Jornal dos Desportos

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Comediante japonês corre maratona

01 de Agosto, 2016

O japonês de 38 anos de idade representa Camboja na prova de maratona, a ser realizada no último dia da disputa do Rio'2016, a 21 de Agosto.

Fotografia: AFP

É comum na corrida de fim de ano realizado em Luanda, Lisboa ou São Paulo ver pessoas de todos os extractos sociais. Cada um com o seu uniforme e indumentária, num carnaval próprio fora de época. Não é normal ver nos Jogos Olímpicos, pessoas de outras especialidades participarem e competirem para além de atletas.

No Rio de Janeiro, a regra está quebrada: um comediante desafia Caló Pascoal ou Kutinga a jurarem fidelidade de se juntarem no Japão'2020.De apenas 1,51 metros de altura e 55 quilos de peso, Hiroshi Neko tem a grande oportunidade de ser o atleta mais exótico a participar dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. O japonês de 38 anos de idade representa Camboja na prova de maratona, a ser realizada no último dia da disputa do Rio'2016, a 21 de Agosto.

Naturalizado cambojano desde 2011, Neko foi escolhido para representar o país em Maio, após vencer uma maratona no país com o tempo de 2h44min02s, 14 minutos mais rápido que o segundo classificado. Apesar de a marca ser muito superior às 2h19min exigidos pela Associação das Federações Internacionais de Atletismo (IAAF), Neko entrou na cota de convites da entidade."Estou muito feliz de estar aqui e sou muito grato ao Camboja por me dar esta oportunidade", afirmou Neko, enquanto passeava pela Vila Olímpica.

Se no Camboja é famoso por causa das suas aventuras no atletismo, no seu país natal é um dos principais comediantes e atracção em emissoras de TV como a NHK e a Fuji TV, as maiores do Japão. Tanto que na sua chegada ao Brasil, roubou a cena e concentrou toda a atenção dos jornalistas em meio ao desembarque de grande parte da delegação japonesa.Por causa do trabalho como comediante, Hiroshi Neko precisa dividir o seu tempo. Vive parte do tempo em Tóquio e outra parte nas cidades de Phnom Penh e Siem Reap, as duas maiores do Camboja.

Neko não fala inglês e teve dificuldades para conseguir conversar com a reportagem, mas sempre demonstrou o bom humor que o caracteriza. Quando questionado sobre o que conhecia do Brasil, não titubeou em apontar os seus ídolos."Neymar. É uma super-estrela. Gosto também de Rickson Gracie", disse Neko em referência ao lutador de jiu-jitsu que fez muito sucesso no Japão durante a década de 90. Neko, cujo nome real e que ostenta na sua credencial é Kuniaki Takizaki sabe que ganhar uma medalha no Rio de Janeiro é impossível, mas traça uma meta bastante ousada: melhorar em quase três minutos o melhor tempo da sua carreira, registado há quatro anos numa maratona na cidade japonesa de Oita. Na ocasião, marcou 2h30min26.

"Quero correr para duas horas e 27 minutos", disse Neko.Hiroshi Neko já deveria ter participado dos Jogos Olímpicos de Londres'2012. Também havia sido escolhido pelo Comité Olímpico Cambojano, mas foi impedido pela IAAF por ter deixado de lado a cidadania japonesa menos de um ano antes do fim do término das inscrições.

ORDEM DE TÉCNICO
Hypolito deixa redes sociais


A realização dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro elevou a fasquia de objectivos do Brasil. Para conferir maior qualidade e atingir os propósitos, a delegação brasileira estabeleceu uma cartilha de atletas, onde constam "cláusulas" inusitadas. Assim, as principais apostas de medalhas na ginástica artística estão banidos do mundo virtual.

Desde a entrada da delegação na vila olímpica, Arthur Zanetti e Diego Hypolito não podem acessar às redes sociais e nem usar Whatsapp até o fim das suas participações. A comunicação com os familiares está a ser feita por telefone.A determinação partiu do técnico Marcos Goto. O "coach" não quer que o foco dos atletas não esteja nas competições.

O objectivo é também fazer com que os ginastas não vejam possíveis críticas que possam surgir na internet. Usuário assíduo do Instagram com mais de um post diário muitas vezes, Diego Hypolito fez a sua última publicação na última quinta-feira. Nela aparece ao lado de Goto e Diego. Na semana passada, Goto havia dito que queria os atletas concentrados nos treinos.

Até por isso, estão impedidos de dar entrevista."Agora é hora de focar nos treinos, deixar a media um pouco de lado. É a melhor coisa a fazer-se. Depois de passar as classificativas, no dia 6 de Agosto, já podem falar", disse o treinador.A blindagem é tamanha que na chegada dos ginastas ao Rio de Janeiro, nem passaram pelo átrio do aeroporto a fim de evitarem os jornalistas. As únicas declarações foram dadas por meio da assessoria de imprensa do Comité Olímpico do Brasil.

SEGURANÇA
Armas assustam no aeroporto 


Depois do desmantelamento das possíveis redes terroristas, no Rio de Janeiro, a segurança no aeroporto internacional António Carlos Jobim assusta quem desembarca. Um forte patrulhamento é feito no local. Homens de roupas camufladas, capacete e um pesado armamento recebem os membros da "família olímpica". Nas mãos, os integrantes da Polícia Aeronáutica carregam um fuzil AK-33. O objectivo é dar segurança e principalmente demonstrar força e intimidar quem quiser causar desordem no local.

O átrio principal e os terminais 1 e 2 do aeroporto é patrulhado por 60 soldados. Um dos militares explicou que "a posição da arma visa demonstrar a força, passar uma sensação de segurança, intimidar quem pense em desordem". O grupo de patrulha é formado por quatro soldados. A presença incomoda alguns funcionários e visitantes do local, apesar da necessidade de um patrulhamento reforçado durante os Jogos Olímpicos.

Uma funcionária discorda da demonstração da força. Para si, os soldados podem dar a mesma segurança, mas sem "essa intimidação". O número faz com que "pareça uma praça de guerra".Um membro da equipa técnica da   NBC assegurou que se não lembra de ter visto algum dia nesse mundo "um número tão grande de efectivo militar exactamente dentro do aeroporto". A experiência brasileira faz com que "o Rio esteja bem preocupado com a segurança".