21, e pediu dispensa antes de defender o tricampeonato mundial dos 50 metros livre.

Cielo abriu 2015 com um 23s28, o que até então era a melhor marca do planeta nos 50 metros borboleta, mas depois sofreu para empilhar bons resultados. Cielo foi submetido a exames de imagem após ter sido cortado do Mundial de Kazan. A avaliação identificou dois tendões inflamados no ombro esquerdo e o nadador optou por um tratamento convencional. Ficou parado por dois meses, período considerado inédito pela comissão técnica do atleta e teve duas semanas de pausa entre os últimos ciclos olímpicos, por exemplo.

A volta de Cielo aos treinos foi feita de forma gradual, com cargas pequenas, sem forçar a articulação. O plano de recondicionamento do nadador foi feito sem considerar a selectiva olímpica em Dezembro.

Noutras ocasiões, Cielo fez ciclos menores de treinamento. Antes de disputar o Mundial de piscina curta de 2010, em Dubai, por exemplo, o nadador fez um trabalho de apenas nove semanas. Para a última selectiva de 2015, mesmo com dez semanas, a ideia foi dar prioridade ao ano de 2016.

No plano de recuperação focado em 2016, Cielo mudou até a prova mais trabalhada. Apesar de ser o recordista mundial dos 100 metros livre, o velocista negligenciou a distância e deu prioridade aos 50 metros livre. Neste ano, a prioridade inverteu-se.