Jornal dos Desportos

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COI espera "tolerância zero"

07 de Dezembro, 2014

Atletas russos são apontados como consumidores de produtos proibidos para serem grandes campeões mundiais

Fotografia: AFP

O presidente do Comité Olímpico Internacional (COI) assegurou ontem que a entidade vai reagir segundo a sua política de "tolerância zero", caso as acusações de dopagem generalizada no atletismo russo se confirmem.

"Tendo em conta a gravidade das acusações, a responsabilidade do COI é de respeitar o direito de cada pessoa a defender-se.

Respeitamos o inquérito instaurado pela Federação Internacional de Atletismo (IAAF) e não vamos interferir. Se as acusações forem provadas pela comissão de ética da IAAF, o COI vai reagir segundo a sua política de tolerância zero", declarou Thomas Bach, no Mónaco.

Depois de, na sexta-feira, a agência russa antidopagem (Rusada) ter aberto um inquérito sobre as acusações de dopagem generalizada por atletas russos, feita por um documentário televisivo alemão, a federação russa de atletismo reagiu ontem, com ameaças de processar o canal ARD.

"A Federação está a estudar todas as opções inscritas na legislação russa e alemã para defender os nossos direitos, o que inclui acções judiciais relativas às alegações difamatórias feitas contra nós", pode ler-se na nota.

O comunicado assinado pelo presidente federativo, Valentin Balakhnichev, considera ainda que o documentário é "uma provocação que tem como objectivo sacudir o desporto russo".

O documentário com o título "Dopagem confidencial: como a Rússia fabrica os seus vencedores", foi difundido a 26 de Novembro na cadeia pública alemã ARD. No artigo é feito um retrato duro do atletismo russo, suportado por testemunhos, considerando que este está tomado por dopagem e corrupção em massa. A Federação Internacional de Atletismo (IAAF) comunicou a abertura de um inquérito sobre "alegações feitas no documentário", a ser conduzido pela sua Comissão de Ética, uma entidade independente.


Federação portuguesa
adia Assembleia-Geral


A Federação Portuguesa de Atletismo (FPA) adiou por tempo indeterminado a Assembleia-Geral para aprovação do plano de actividades e orçamento para 2015, que já devia ter realizado. A instituição culpa o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) pelo facto, em carta enviada às associações regionais e outros sócios federativos e assinada pelo presidente da Federação, Jorge Vieira.

Jorge Vieira acusa o organismo estatal de “insensibilidade para distinguir as características específicas das diferentes modalidades” e diz “que o IPDJ resolveu alterar, a meio do ciclo olímpico, os critérios para atribuição de apoios financeiros, nomeadamente, no que diz respeito ao Projecto Organização e Gestão da Federação”.

Na carta, o responsável salienta o facto de o atletismo ser uma “modalidade multidisciplinar”, com “23 disciplinas diferentes”, a maioria delas com “dimensões desportivas autónomas”. A Federação refere ainda que a FPA está directamente envolvida, ao longo de muitos fins-de-semana, em inúmeros eventos nacionais.

Mais adiante, na longa carta enviada às associações, Jorge Vieira lamenta o “constrangimento orçamental na ordem dos 80 a 100 mil euros” e informa ter solicitado, com carácter de urgência, uma reunião com o presidente do IPDJ para “aclarar estes projectos”, razão que o leva a adiar a Assembleia-Geral.

A decisão federativa reacende o coro de críticas que várias associações têm feito à FPA e que podem levar a uma moção de censura que leve à queda da direcção. O anterior director técnico da instituição portuguesa, José Barros, actual técnico regional da Associação de Lisboa, é apontado como futuro presidenciável.