Jornal dos Desportos

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COI instaura processos contra russos

24 de Dezembro, 2016

Atletas russos de novo debaixo da mira do COI devido a suspeitas de casos de doping

Fotografia: AFP

O Comité Olímpico Internacional (COI) revelou que foram instaurados processos disciplinares a 28 atletas russos, suspeitos de recurso ao doping, nos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, na Rússia.

O COI diz que as medidas foram tomadas na sequência das provas produzidas pelo investigador Richard McLaren, a pedido da Agência Mundial anti-dopagem (AMA).

No seu relatório, McLaren acusa o Estado russo de ter “patrocinado” o consumo de ‘doping’, com  recurso aos seus serviços de inteligência para organizar a troca de amostras de análises durante os Jogos em Sochi.

O COI instaurou processos disciplinares a 28 atletas, em relação aos quais à evidência de manipulação de uma ou mais amostras de urina, que foram colectadas durante os Jogos Olímpicos de Inverno Sochi2014”, refere o comunicado do organismo olímpico.

McLaren entende que 28 de 95 das amostras estudadas pela equipa têm sinais de manipulação.

As 28 amostras vão ser reanalisadas pelo laboratório anti -dopagem de Lausana, com o COI a sublinhar que os casos não são ainda de doping, mas que a manipulação por si só pode conduzir a sanções.

Já foram sancionados pelo COI 27 atletas russos, em resultado da reanálise de amostras referentes aos Jogos Olímpicos de Pequim2008 e Londres2012.

O governo russo nega qualquer envolvimento Estatal no recurso ao ‘doping’, mas o antigo ministro do Desporto e actual vice -primeiro ministro, Vitali Mutko, foi banido dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, face à esta controvérsia.

A revelação surge numa altura em que o  presidente da Rússia, Vladimir Putin, admitiu  a existência de problemas de doping no país,  negou de forma veemente a existência de um sistema estatal para apoiar a prática ilícita.

“No nosso país, como em qualquer outro, temos problemas com isso, devemos admiti-lo e fazer tudo para impedir a dopagem”, sublinhou o governante russo na habitual conferência de imprensa anual.

Putin quis deixar claro que “a Rússia nunca criou um sistema estatal de dopagem ou de apoio à dopagem” e que as autoridades fazem tudo para que “jamais exista”, sublinhou a necessidade de uma colaboração estreita com a agência mundial anti-dopagem (AMA) e outros organismos internacionais.

“Confio nas mudanças que têm lugar[na Rússia, não só das pessoas, mas nas estruturas, que nos ajudarão a cumprir com esses objectivos”, acrescentou o presidente russo.

O Comité Olímpico Internacional (COI) prolongou as sanções contra a Rússia, após a publicação da primeira parte do relatório McLaren, solicitado pela AMA, o qual denunciou a existência de um esquema organizado de doping com a colaboração estatal.

Um escândalo que levou a Associação das Federações Internacionais de Atletismo (IAAF) a proibir a participação do atletismo russo nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, no Verão.