Jornal dos Desportos

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Clube 1º de Maio vive nova era

J. Gaiano e o O. Correia, em Benguela - 21 de Dezembro, 2014

1º de Maio vive novo período e nova direcção espera sucessos da equipa de futebol que foi despromovida do Girabola

Fotografia: Jornal dos Desportos

Uma nova era nasce no Estrela Clube 1º de Maio de Benguela. A recém-eleita direcção, sob liderança de Wilson Fernando Faria, tomou posse numa cerimónia com pompa e circunstância. Muitas figuras da sociedade benguelense, dentre as quais desportistas, governantes e empresários testemunharam a cena marcada pela ausência dos dirigentes Octávio Pinto e Rui Araújo. Muita gente questionou isso.

O acto foi de muita cavaqueira em que promessas de apoio desta e daquela entidade empresarial dominaram grande parte do tempo que durou a festa de tomada de posse das novas figuras para os restantes dois anos do mandato, até Dezembro de 2016.

Algumas pessoas de destaque da sociedade benguelense constam da nova direcção que tem como missão resgatar a mística do clube, perdida no tempo. Infelizmente, nem todos têm a vivência desportiva do clube, daí o receio pela produtividade da direcção.

Ainda assim, há quem acredite no seu sucesso. Pois, apesar de tudo, a mesma reúne aceitação da maioria do empresariado local. Com realce para aqueles que haviam condicionado o seu apoio com a saída de certas pessoas na direcção proletária. Rui Araújo, António Soares “Mona”, Carlos Piedade “Juka” e Octávio Pinto foram os mais contestados. Apesar de darem o máximo de si em prol do clube, não escaparam às críticas, pelo que acabaram responsabilizados pelos insucessos que o grémio somou nos últimos dez anos, para tristeza dos benguelenses.

Por aquilo que nos foi dado observar na cerimónia de tomada de posse, foi possível notar da actual direcção algum distanciamento da matriz proletária. Grande parte dos mesmos não se identifica com as cores do clube. Alguns foram “pescados” de outras colectividades rivais, o que por si só explica a confusão. Não é por acaso que os mais cépticos já falam de um fiasco nas expectativas geradas em volta do assunto.

Todavia, esperam que o elenco de Wilson Faria tenha a capacidade de reunir a família proletária, que tende a dividir-se ainda mais. “Os factos não mentem, se quisermos pugnar pelo realismo”, comentou um dos sócios presentes no acto de tomada de posse que, para muitos, marcou uma nova era na vida desportiva do Estrela Clube 1º de Maio de Benguela, para quem “nesta fase do campeonato, o que mais importa é criar o espírito de aproximação entre dirigentes e massa associativa (e adeptos)”.


PRESIDENTE DA MESA DA ASSEMBLEIA-GERAL
Sapalo pede unidade da família proletária


Ciente da situação daí decorrente, o presidente da mesa da assembleia-geral, Veríssimo Sapalo, pediu aos sócios e adeptos para se juntarem em torno da causa do 1º de Maio de Benguela e da sua direcção, liderada por Wilson Fernando Faria, que “com a coragem e abnegação assumiu a dura missão de resgatar a mística do clube perdida no tempo”.

O dirigente proletário foi categórico ao afirmar que a anterior direcção fez o possível para manter viva a chama do clube, pelo que merece o carinho e o respeito de todos os que se revêem com as cores do 1º de Maio de Benguela.

“Reconheçamos que nem tudo foi ruim. A anterior direcção soube conduzir com mestria os destinos do clube e, por isso, merece a nossa estima. Agora, resta à nova direcção melhorar aí onde for necessário e, claro, conservar os ganhos já conseguidos”, lembrou.

De acordo com o jurista Veríssimo Sapalo, a direcção de Wilson Faria tem a difícil tarefa de relançar o clube aos níveis mais altos do desporto nacional, tendo por isso solicitado o empenho e a entrega dos integrantes da actual direcção no sentido de honrar os propósitos que os levaram a assumir a ingente incumbência que passa por devolver a alegria e a glória aos benguelenses amantes do desporto, no geral, e no futebol, em particular.

