Jornal dos Desportos

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Com espírito de Sayovo

Marcelino Camões , Angop - 06 de Setembro, 2016

Angolanos estão na vila paralímpica do Rio revestidos de sentimento de patriotismo

Fotografia: AFP

Depois de apagar as chamas dos Jogos Olímpicos, o Estádio do Maracanã volta a acender  amanhã a pira, duas semanas depois. O mundo vai testemunhar o brilho do fogo dos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro. Entre os participantes, a cor vermelha, amarela e preta de Angola vai desfilar nas mãos de.... na cerimónia de abertura. Na vila paralímpica, a bandeira com a roda dentada desfraldada entre as mais de cem nações. Um regozijo que deixa encantada a chefe da delegação angolana, a secretária - geral- adjunta do Comité Paralímpico Angolano, Telma Albertina da Cruz Silva.

Com oito atletas, a dirigente vaticina boa participação da selecção nacional. Para si, "as expectativas são sempre positivas". Os atletas procuram "honrar o bom nome de Angola", apesar de não beneficiar de estágio. Movidos de "espírito de Sayovo", o grupo está no Rio de Janeiro para manter a tradição: hastear a bandeira de Angola no mastro mais alto do pódio.


É com esta motivação que Telma Albertina da Cruz Silva assegura que Angola é um nome de referência mundial nos desportos paralímpicos. Por esse motivo e diante de dificuldades, várias correntes solidarizam-se com os atletas nacionais. Durante a permanência em São Paulo, os representantes nacionais contaram com o apoio do Comité Paralímpico Brasileiro.

Apesar do apoio da instituição brasileira, Telma Albertina da Cruz Silva ressaltou a disponibilidade do Estado angolano. "Em todos os momentos e ocasiões, o Estado tem sido o nosso principal patrocinador. Por esse facto, o nosso obrigado!", disse.Angola está instalada na vila paralímpica desde os primeiros dias de Setembro. É um local como outras vilas que albergaram o mesmo evento.

"Tudo está bem estruturado para evitar dificuldades. Todas as áreas de serviços estão devidamente preparadas com rampas para acesso de atletas e oficiais, as casas de banho estão adaptadas para pessoas com deficiências. Tudo está como é exigido internacionalmente", descreveu a dirigente angolana.

Telma Albertina da Cruz Silva assegurou a presença de "serviços gratuitos na vila". "Não precisamos de ir à rua para obter seja o que for, porque há condições internas para todo o tipo de serviços, desde a alimentação, transporte, comunicação e zonas de entretenimento", disse.Em função da contenção financeira, Angola está com uma delegação reduzida no Rio de Janeiro. Trata-se da chefe de missão, treinador, fisioterapeuta, guias e oito atletas. O grupo ficava estabilizado se tivesse a presença de um treinador - adjunto, dois acompanhantes da vida diária (um para rapaz e outro para meninas), um médico e um "attaché".

O regresso ao país está aprazado para 18 do corrente, dia marcado para a cerimónia de encerramento dos Jogos Paralímpicos. Telma da Cruz Silva realça que "é com alguma tristeza, o grupo não poder assistir ao evento" por dificuldades financeiras. A vila fecha no dia 20 e o regresso ao país só acontece no dia 22. Os dois dias restantes, iam exigir instalação num hotel.

Como é habitual, Leonel da Rocha Pinto vai participar da Assembleia geral do Comité Paralímpico Internacional, um evento que se realiza à margem dos Jogos Paralímpicos. Para além da qualidade de dirigente, Leonel da Rocha Pinto vai fazer parte da claque de apoio. Para fazer o número junta-se a outros cinco convidados do CPA e à comunidade angolana no Brasil. Telma Albertina da Cruz Silva esclarece que o presidente do CPA custeia a sua participação e da sua esposa no evento. Os convidados também devem suportar os custos.

Depois de chefiar missões angolanas em campeonatos africanos de Argélia'1997, Maputo'2011 e Congo'2015, campeonatos mundiais IBSA na Turquia e outros eventos internacionais como Jogos da CPLP Maputo'2010, Luanda'2014 e Jogos da Região na Namíbia e Zimbabwe, Telma Albertina da Cruz Silva estreia-se nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro. Foi acompanhante de vida diária nos Jogos Paralímpicos de Atenas'2004, Beijing'2008 e Londres'2012.


ESTREIA
Selecção de atletas refugiados



Os Jogos Paralímpicos Rio'2016 contam pela primeira vez com uma selecção de refugiados, anunciou o Comité Paralímpico Internacional (IPC). A imagem do que sucedeu nos Jogos olímpicos do Rio'2016, a competição paralímpica conta com uma selecção com o emblema dos anéis olímpicos, formada pelo nadador sírio Ibrahim Al Hussein e o lançador de disco iraniano Shahrad Nasajpour, que levam uma mensagem de esperança não só para os milhões de pessoas deslocadas com deficiência em todo o mundo, mas para todas as pessoas em todos os lugares.

O nadador Ibrahim Al Hussein, de 27 anos de idade, perdeu a perna ao ser atingido por uma bomba em 2012, enquanto corria para ajudar um amigo ferido. Filho de um treinador de natação, Al Hussein cresceu em Deir ez-Zor, na fronteira com o Iraque. Nos Jogos Paralímpicos, Ibrahim vai competir nos 50 metros e 100 metros livres na classe S10, uma das 10 classes com base no grau de habilidade.

"Pensei que o meu sonho tinha terminado, quando perdi a perna, mas agora vejo que tudo é real. Ainda não acredito que vou ao Rio de Janeiro. Quero deixar uma mensagem a todos: podemos acreditar nos nossos sonhos", disse o nadador, citado pelo IPC. Shahrad Nasajpour é um iraniano com paralisia cerebral, que solicitou asilo nos Estados Unidos e vai competir no lançamento de disco. Por ser um atleta com paralisia cerebral, está integrado na classe desportiva F37. Shahrad escolheu não compartilhar a sua história por razões pessoais e está focado em aperfeiçoar a  técnica antes dos Jogos.

Na equipa de apoio a esta selecção estão Tony Sainsbury, cinco vezes líder da missão paralímpica britânica, Ramon Boixadera, responsável pela Aldeia Paralímpica dos Jogos Londres'2012 e a grega Eleni Kokkinou, treinadora de natação.Os dois atletas ficam instalados na Aldeia Paralímpica, e depois dos Jogos contam com o apoio institucional de uma fundação do IPC, que os vai ajudar a preparar os Mundiais das suas modalidades, que devem decorrer em 2017.