Jornal dos Desportos

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Comité Paralímpico Africano clama por apoio dos governos

30 de Maio, 2013

A constatação é do angolano Leonel da Rocha Pinto que preside à instituição

Fotografia: Jornal dos Desportos

O desporto adaptado no continente, 50 anos após a constituição da actual União Africana (UA), regista ainda ausência de políticas de Estado na maior parte dos países, a existência de “tabús” e a necessidade do carácter científico das acções ao nível da formação e da técnica de treino.

A constatação é do presidente do Comité Paralímpico Africano, o angolano Leonel da Rocha Pinto, em entrevista à Angop, em Luanda, no término da reunião do Comité Executivo da zona VI do Conselho Superior do Desporto em África (CSSA), no dia da comemoração do 50º aniversário da UA, sábado.

O actual Comité Paralímpico Africano, 26 anos após a institucionalização em 1987 na Argélia com a designação de Confederação Africana de Desporto para Deficientes (ASCOD), iniciou tarefas em 2010 para afirmação e valorização do atleta, reclamando o direito à boa preparação e, sobretudo, o direito de ser considerado desporto de alta competição e não de lazer.

De acordo com Leonel Pinto, boa parte dos governos dos 54 países do continente são pouco sensíveis no apoio ao desporto adaptado, considerado de recreação e tutelado pelos Comités Nacionais Olímpicos, onde são tratados com fraco grau de consideração. 

Desde 2010, disse, registou-se alguma evolução neste capítulo devido à aproximação junto de alguns estados, destacando-se a Zâmbia, Rwanda, Zimbabwe e Namíbia. Neste último país, o Comité Paralímpico Nacional é contemplado pelo OGE, à semelhança do que é feito em Angola, onde o Estado é o principal patrocinador.

Leonel Pinto defende a inclusão de profissionais do desporto adaptado na área técnica do Conselho Superior do Desporto em África (CSSA), visando a salvaguarda do interesse dos paralímpicos, citando como exemplo a adaptação dos estádios e hotéis à condição física dos atletas. 

Para ele, o melhor enquadramento no CSSA pode significar maior apoio daquele organismo para o desporto paralímpico, fundamentalmente na área da formação de técnicos, fisioterapeutas, classificadores e árbitros.

Angola e Brasil assinaram em Março, em São Paulo, um protocolo que permite ao desporto adaptado angolano maior sucesso internacional, depois dos êxitos do velocista José Sayovo terem captado as atenções mundiais para a capacidade dos atletas africanos. 

O acordo assinado na cidade brasileira entre Leonel Pinto (na qualidade de presidente do Comité Paralímpico Angolano) e o homólogo brasileiro Andrew Persons pode ser extensivo aos demais países africanos, contemplando a realização de treinos, provas conjuntas, estágios, formação de treinadores e fisioterapeutas.

A África necessita igualmente de um centro de alto rendimento à semelhança do existente noutros continentes, para permitir a criação de um modelo de treino, disse, lembrando que o desporto adaptado já é desenvolvido em bases científicas.