Jornal dos Desportos

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COI alerta para perda de confiança

27 de Fevereiro, 2015

Os problemas económicos pelos quais o Brasil está a passar têm sido motivo de atenção do Comité Olímpico Internacional

Fotografia: AFP

Os problemas económicos pelos quais o Brasil está a passar têm sido motivo de atenção do Comité Olímpico Internacional (COI).  O presidente da entidade, Thomas Bach, disse que monitora a situação e acredita que os investimentos para a Olimpíada podem servir como "catalisador" ao crescimento do país. Bach, contudo, alertou para a "perda de confiança" que o Brasil pode sofrer  caso venha a ter problemas com a organização do evento.

"Nesse momento os Jogos podem funcionar como catalisador de crescimento, porque se parássemos agora o investimento em transporte no Rio perderíamos a oportunidade de crescimento, se parassem os investimentos em hotéis havia impedimento de crescimento , se houver problema de organização, o Brasil perde  a confiança dos investidores em todo mundo, que argumentavam que aqui não se está a ter bom desempenho", comentou o dirigente.

As declarações de Bach foram feitas na   na sede do Comité Rio, durante uma sabatina com cerca de 100 universitários. O dirigente respondeu a um estudante que questionou se   o COI não se preocupava com o momento económico pelo qual o Brasil passa, incluindo a série de denúncias envolvendo empreiteiras e a Petrobras. "Claro que estamos a observar essa situação com muito cuidado, porque obviamente somos parceiros do país e não apenas um grupo que vem aqui e diz "por favor, organizem bem os Jogos para depois irmos embora sem nos preocuparmos mais", afirmou Bach.

"Nesses períodos desafiadores, com a queda do preço do petróleo, a taxa de câmbio da moeda e o cenário económico mundial, há sempre uma situação política em que é preciso estabelecer prioridades, o que fazer agora para melhor se preparar para o futuro. É essa situação que a  Presidente Dilma Rousseff e o seu Governo estão a enfrentar", avaliou.

Na segunda-feira, Bach e outros dirigentes do COI foram a Brasília para um encontro com a Presidente Dilma Rousseff. "Discutimos longamente muitas questões focadas nos Jogos e nos preparativos. A discussão foi um pouco como aqui, muito focada no legado."

O dirigente defendeu os gastos com a Olimpíada. "Investimento e confiança podem estabelecer um exemplo sobre como o País está determinado a sair da crise e estimular o crescimento e empregos de modo a melhorar a situação", considerou. "Mas isso não é fácil, porque ao mesmo tempo é preciso fazer corte em outros projectos que talvez sejam adiados ou talvez tenha que espera mais tempo até que se tenha uma recuperação da economia."

PREOCUPAÇÃO
A oitava visita da Comissão de Coordenação do Comité Olímpico Internacional (COI) para os Jogos do Rio terminou com uma preocupação. Segundo o COI, as obras do velódromo, da pista de hipismo e do campo de golfe estão com o cronograma sob "muita pressão", o que pode atrapalhar a realização de eventos-teste previstos para o segundo semestre deste ano.

Quem usou a expressão foi a própria presidente da comissão, a marroquina Nawal El Moutawakel, durante colectiva de imprensa em Copacabana.
"Nós queremos dizer que há muita pressão no cronograma para essas provas em função dos eventos-teste", afirmou Nawal. "O Rio está a entrar no período mais intenso  de preparação, em que precisa de um grande nível de detalhes e entregar 21 eventos-teste.  Exemplo dessa intensidade são o campo de golfe, o velódromo e o hipismo."