Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Modalidades

Conselho Central torna público nota dos árbitros

Betumeleano Ferrão - 17 de Agosto, 2016

Homens do apito vezes sem conta são avaliados pelos comissários de jogo

Fotografia: José Soares

O Conselho Central de Árbitros de Futebol de Angola (CCAFA) pondera começar a divulgar todas as notas atribuídas às equipas de arbitragem, logo a seguir aos jogos que ajuízem, revelou ao Jornal dos Desportos uma fonte daquele órgão da FAF.A fonte preferiu não avançar com uma data específica, mas assegurou que há consenso entre os membros do CCAFA para se avançar com inédita medida, pelo que a qualquer altura a inovação vai ser posta em prática, primeiro nos jogos do Girabola Zap, depois nos da Segundona.

O CCAFA costuma se basear nas notas atribuídas as equipas de arbitragem para determinar quem permanece ou é despromovido para uma categoria inferior. O Jornal dos Desportos soube que para estabelecer a sua classificação, o Conselho Central se baseia de maneira exclusiva nas notas que os comissários ao jogos atribuem às equipas de arbitragens.

Em todos os jogos, o CCAFA escala um comissário, cuja missão específica é supervisionar o trabalho dos árbitros antes, durante e depois dos jogos.Com base naquilo que vêem, os comissários fazem o seu relatório, no qual atribuem a nota dos juízes, e o submetem ao CCAFA, é com base nas informações recebidas dos comissários que se faz a classificação final.

Os árbitros também fazem os seus relatórios e os remetem ao CCAFA, mas ao que apuramos, na hora de determinar quem merece ou não permanecer na elite da arbitragem nacional o CCAFA faz o somatório de todas as notas atribuídas pelos comissários, pois os árbitros não se julgam a si mesmos. Num passado recente, os árbitros tomavam conhecimento dias depois das notas atribuídas pelos comissários, porque recebiam nas reuniões semanais, agora realizadas às quartas-feiras na FAF, uma cópia do relatório do homem que os examinou, soube este diário.

A fonte contactada pelo nosso jornal revelou igualmente que o CCAFA tinha a intenção de tornar público os relatórios dos comissários, como agora virou moda em muitas partes do mundo, para que os jornalistas e outras pessoas interessadas tomem conhecimento da análise que se fez aos árbitros da jornada, mas desistiu da ideia porque descobriu que alguns comissários "queimam" os árbitros com os quais não têm boas relações.

Em várias ocasiões, sobretudo quando os jogos são televisionados, o CCAFA faz questão de gravar os jogos para depois analisá-los de maneira minuciosa, a fim de aferir se os árbitros desempenharam bem o seu papel. As informações dadas pelos comissários acabam por ser consideradas irrelevantes, porque as imagens provam que a equipa de arbitragem fez um bom trabalho, motivo por que merecia receber uma nota mais satisfatória.

Os motivos que levam os comissários a se incompatibilizar com os árbitros não foram revelados ao nosso jornal, mas o CCAFA mostra-se preocupado em pôr um fim a este tipo de situações porque nos casos em que não há imagens televisivas, os árbitros acabam por ser prejudicados, porquanto prevalece apenas a versão dos comissários.

ILIBADO PELO CONSELHO DE DISCIPLINA
Árbitro Mauro de Oliveira volta a apitar jogos


O árbitro Mauro de Oliveira voltou a receber o voto de confiança do Conselho Central de Árbitros de Futebol de Angola (CCAFA), que o escalou para apitar o Desportivo da Huíla - Kabuscorp, jogo que terminou com o empate a uma bola. O juiz e todos os seus coadjuvantes no embate entre o Recreativo da Caála e o 1º de Maio de Benguela tinham sido suspensos de maneira preventiva, mas o mês passado o Conselho de Disciplina (CD) da FAF ilibou o quarteto de todas as acusações. O quarteto tinha sido suspenso por terem permitido, de maneira involuntária, que o técnico Hélder Teixeira, do 1º de Maio, se sentasse no banco de suplentes dos proletários, sem estar credenciado.

Os árbitros não conheciam o treinador e não se aperceberam de nenhum irregularidade, motivo por que o CD preferiu punir apenas Hélder Teixeira com 15 dias, bem como ao pagamento de uma multa de cem mil Kwanzas. A equipa de arbitragem chefiada por Mauro de Oliveira apenas se apercebeu da irregularidade de Hélder Teixeira quando o Caála fez referência ao assunto.
 
Os árbitros mencionaram o incidente no relatório que enviaram ao CCAFA, e mais tarde quando ouvidos repetiram a mesma versão no CD.O Jornal dos Desportos apurou que durante a vistoria, feita sempre antes dos jogos, o técnico Hélder Teixeira não estava entre as almas que o 1º de Maio levou para o jogo com o Caála, mas quando as equipas entraram para iniciar o jogo se dirigiu para o banco dos suplentes. Antes de orientar o 1º de Maio de Benguela, Hélder Teixeira orientou o Clube Recreativo da Caála (CRC), porém ao sair do CRC tinha de esperar que a FAF lhe passasse uma nova licença para se sentar no banco de suplentes dos proletários.

A suspensão de Mauro de Oliveira, Pedro Futa, Domingos Cordeiro e António Muachissengue tinha provocado um mal-estar na família dos árbitros, mas a fonte do CCAFA argumentou que como o Caála expôs a irregularidade cometida por Hélder Teixeira, o quarteto tinha de ficar suspenso até ser chamado a depor no CD. O árbitro Mauro de Oliveira foi o único do quarteto a ser indicado para ajuizar um jogo, ele apitou na 20ª jornada o Desportivo 1 - Kabuscorp 1. Os demais envolvidos, Pedro Futa, Domingos Cordeiro e António Muachissengue podem ser nomeados a qualquer altura, tranquilizou a fonte do CCAFA.