Jornal dos Desportos

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Modalidades

Ciclistas pedalam contra o câncer

Jo?o Francisco - 22 de Maio, 2017

A prova percorreu quatro províncias tendo sido marcada por uma enorme disputa nas suas distintas etapas até ao corte da meta

Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

O Ministro da Juventude e Desportos, Albino da Conceição José, enquanto aguardava as mais de três dezenas de ciclistas, vindos de Caxito, para a VIII e última etapa da quarta edição da Volta às Terras do Café em apoio a luta contra o cancro, pedalou na marginal e chegou mesmo em cima da bicicleta, no corte da meta, assinalado no Palácio de Ferro, agora sob gestão da Fundação Sindika Dokolo, onde todos os participantes foram ontem (domingo) homenageados.

Albino da Conceição, que no local revelou que só não veio com os ciclistas a partir de Caxito, dado a hora tardia em que foi convidado, acabou por ser a individualidade mais ovacionada pela sua presença, não só, por ter acompanhado os ciclistas no local do corte da meta, como também pela mensagem transmitida aos presentes, quando convidado para intervir no encerramento do evento.

“A luta contra o cancro, é como uma prova de ciclismo uma prova de Ciclismo com várias etapas, como esta que vocês acabaram de realizar, onde tiveram que lutar para vencer(…)”, realçou o Ministro da Juventude dos Desportos que assentou ainda a sua intervenção em três pilares.

Albino da Conceição, lançou igualmente o repto à Federação e respectivas Associações Provinciais para nos próximos eventos do género quer ver muitas mulheres em cima da bicicleta no pelotão das provas, fazendo uma clara alusão de que o vector feminino tem que acompanhar o desenvolvimento da modalidade no País.

Depois de elogiar todos os participantes por terem realizado mais um evento em apoio à luta contra o Cancro, particularmente, pelas mensagens sobre uma “doença democrata”( de que todos podem padecer), passadas pelos sítios mais recônditos das regiões onde a volta percorreu ( Cuanza- Norte, Uíge, Bengo e respectivos municípios), Albino da Conceição, mostrou-se extraordinariamente satisfeito pelo facto de na caravana da Volta às Terras do Café, integrar encarregados de educação dos ciclistas.

 “A presença de uma Comissão de Pais na caravana é um exemplo de que no Desporto, o acompanhamento destes, cria a simbiose necessária para o bom êxito na carreira de qualquer atleta. Portanto, é também uma iniciativa digna de reconhecimento (…), concluiu o Ministro da Juventude que surpreendeu tudo e todos com a sua presença no final do evento e mereceu também da parte dos presentes os devidos agradecimentos.

OSVALDO FILIPE “CHALA”
Inspirador da prova foi recordado


Também tiveram intervenções muito aplaudidas, o Técnico Nacional, Carlos Araújo, recordando que a génese do evento foi inspirada pelo ciclista Osvaldo Filipe “Chala”, que acabou por falecer de câncer ao longo da I edição do evento.

Institucionalmente, o Vice- Presidente Desportivo da Federação Angolana de Ciclismo (FACI), Justiniano Araújo que a par da Associação Provincial de Ciclismo de Luanda (APCIL), presidida por Jair Guerreiro, que são os parceiros que têm garantido o apoio institucional ao evento, encarregaram-se dos pronunciamentos em representação dos órgãos reitores da modalidade tanto nacional como provincial, em relação a IV Volta às Terras do Café, que não fugirem muito da temática dos anteriores intervenientes.

Na mesa de hora da cerimónia de encerramento, no “Palácio de Ferro”, actual sede da Trienal de Luanda, nos arredores da marginal, além do Ministro da Juventude e Desportos, estiveram também representados, o Presidente da Liga Angolana da Luta contra o cancro, André Panzo, Albertina Manaças do Instituto da Luta contra o Cancro, Cláudia Veiga, representante da Fundação Sindika Dokolo, que foi um dos parceiros da organização no evento.

VENCEDORES
Cruz Tuto e outros em destaque


Entre os vencedores das oito (8) etapas da VI edição da Volta as terras do Café, disputada entre 13 a 21 deste mês de Junho, o destaca recai sem dúvidas para os ciclistas do Misto de Luanda, Cruz Tuto e Bruno Araújo, também integrantes das seleções nacionais de ciclismo, que venceram duas (2) etapas cada um.

Contudo, foi o Campeão Nacional absoluto em título, Dário António, igualmente do Misto de Luanda, que abriu as “hostilidades”, no bom sentido ao vencer a I etapa de 80 Km, disputada entre o Dundo e o Morro de Binda, na província do Cuanza Norte. Cruz Tuto, começou por chamar a si a vitória na II etapa de 131 km no troço, Samba -Cajú em direção ao Negage, na província do Uíge. Mário de Carvalho do Misto de Luanda venceu a III etapa de 110 km, entre Samza Pombo e Negage.

O contra- Relógio Por-equipas de 50 km, na IV etapa, entre o Município do Puri e Negaje na província do Uige foi vencido pelo Misto de Luanda, composto pelos ciclistas Dário António, Mário de Carvalho e Cruz Tuto, que os três corredores mais rápidos da equipa a chegarem no corte de meta, a frente dos trios da Associação dos ciclistas de Talatona (ACT), equipa de ciclista da Cidade do Kilamba, Gicate e outro agrupamento de ciclistas individuais.       
              
REVELAÇÕES
Bruno Araújo e Mauro Ricardo


Bruno Araújo, que interrompeu temporariamente o estágio que observa integrado na equipa lusa da Sicasal Constantino para tomar parte em competições no nosso País, ocupou o lugar cimeiro na V etapa de 152 km, entre Negage e Damba. O Júnior Mauro Ricardo, filho do ciclista Master ( veterano), David Ricardo , “estreou-se” com vitória na VI etapa entre o município de Quibaxe e Caxiuto, já na província do Bengo.

A VIII etapa entre Caxito e Luanda, apesar de ter sido “simbólica”, teve no ciclista Bruno Araújo o ciclista “mais activo”, chegando a encetar uma “ fuga” a cabeça do pelotão já entrada de Luanda, que foi forçado a abrandar a marcha após a passagem da prova do município do Cacauaco, passando pela via expressa para desembocar na avenida Deolinda no sentido descendente em direcção a Luanda.                        

João Francisco