“O projecto da nova direcção passa pela formação de quadros, massificar e reestruturar o futebol. O relançamento das modalidades gimnodesportivas, designadamente, o andebol, basquetebol e voleibol, para além da abertura da loja Estrela Clube 1º de Maio, são outros desafios que esta jovem direcção se propõe enfrentar, contando com a experiência dos integrantes da mesa da assembleia-geral”, referiu.

O Jornal dos Desportos apurou que a actual direcção tenciona adoptar um sistema inovador de pagamentos de quotas via ATM para facilitar os sócios do clube que se encontram noutros pontos do país. “Queremos com esta medida evitar longas filas nos bancos e incentivar os sócios a pagar suas quotas junto das instituições bancárias indicadas pela direcção”.
JG/OC


FUNDADOR DO GRÉMIO
Saída de Rui Araújo
ameaça unidade no clube


Com a saída de Rui Eduardo de Araújo da direcção do Estrela Clube 1º de Maio de Benguela, 34 anos depois, ao novo presidente resta a tarefa de congregar a família proletária em volta de um único interesse. Elevar a grandeza do clube e acabar com as querelas entre dirigentes e sócios é o que a maioria dos benguelenses defende.

A tarefa não se aparenta facilitada, se levarmos em conta que a velha raposa do futebol benguelense continua a espalhar o seu carisma entre os associados e adeptos que o têm como reserva moral do clube que ajudou a fundar a 1 de Abril de 1980. Isto mesmo ficou patente no acto de votação que culminou com a eleição de Wilson Faria.

Num universo de 295 registados como potenciais com direito a voto, apenas 127 apareceram para o respectivo exercício, com 125 votos a favor e dois nulos. Ou seja, nem todos os presentes votaram a favor. Daí a frustração de quem esperava por uma votação esmagadora para a lista do jovem bancário, que no fundo acabou derrotado com a abstenção que somou 57 por cento.

De resto, é o reflexo de que nem sempre as conquistas se convertem em alegria dos seus protagonistas. O exemplo factual está aí. Wilson Faria ganhou mas não pode dar-se por feliz, porquanto não mereceu a confiança da maioria dos sócios do clube.
JG/OC


PRESIDENTE DA APFB
Dirigente confiante
no sucesso da direcção


O presidente da Associação Provincial de Futebol de Benguela (APFB), António Costa “Tony”, juntou a sua voz para manifestar-se confiante nas capacidades e determinação na acção da nova direcção, composta, na sua maioria, por jovens, fazendo fé que a mesma venha a despontar e a desempenhar um bom trabalho em prol dos encarnados da rua Domingos do Ó.

“Espero que esta direcção, que tem na sua retaguarda pessoas idóneas, faça um trabalho aturado e proveitoso no sentido de poder resgatar a imagem do clube. Nos últimos tempos aconteceram cenas que mancharam o futebol do clube e da província. Foi mau, porquanto acabou por dividir a direcção, estando os dirigentes desencontrados com os anseios dos sócios e dos adeptos (…)”, frisou.

Tony Costa defende a unidade de toda a família proletária, contando os antigos dirigentes como seus verdadeiros conselheiros. No seu entender, figuras do cariz de Rui Araújo, Valente Silva e Juka Piedade não devem ser descartadas das grandes decisões ligadas ao clube. Pelo contrário, devem merecer a atenção de todos os que almejam fazer carreira no dirigismo desportivo naquela agremiação desportiva. Um lugar de honra como forma de o dignificar é o mínimo que pede para si.

“Ao agirem neste sentido não estavam a fazer favor a ninguém, pelo contrário, estavam a ajudar a edificar o castelo proletário que se quer forte e resistente a intempéries”, argumentou o homem-forte da APF de Benguela.