Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

COA pondera rejeitar misses

Silva Cacuti - 12 de Setembro, 2019

Chefe de misso falou ontem em conferncia de imprensa

Fotografia: Agostinho Narciso | Edies Novembro

O Comité Olímpico Angolano (COA) ilibou-se de culpas quanto ao insucesso da missão angolana aos Jogos Africanos de Marrocos, que se realizou de 19 a 31 de Agosto em que  a missão angolana piorou a classificação, quedou-se no 16º lugar, contra o 13º conseguido em Brazzaville, Congo, em 2015.
Auxílio Jacob, chefe da missão aos jogos, que falava em conferência de imprensa para balancear a participação angolana, transferiu as responsabilidades à entidade governamental que disponibilizou as verbas para a missão, com 20 dias de antecedência.
A disponibilidade do dinheiro, tardiamente, estrangulou toda a planificação da missão que previa uma delegação com cerca de 220 pessoas e apresentou a proposta de orçamento ao Ministério da Juventude e Desportos, em Março. No documento constava a previsão de todos os gastos para o jogo e inclusive, acordos conseguidos com parceiros, como a TAAg e fornecedores de equipamentos. Os fornecedores e parceiros acabaram por desistir,  ante à incapacidade da missão olímpica em cumprir atempadamente os compromissos.
\"Receber a verba com cerca de 15 dias, explica tudo\", disse Auxílio Jacob, que discorreu também sobre o prémio de Usd 400, dado aos atletas e treinadores que ficaram ausentes do país, por mais de 20 dias.Mário Rosa de Almeida que foi um dos integrantes da missão, foi mais pontual e avançou a necessidade de dizer \"basta\" a algumas missões, sem as condições necessárias.
\"Vamos assumir que não cumprimos bem a nossa obrigação.
O país não pode continuar a participar em provas, nas condições em que participamos. Temos de ter coragem de dizer não, e dizer basta. O sistema desportivo tem de se juntar à mesma mesa e discutir com as autoridades as condições de participação.
Não podemos mandar os nossos atletas para as competições, sem quaisquer condições. Não nos podem  tratar como qualquer um, nós representamos o país, temos de fazê-lo com dignidade. Se esta dignidade não pode ser dada aos atletas, vamos ter coragem de não participar\", apelou.
De Abril a Junho a missão não recebeu qualquer resposta do ministério da Juventude e Desportos, que só disponibilizou 180 milhões de Kwanzas, a 24 de Julho, contra os 600 milhões propostos pelo COA. A missão olímpica, refere Auxílio Jacob, \"só confirmou o valor no dia 29 de Julho\".
Com poucos recursos e cedidos na data em que foram, houve necessidade de reduzir o número de integrantes da missão, ajustá-la ao nível dos recursos disponibilizados. Os cortes feitos lesaram os objectivos das Federações, agravado o facto de que até Junho quase ninguém estava a treinar, por falta de condições, admitiu.
\"Se não fosse a capacidade de improviso, de criação, das pessoas que integraram a missão, provavelmente Angola não ia participar nestes jogos, porque depois veio o problema das divisas\", destacou o líder da missão angolana.
Além da queda na classificação, a missão angolana aos jogos ficou também marcada por cenas de extravios de valores, ausência de equipamentos, integrantes fora da vila olímpica, integração de atletas lesionados entre outros.

Revelação
Autoridades investigam extravios de valores


Cerca de oito mil dólares americanos, dos já parcos recursos disponibilizados à missão olímpica, foram extraviados em Marrocos e o caso está entregue às autoridades, segundo confirmação de Auxílio Jacob. O chefe de missão disse que o segredo de justiça o impedia de revelar mais dados sobre o caso, mas estava tranquilo porque o processo estava em andamento.
\"A pessoa que terá ficado com os valores, em princípio, está identificada, mas devido ao segredo de justiça não vamos aprofundar, porque o caso está entregue às autoridades\", garantiu.
O extravio de valores levou que a missão fosse impedida de efectuar o pagamento do subsídio de USD 400,  aos integrantes da delegação de andebol, em Marrocos. O COA foi obrigado a pagar o valor em Kwanzas, depois do regresso.
Auxílio Jacob referiu, que a missão não deixou qualquer dívida, em Marrocos.
A nossa reportagem tentou sem efeito contactar um dos integrantes da delegação de andebol que tinha sido excluído dos pagamentos feitos em Luanda pelo COA.


COA PAGA
À UNIÃO AFRICANA

Entre as peripécias vividas pela missão olímpica em Rabat, consta o pagamento de dívidas que condicionavam a participação nos jogos. Auxílio Jacob disse, em conferência de imprensa, que a missão teve de pagar uma dívida do Estado Angolano à União Africana, de cerca de seis mil dólares.
\"Angola estava em dívida para com a União Africana, quando digo Angola, não é o COA, é dívida do Estado que condicionava a nossa participação\", revelou.
Havia também dívidas de algumas Federações angolanas, junto das respectivas congéneres internacionais, dado que ficaram seis meses sem receber qualquer dinheiro do Estado.
\"Pagámos taxas de algumas das nossas Federações, que as vinculavam junto das congéneres internacionais. Pagamos três mil e 800 dólares do judo e cerca de 300 do karaté. Pela primeira vez, para participar nos jogos tivemos também de pagar uma taxa de participação de Usd 50, por cada membro da missão, tudo acrescido ao facto de que já eram parcos os recursos\".